Federação de Bombeiros do Algarve alerta para impacto da subida dos combustíveis que ameaça a sustentabilidade das corporações.
A Federação de Bombeiros do Algarve manifesta hoje «profunda preocupação com o impacto do aumento do preço dos combustíveis na sustentabilidade financeira e operacional das associações humanitárias de bombeiros da região».
Em comunicado, assinado por Steven Sousa Piedade, presidente da direção, a Federação de Bombeiros do Algarve explica que «a escalada das tensões internacionais e dos conflitos no Médio Oriente tem provocado uma subida significativa do preço do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis em toda a Europa. Em Portugal, o preço do gasóleo tem vindo a aproximar-se — e, em alguns momentos, a ultrapassar — os 2 euros por litro, refletindo diretamente a instabilidade geopolítica e a volatilidade dos mercados energéticos».
Esta realidade está a ter «um impacto particularmente gravoso nas corporações de bombeiros, cuja atividade depende diariamente da utilização intensiva de viaturas de socorro, ambulâncias e veículos de combate a incêndios, indispensáveis para garantir a resposta às emergências e o socorro às populações».
Antes desta situação, «as associações humanitárias de bombeiros já enfrentam, há vários anos, uma crescente pressão financeira resultante do aumento generalizado dos custos operacionais, sem que os respetivos apoios públicos tenham acompanhado essa evolução».
No Algarve, «a maioria dos corpos de bombeiros assenta numa estrutura associativa e voluntária, assegurando um serviço público essencial e insubstituível nas áreas da proteção civil, emergência pré-hospitalar e socorro às populações».
«Quando o combustível sobe, os bombeiros não podem parar. As ambulâncias continuam a sair, os incêndios continuam a ser combatidos e o socorro continua a chegar às populações. A diferença é que hoje isso está a custar muito mais às associações humanitárias de bombeiros», alerta Steven Sousa Piedade.
Impacto financeiro real
Para melhor ilustrar o impacto desta subida dos combustíveis, o responsável dá como exemplo um corpo de bombeiros que consume, em média, 1.000 litros de gasóleo por semana nas suas viaturas de socorro. Tendo em conta um aumento aproximado de 50 cêntimos por litro, o impacto financeiro é o seguinte:
- Consumo mensal médio: 4.000 litros;
- Aumento por litro: 0,50 euros;
- Impacto mensal: 4.000 litros × 0,50 euros = 2.000 euros de custo adicional;
- Impacto anual: 2.000 euros × 12 meses = 24.000 euros de aumento anual apenas em combustível.
Importa ainda sublinhar que «muitas corporações de bombeiros do Algarve apresentam consumos significativamente superiores, sobretudo aquelas que asseguram maior volume de emergência pré-hospitalar, transporte de doentes e operações de socorro, podendo o impacto financeiro real atingir valores bastante mais elevados».
Federação exige medidas urgentes
Perante esta realidade, a Federação de Bombeiros do Algarve defende a adoção urgente de medidas extraordinárias de apoio ao setor:
- Reforço imediato dos apoios financeiros às associações humanitárias de bombeiros;
- Criação de um mecanismo de desconto direto no abastecimento de combustível para viaturas de socorro e emergência;
- Implementação de mecanismos automáticos de compensação sempre que o preço dos combustíveis ultrapasse determinados níveis de referência;
- Revisão da carga fiscal aplicada aos combustíveis utilizados por veículos afetos ao Socorro e à Proteção Civil.
«O aumento dos combustíveis está a colocar uma pressão financeira muito significativa sobre as associações humanitárias de bombeiros. Não é aceitável que instituições que asseguram um serviço público essencial continuem a suportar custos energéticos desta dimensão sem medidas de compensação adequadas», afirma o presidente da Federação de Bombeiros do Algarve.
A Federação recorda que «os bombeiros portugueses constituem um dos pilares fundamentais do sistema nacional de proteção civil e alerta que a sustentabilidade das corporações não pode ser colocada em risco».
O comunicado diz ainda que a posição dos soldados da paz algarvios «será formalmente comunicada ao Governo e às entidades competentes».
Foto: Bruno Filipe Pires