Projeto do ABC-Ri aprofunda mecanismos de «adormecimento» celular ligados ao Alzheimer e recebe 10 mil euros da SPN para acelerar a investigação translacional.
O ABC-Ri conquista a Bolsa Pereira Monteiro e reforça a investigação sobre o «adormecimento» celular no Alzheimer.
A Sociedade Portuguesa de Neurologia (SPN) atribui 10 mil euros ao projeto «From Mechanism to Biomarker: Redox Control of Stress Granules as a Neuroregenerative Driver in Alzheimer’s Disease», proposto pelo Algarve Biomedical Center Research Institute (ABC-Ri) da Universidade do Algarve (UAlg).
A equipa estuda mecanismos que limitam a neurogénese adulta.
Sónia Simão, investigadora principal, explica que o cérebro possui «reservatórios» de células estaminais neurais que permanecem inativas e falham a regeneração em contexto de lesão ou doença neurodegenerativa, como o Alzheimer.
O grupo analisa fatores que mantêm esta dormência e que bloqueiam a capacidade regenerativa.
A investigadora defende que a eliminação ou modulação de determinadas estruturas poderá estimular a formação de novos neurónios nas regiões afetadas.
A investigação decorre em duas fases. A primeira usa modelos celulares para identificar fatores associados à dormência. A segunda envolve amostras biológicas de pessoas com Alzheimer, para validar esses fatores como potenciais biomarcadores de dano neuronal precoce.
O objetivo passa pela criação futura de uma ferramenta de monitorização e diagnóstico precoce, embora a equipa reconheça a distância entre a ciência básica e a aplicação clínica.
O projeto integra o Grupo de Neurogénese, liderado por Inês Araújo, e envolve Sónia Simão, Hipólito Nzwalo, Rafaela Agostinho e Antonio Martinez-Ruiz.
A equipa sublinha que «a ciência deve ser um processo coletivo» e incentiva jovens investigadores a confiarem nas suas ideias. Deixa ainda uma mensagem de esperança às famílias afetadas pela doença de Alzheimer.