ArQuente estreia «Paraíso, meu Paraíso» no Cineteatro Louletano, em Loulé, e assinala 20 anos com uma criação sobre tecnologia e identidade.
A ArQuente – Associação Cultural estreia «Paraíso, meu Paraíso» no dia 6 de março, às 21h00, no Cineteatro Louletano, em Loulé. A criação assinala o 20.º aniversário da companhia. Com direção artística de Lígia Soares, a peça explora a relação do ser humano com a tecnologia, os hábitos digitais e a procura de uma versão melhorada de nós próprios.
«A tecnologia exerce, cada vez mais, um imensurável poder sobre a vida. Está a mudar os hábitos e as relações. Condiciona e modifica a relação que temos connosco e com o mundo. Molda-nos a identidade. Aproxima-nos do longe, do imediato e do etéreo, mas distancia-nos do palpável, do demorado e do concreto», escreve a companhia na sinopse.
Em palco, Bilonda Bukasa, João Tatá Regala, Sara Vicente e Teresa Silva — intérpretes com percursos na dança, música, teatro e biologia — constroem uma reflexão sobre espaço físico e espaço digital. A peça explora o contraste entre estar permanentemente ligado e, ao mesmo tempo, desconectado.
O tema da aceleração do tempo e da busca de felicidade no digital atravessa a criação. «Vivemos num mundo cada vez mais acelerado, em que procuramos soluções muito rápidas e eficazes. E quem produz os conteúdos já presume que não há escapatória a essa aceleração. Numa espécie de busca pela felicidade seguimos gurus, conselhos e ideias que são partilhados globalmente e vindos de pessoas que, na maioria das vezes, só conhecemos através dos ecrãs. E é curioso serem essas pessoas a levarem-nos a um estado de felicidade», diz Lígia Soares.
O espetáculo nasceu ao longo de três residências artísticas no Palácio Gama Lobo, em Loulé. A diretora artística descreve o processo como orgânico e assente na cocriação. «Não vinha com nada fechado, nem com materiais já produzidos. Fomos fazendo uma descoberta conjunta. O meu papel foi ir compondo e encenando, a partir dos materiais que iam aparecendo ao longo dos ensaios. Foi um processo muito orgânico, com uma metodologia que se desenhou a si própria», explica.
Depois da estreia em Loulé, a peça sobe ao palco do Teatro das Figuras no dia 26 de março, às 21h30. Estão previstas sessões para alunos do ensino secundário: em Loulé no dia 5 de março, às 10h30, e em Faro no dia 25 de março, às 10h00.
«Paraíso, meu Paraíso» conta com coprodução do Cineteatro Louletano e do Teatro Municipal de Faro. A ficha técnica inclui desenho de luz de Pedro Silva, operação de som de José Val, design gráfico de Bruno Rodrigues e fotografia de Filipe Farinha.
Foto: Filipe Farinha