Ex-autarcas, vereadores, personalidades ligada às artes, letras e cultura da cidade quase tornaram pequeno o auditório da Biblioteca Municipal António Ramos Rosa na tarde de sexta-feira, 23 de setembro.
«A revista conta com quase 50 anos de edição e desempenha um papel único e insubstituível na divulgação do património, da cultura e da memória de Faro. Fundada em 1969 pelo professor Pinheiro e Rosa, dava grande destaque à arquitetura religiosa, factos e figuras históricas e personagens da história local. Durante este período extravasa para além dos limites do concelho e surgem artigos mais genéricos sobre a história do Algarve, e também sobre aspetos de concelhos e freguesias vizinhos», apresentou Salomé Horta.
Passado quase meio século, «as coisas mudaram. O profissionalismo em torno da edição, o prestígio da direção, a modernização do grafismo, a diversidade e rigor científico dos autores. Mas, na essência, existem dois aspetos que se mantém e que são o garante da sobrevivência da revista: Faro tema incontornável, e esta ligação à Biblioteca que se mantém, e que de forma cíclica e perseverante persiste em não deixar morrer uma revista que se tornou uma referência na sua área», concluiu. Por sua vez, Romero Magalhães considerou a edição «um trabalho muito meritório e que consegue uma mistura entre o que é académico», e o conhecimento «dos técnicos municipais, do oficio, que se apresentam aqui como investigadores, como historiadores, como conhecedores da matéria sobre a qual escrevem».
O diretor não escondeu que «há dificuldades que decorrem do facto da Câmara Municipal de Faro não dispor de um arquivo fotográfico. Essas deficiências não sei se são inevitáveis, mas é uma pena que aconteça porque o enriquecimento que poderíamos ter com as fotografias seria bastante bom».
«O nosso sentido é continuar este trabalho, se possível anualmente. Dependerá dos colaboradores que apareçam. Alguns aparecem, alguns convocam-se. Alguns temos mesmo de convocar. Há gente de Faro, ou que aqui esteve bastante tempo, que poderá vir a colaborar. Estou a pensar na Teresa Rita Lopes, no Casimiro de Brito, no Gastão Cruz, no Mário Zambujal, na Lídia Jorge. E noutros».
Romero deu o exemplo do convite que lançou a António Ventura, autor do artigo sobre a loja maçonica 319 de Faro. «Foi quase à má fila. Mas fez. Às vezes, o mais difícil é fazerem, não é dizerem que sim. E é este tipo de incitamento», que é preciso continuar a fazer nas próximas edições. «Até já tenho um texto que poderá vir a ser uma surpresa. É dos finais dos anos 1940, de um ilustre professor do Liceu de Faro, João Gaspar da Costa, que fez uma conferência aqui sobre o (poeta) Emiliano da Costa que está em manuscrito. A filha disse-me que poderia dispor disso. Acho que valerá a pena», revelou.
«É esse tipo de pede, puxa e larga que temos de conseguir. Porque as cidades precisam deste tipo de memória, concluiu. Na plateia estiveram os ex-autarcas de Faro João Negrão Belo, José Vitorino e José Apolinário, a quem Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, deixou uma palavra. «Acompanharam de perto este trabalho e em parte também se deve a eles», lembrou.
«Os Anais tornaram-se objeto de leitura, consulta e de estudo para todos aqueles que quiseram fazer uma investigação séria sobre os mais diversificados aspetos do passado ou do presente de Faro. A nova conjuntura permite-nos retomar a nossa obrigação de deixarmos para a posteridade uma série de números, factos, tradições, curiosidades e ideias que traçam a letra forte do tempo presente dos farenses e a singularidade do território que ela ocupa», disse Rogério Bacalhau.
O autarca fez questão de deixar «um justo e sempre insuficiente agradecimento» ao professor Romero, a quem foi pedido «que recuperasse os Anais, em moldes ambiciosos, ainda que o município não tivesse ainda condição para enfrentar este desafio com o mais afirmativo dos otimismos. Nunca lhe pudemos dar as ferramentas todas que ele merecia. Mas fez justamente o que dele esperávamos, e que, face a uma conjunta difícil, nunca tivemos coragem de lhe solicitar. Ele e a sua equipa produziram um dos mais admiráveis tomos dos Anais do município de Faro desde a sua primeira edição».
O nascimento dos Anais dos municípios


