Proteção Civil espera melhoria das condições meteorológicas durante a madrugada para travar o avanço do incêndio que deflagrou esta manhã, no Ameixial.
O incêndio rural que deflagrou hoje em Besteiros, na freguesia do Ameixial, concelho de Loulé, entra pela noite dentro com duas frentes ativas, uma das quais de maior intensidade a preocupar as autoridades, segundo o ponto de situação feito à comunicação social pelo Comando Regional de Emergência e Proteção Civil (CREPC) do Algarve.
Segundo Abel Gomes, 2.º comandante regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve, a frente do flanco esquerdo, em direção à localidade de Vermelhos, tinha uma evolução «mais favorável ao combate». A frente do flanco direito, localizada na zona do Ameixial, apresentava «maior intensidade» e concentrava a principal preocupação operacional.
«Os meios de reforço que estão mobilizados e que estão a chegar ao teatro de operações estão a ser empenhados nesta frente que nos oferece maior preocupação», afirmou.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) espera agora uma janela meteorológica mais favorável durante a madrugada, com diminuição da intensidade do vento e aumento da humidade relativa até perto dos 80%. Ainda assim, a operação mantém risco elevado.
«Vamos ter muitas horas de trabalho pela frente», admitiu Abel Gomes.
Vento projetou partículas a mais de 500 metros
O incêndio teve, desde a fase inicial, um comportamento considerado difícil. Segundo Abel Gomes, os ventos fortes, acompanhados de rajadas, provocaram projeções de partículas incandescentes a mais de 500 metros de distância.
Esse comportamento tornou o fogo mais rápido do que a capacidade de acompanhamento dos bombeiros no terreno.
«Era um incêndio muito mais rápido do que aquilo que nós conseguíamos combater», explicou.
A velocidade inicial de propagação chegou aos 1000 metros por hora, com uma taxa de expansão de 90 hectares por hora, números que Abel Gomes classificou como «bastante consideráveis».
A instabilidade atmosférica registada na zona agravou as dificuldades, bem como a topografia da serra. O responsável da Proteção Civil sublinhou que a área não tem acessos fáceis e que a orografia condiciona o combate.
Flanco direito pode ganhar nova frente
Abel Gomes explicou que o vento deverá rodar para oeste e fazer pressão sobre o flanco localizado do lado este. O receio da Proteção Civil não é a união dos dois flancos, uma vez que entre eles já existe área ardida, mas sim a possibilidade de o flanco direito continuar a progredir e ganhar uma nova frente com maior intensidade.
«O que nós pensamos e esperamos — e estamos a fazer o mais possível para que não aconteça — é que o flanco direito continue a progredir e que ganhe uma nova frente, uma nova intensidade», disse.
A frente que segue em direção a Vermelhos estava, à hora do ponto de situação, com evolução mais favorável.
As localidades de Vermelhos e Corte do Ouro, próximas da área de influência do incêndio, estavam a ser monitorizadas pelo Serviço Municipal de Proteção Civil de Loulé, no âmbito do programa Aldeias Seguras, Pessoas Seguras.
O programa ainda não tinha sido ativado, porque o fogo não tinha chegado a essas localidades.
Lar do Ameixial não foi evacuado
A Proteção Civil desmentiu a informação de que teria havido evacuação de um lar de idosos no Ameixial.
«Não houve nenhuma evacuação do lar. Os utentes do lar ficaram confinados ao mesmo, devidamente protegidos e sem qualquer problema com a sua situação», esclareceu Abel Gomes.
Também não houve necessidade de retirar população das suas casas até ao momento do ponto de situação.
Foi também referido que a vereadora responsável e a diretora do Departamento de Ação Social se deslocaram ao local para avaliar necessidades e preparar eventual ativação de respostas, caso fosse necessário.
As habitações isoladas estão referenciadas e a Guarda Nacional Republicana (GNR) conhece a localização dos casos mais dispersos, o que poderá facilitar uma intervenção em caso de necessidade.
EN2 cortada em Besteiros
A Estrada Nacional 2 foi cortada ao trânsito no lugar de Besteiros como medida preventiva e de segurança para residentes e operacionais. A restrição mantinha-se à hora do ponto de situação. A decisão foi tomada desde o período da manhã, no quadro das medidas de proteção adotadas no teatro de operações.
Três bombeiros feridos ligeiros
O incêndio provocou três feridos ligeiros, todos bombeiros. Dois pertencem ao Corpo de Bombeiros de São Bartolomeu de Messines e um ao Corpo de Bombeiros de Portimão. Segundo Abel Gomes, dois dos feridos seriam transportados para avaliação, devido a traumas físicos no ombro e no joelho. «Nada de grave, nada de especial», afirmou.
Habitação secundária afetada
A Proteção Civil confirmou uma habitação afetada na zona de Besteiros, descrita como segunda habitação. Arderam dois compartimentos da casa. Segundo a informação transmitida no ponto de situação, há indicação de que o incêndio nessa habitação terá começado de dentro para fora, depois da possível entrada de faúlhas pelo telhado.
Abel Gomes admitiu que possam existir outros danos ainda não identificados, devido à dispersão de habitações e infraestruturas na serra, mas sublinhou que, à hora da conferência de imprensa, não havia registo de outras situações semelhantes.
Doze meios aéreos no pico da operação
No período de maior empenhamento, o combate ao incêndio contou com 12 meios aéreos.
Entre eles estiveram dois meios dedicados à coordenação aérea e ao apoio ao planeamento e comando da operação, quatro aviões bombardeiros médios, dois aviões bombardeiros pesados, conhecidos por Canadair, três helicópteros ligeiros de combate e um helicóptero pesado, conhecido por Kamov.
Durante o dia, a atuação aérea foi condicionada por linhas elétricas existentes no terreno.
«Os meios aéreos continuam a operar até ao limite da sua capacidade operacional», disse Abel Gomes.
O responsável lembrou, contudo, que os meios aéreos não resolvem o incêndio por si.
«Os meios aéreos não apagam os incêndios só por si. São um grande apoio aos meios que estão em terra, retardam a progressão e criam condições para que os meios terrestres, os bombeiros, os sapadores florestais, a Guarda Nacional Republicana e todas as outras entidades envolvidas consigam depois apagar as chamas», afirmou.
293 operacionais e reforços de fora da região
À hora do ponto de situação, estavam empenhados 293 operacionais, apoiados por 98 veículos terrestres e dez máquinas de rastos.
A maior expressão dos meios humanos vinha dos corpos de bombeiros da região, mas já havia reforços do Alentejo e da Península de Setúbal. Também estavam mobilizados meios da Grande Lisboa e de Lisboa e Vale do Tejo.
A operação tem sido apoiada pelos serviços municipais de Proteção Civil de Loulé e de Almodôvar, concelho limítrofe e uma das áreas para onde o incêndio se poderia propagar.
Abel Gomes destacou o apoio logístico e a mobilização de meios por parte dos dois municípios.
Causas ainda por apurar
As causas do incêndio ainda não estavam identificadas. O major Gilberto Valente, oficial de ligação da Guarda Nacional Republicana (GNR), disse que os militares estão no terreno a recolher provas e a efetuar diligências.
«Para já, não temos uma causa identificada e ainda é muito prematuro adiantar isso. Irá decorrer um processo e depois iremos tirar as conclusões», afirmou.
Segundo o porta-voz da GNR, o alerta foi dado por populares que estavam na zona. As patrulhas chegaram rapidamente ao local e estiveram envolvidas desde o início da ocorrência.
Na conferência de imoprensa estiveram também presentes Irlandino Santos, comandante da operação de socorro e comandante do Corpo de Bombeiros de Loulé, Gilberto Valente, major e oficial de ligação da Guarda Nacional Republicana, além de Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé, na qualidade de Autoridade Municipal de Proteção Civil.

