Volvidos dois anos da criação, o Grupo Amigos do Museu de Portimão (GAMP) soma já perto de 250 sócios, que dão vida a tertúlias, viagens e atividades que visam enriquecer o conhecimento acerca de tudo o que está ligado ao passado, presente e futuro portimonense e do seu Museu.
O médico cirurgião Daniel Cartucho, presidente do Grupo, contou ao «barlavento», que este coletivo nasce de «um desafio lançado pelo professor José Gameiro,» diretor científico do Museu. Até porque, esta estrutura está prevista no regulamento do espaço cultural desde a inauguração em 2008. Só após seis anos, os amigos se organizaram como associação sem fins lucrativos.
Além de valorizarem o Museu através da história, do património e da cultura, mantêm uma relação privilegiada de colaboração e entreajuda com a direção e a equipa de técnicos, tendo autonomia para escolher as atividades que querem realizar. Também colmatam o apoio que este equipamento «pode ter e que, em termos institucionais, tem estado um pouco limitado», explicou o presidente do Grupo.
O GAMP, que surgiu a 10 de dezembro de 2014, pretende que quando se fale de Portimão haja mais um motivo para um brilho no ar. «Essencialmente o que este grupo faz é vitaminar as atividades do museu. Desde as exposições, dos enquadramentos e até alguma projeção do Museu que possamos levar lá fora. Quando vamos à Gulbenkian, ao Museu Nacional de Arqueologia, as pessoas perguntam de onde somos. E quando respondemos que somos do Museu de Portimão, é curioso que nos dizem que já o visitaram ou alguém lhes falou» nele, constatou Daniel Cartucho.
«Não queremos que se diga que em tempos foi isto e que agora é uma chatice. Pelo contrário, que antes tinha algo e agora tem dinâmicas diferentes», explicou Daniel Cartucho. Até porque, este responsável considera que o «Museu é um polo fundamental para uma série de atividades. Uma delas é o que está exposto e outra vertente é o que, a partir do Museu, se pode fazer. É o caso das tertúlias, das viagens, e até a agregação da comunidade estrangeira» neste Grupo.
Após ultrapassado o processo burocrático de constituição da associação, o Grupo de Amigos do Museu de Portimão começou a realizar atividades pontuais já contando com uma diversidade de iniciativas nestes últimos dois anos.
Apoiaram a campanha subaquática, exposições e outras ações do Museu, e podem usufruir de tudo o que o espaço tem para oferecer.
Há quatro sub-grupos (visitas, tertúlias, valorização e proteção do património cultural e natural e oficina das ideias), ainda que o das viagens seja o que está mais ativo, tal como o das tertúlias, que tem tido sempre enquadramentos temáticos.

«Temos agora o dever cívico, assim haja capacidade, de constituir um arquivo, uma monografia, uma publicação, nem que seja só na Internet, para que esta informação, que vamos gerando com estas tertúlias, esteja acessível», afirmou Daniel Cartucho. Há histórias interessantes na perspetiva do presidente do GAMP.
Na tertúlia sobre o hostel da Academia de Música, os palestrantes contaram que «quando as muralhas foram expostas, encontram traves que correspondiam a mastros de barcos», mostrando uma dinâmica de reutilização de materiais naquela altura, relatou. Já na subida do rio Arade foram mostrados locais de culto nas margens, onde os pescadores vão pagar promessas, por exemplo. Também no rio há outro local, protegido, por um holandês, de nidificação de flamingos. O presidente considera, assim, que o GAMP tem o dever cívico de «gerar este conhecimento e passá-lo às gerações» vindouras.
No final de novembro, a próxima aventura deste grupo será uma viagem ao Alentejo, a Beja e a Cuba, onde a gastronomia, o património e a música se cruzam. Para a mesma altura, será ainda realizada uma tertúlia sobre o IPSIIS e a deteção de metais, a proferir por José Sousa, adiantou José Gameiro. Esta é uma associação autorizada a detetar sobre as areias dos dragados, sendo o único autorizado pela Direção Geral do Património Cultural (DGPC), porque está em articulação com o Museu e os seus arqueólogos num projeto conjunto.
Mas o GAMP quer ir mais além, pois outra das ambições é «que se mantenha como associação sem fins lucrativos, mas com capacidade de gerar alguma capacidade financeira, reforçando desse modo as atividades do Museu. Será um dos assuntos propostos na próxima Assembleia Geral, cujo presidente é António Feu, revelou ainda José Gameiro. Aliás, foi este portimonense o primeiro a contar as histórias da sua Praia da Rocha, nos anos 1940, na primeira tertúlia «Conversas com Portimão ao fundo» e tem sido um elemento fundamental para o GAMP.
O Grupo quer ainda criar uma loja onde possa comercializar os produtos relacionados com o património cultural e as coleções do Museu. É o caso de um desenho oferecido por uma sócia alemã (Vera Christians), que serve de estampa ao saco de pano dos Amigos do Museu.
Um dos desejos é que no próximo aniversário do GAMP, se realize um jantar que assinale a efeméride, e que essa festa se possa eventualmente realizar no restaurante do Museu de Portimão, que está em fase de concurso.
Grupo aberto a novos sócios
O Grupo de Amigos do Museu de Portimão (GAMP), desde a constituição «procura o tom de funcionamento e, isso está largamente dependente de quem aparece e de quem faz propostas», afirmou o presidente Daniel Cartucho.
Por isso, todos os interessados em se tornarem sócios serão bem-vindos. Podem inscrever-se no Museu, onde, após deixarem o contacto, é enviado um email com o formulário, ou em alternativa descarregá-lo no facebook em www.facebook.com/amigosmuseuportimao
É possível ainda solicitar o envio do documento através do email: [email protected]. A quota custa 20 euros por ano.
Como benefícios, os sócios têm entrada gratuita no Museu de Portimão, prioridade na inscrição em visitas orientadas e viagens culturais promovidas pelo GAMP, oferta de apoio técnico no diagnóstico de conservação e tratamento de peças de coleções pessoais dos sócios no Consultório do Museu, preços especiais em cursos, oficinas e ateliês e informação ou participação nas atividades e iniciativas do GAMP e do Museu.
GAMP permitiu candidatura ao DiVaM
Outra das mais valias do Grupo de Amigos do Museu de Portimão é que, através deste já foi possível concorrer a programas de apoio à cultura, aos quais a Câmara Municipal de Portimão não podia, resumiu ainda José Gameiro. Um dos exemplos desta candidatura foi o processo do programa DiVaM, da Direção Regional da Cultura do Algarve, para os Monumentos Megalíticos de Alcalar.
Isto porque, o GAMP propôs a realização de três projetos no âmbito da arqueologia experimental e a realização de uma oficina de cerâmica, incluindo os métodos de cozedura da pré-história «soenga». As atividades integraram o evento «Um Dia na Pré-história», onde se realizou também um seminário sobre arqueologia experimental, com especialistas da área, exemplificou José Gameiro.
Nem todos os museus têm amigos e nem todos os amigos estão constituídos desta forma, como uma associação independente, esclareceu José Gameiro. No Algarve, apenas existem dois grupos destes, um em Portimão e o outro em São Brás de Alportel agregado ao Museu do Trajo.



