A Câmara Municipal de Lagoa derrubou a entrada, com mais de trinta anos, do Parque Municipal de Feiras e Exposições, onde se realiza a FATACIL. A demolição marca o início no terreno de um plano de intervenção que ronda os 150 mil euros. As críticas nas redes sociais não tardaram, apesar de a necessidade de remodelar a velha e subdimensionada entrada ser mais forte que as saudades que deixará. Aliás, ao deitá-la abaixo, a autarquia lagoense quer dar um ar renovado e fresco ao espaço, que promete vir a deixar uma impressão diferente, em quem se prepara para visitar o certame em agosto.
A garantia foi dada ao «barlavento» por Luís Encarnação, vereador da Câmara Municipal de Lagoa.
Assim, o moderno chegará, por fim, à tradicional feira. Este ano, a expressão «é sempre igual todos os anos» será proibida. O vereador levantou o véu e explicou qual a intervenção que está a ser realizada no recinto. «Aquilo que se está a fazer é no âmbito de um projeto de remodelação do Parque Municipal de Feiras e Exposições, em que o que se pretende é dar uma nova roupagem» àquele espaço, «reforçando as condições de segurança».
A primeira alteração surgirá na entrada principal. A Câmara Municipal derrubou «um pórtico antigo, desadequado e que não era de todo funcional para a feira, para colocar um mais moderno, apelativo, com iluminação em LED e um ecrã gigante», adiantou o vereador. Esta plataforma será visível por quem passa na Estrada Nacional 125, que poderá ver informação sobre a feira, programação, cartaz de espetáculos criando uma nova dinâmica na frente principal, recorrendo a «uma estrutura mais moderna e funcional». No futuro, a autarquia quer colocar «torniquetes para controlo de entradas, que antes não tinha condições para as colocar», revelou.
Já no interior, será montada para esta edição, uma pérgula metálica e iluminada. Por isso, foi desmontada a nave principal, que era fria no inverno e quente no verão. Será o espaço nobre do recinto, que recebe o pavilhão «Amar a Terra», um espaço dedicado aos vinhos e aos produtos regionais e outro dedicado ao artesanato.
«Teremos também um lounge enorme, que acolherá o Lagoa, Cidade do Vinho 2016, onde vamos destacar aos vinhos de todas as regiões do país. Estamos a trabalhar nesse projeto em articulação com a Associação de Municípios Portugueses do Vinho e será onde, todos os dias, vamos ter provas de vinho, complementadas com a gastronomia e etnografia de cada uma das regiões presentes», descreveu.
A outra grande intervenção envolve a zona dos palcos. Foi demolido o muro junto ao palco principal, que criava uma barreira à circulação. A entrada na zona da restauração, com cerca de quinze metros, dá lugar a um acesso com o triplo do tamanho, reforçando as condições de segurança. «Foram demolidos os muros criando um aspeto de maior abertura. Vai permitir que, quando se entra na feira, à direita, se encontre um espaço amplo com restaurante e as tasquinhas para as associações», explicou.
Também o palco Lagoa desaparece, pois «estava obsoleto» e não podia receber os espetáculos habituais da FATACIL. Aliás, «a área de restauração não tem capacidade para acolher 20, 25 ou 30 mil pessoas, que é a média do público dos espetáculos» da feira. Nos dias de hoje, tal palco configurava-se duplamente inútil: demasiado grande para outros eventos que acontecem no recinto ao longo do ano, e pequeno para os da FATACIL em agosto, argumentou Luís Encarnação.
O vereador assegurou que o recinto estará «pronto a tempo». O prazos da obra, quer das demolições, quer das construções, está a ser cumprido. Em termos de expositores, a ocupação está quase completa, com a maioria das inscrições feitas, a cerca de um mês e meio para a feira. «Devemos chegar aos cerca de 700 expositores, distribuídos pelas várias áreas», mantendo a tendência de crescimento «dos últimos dois anos», quer a nível de visitantes, receitas e número de expositores.
«Invertemos o decréscimo que a FATACIL estava a conhecer, mas para continuarmos a crescer é necessário tomar esta medidas, remodelar e fazer coisas diferentes», reforçou, acrescentando que «esta era um medida que se impunha. «Fizemos inquéritos de satisfação aos nossos visitantes e aquilo que se queixavam era que a FATACIL era sempre igual», concluiu.
Todas as remodelações que a Câmara Municipal de Lagoa está a fazer estão integradas neste plano de intervenção, que tem como objetivo «devolver aquele espaço à população, colocá-lo à disposição da população, porque» o que existia «era um Parque Municipal que, durante o ano está fechado, exceto durante a FATACIL» e outros eventos de muito menor dimensão. Resta agora esperar por agosto para comparar o antes e o depois e descobrir as diferenças. Uma promessa mantém-se, porém, igual: «este ano será a melhor de sempre».