A poucos dias do final da temporada, agendado para 26 de novembro, o parque Zoomarine, na Guia, não irá descurar os cuidados com os muitos animais que ali habitam. Alguns, já mais idosos, encontram também aqui um porto seguro. É o caso de Eddy, uma foca-comum que está a ser auscultada com cuidado, durante a reportagem do «barlavento». Os seus batimentos cardíacos e respiração estão normais. De seguida, os treinadores hidratam-no com água através de uma sonda, uma vez que os animais mais velhos devem aumentar a quantidade de água ingerida para manterem uma boa saúde renal. Este é um dos vários tratamentos de medicina preventiva aplicada aos mais de 30 animais geriátricos existentes no parque temático.
«Quando falamos de geriatria falamos em duas vertentes: de treino e da componente médico-veterinária. Temos de treiná-los para que os veterinários os consigam observar e tratar de uma forma mais eficiente e confortável para o indivíduo. Se por exemplo, detetamos uma anemia ou problema renal temos de intervir e o animal deve estar treinado para aceitar e colaborar com essa intervenção», explica Lucie Palma, treinadora de primeira categoria e responsável pelo departamento de pinípedes, grupo de mamíferos aquáticos, que inclui as focas, os leões-marinhos, os lobos-marinhos e as morsas.

O facto de os animais viverem sob cuidado humano faz com que atinjam idades muito superiores à esperança média de vida no meio selvagem. Por isso, os treinadores deparam-se com novas problemáticas. Como por exemplo cataratas, doenças articulares, perda de massa muscular, problemas renais e perda de audição.
«Estes animais geriátricos precisam de cuidados especiais e o Zoomarine não os descarta! Tenta proporcionar-lhes a melhor qualidade de vida possível». É também o caso de «Matilde», uma foca-cinzenta de 27 anos, que no estado selvagem deveria viver em média 25 anos. «Foi um animal que esteve em risco com várias doenças, não conseguia alimentar-se, e já possuía uma certa cegueira que conseguimos tratar», explica Nuno Urbani, médico veterinário sénior.
Para cada animal é elaborado um plano de saúde semanal. Isto explica em parte a longevidade dos animais do parque. Regra geral, os animais acabam por viver até uma idade avançada. «Muitos deles estão connosco desde a abertura do Zoomarine. A reprodução é um importante indicador de bem-estar animal e a coleção tem vindo a crescer e a renovar-se, especialmente no que toca à família dos golfinhos e dos pinípedes. E se os animais se reproduzem sob cuidado humano, significa que estão bem, confortáveis e que os seus recursos orgânicos estão disponíveis para a reprodução», explica Márcia Neto, chefe de departamento dos mamíferos marinhos.
E a partir de que idade é um animal considerado geriátrico? Depende sobretudo da esperança média de vida de cada espécie. As focas ou leões-marinhos vivem em média 25 anos, enquanto os golfinhos 35 a 40 anos. A Cher, um golfinho de 49 anos, é atualmente o animal mais velho do parque temático. A marca de «golfinho macho mais velho do mundo» pertenceu anteriormente a Sam, também do Zoomarine, que chegou a atingir 51 anos. «Temos esperança que a Cher possa ultrapassar a marca do Sam, pois está em excelente forma física e até ainda participa nas nossas apresentações. E no caso dela, retirá-la da apresentação seria um castigo. Eles gostam e precisam de ser estimulados, é como as pessoas que por vezes reformam-se, param e adoecem», explica Lucie Palma.
Caso pioneiro
O leão-marinho californiano André, com 19 anos, foi caso de estudo há um ano, ao fazer uma cirurgia inovadora e pioneira. Sofria de doença degenerativa articular que lhe afetava a locomoção. «As articulações de um dos cotovelos têm vindo a degenerar-se ao longo da vida, e por isso apresentava uma inflamação local crónica que lhe causava dor», explica Nuno Urbani, médico veterinário sénior.
O objetivo do tratamento passou por anestesiar e aplicar implantes de ouro dentro da articulação, os quais possuem «uma potente capacidade anti-inflamatória». «Através desta técnica tentamos travar a a evolução da doença, proporcionando mais qualidade de vida e reduzindo a medicação. Até agora está a funcionar bem. O animal recuperou rápido, ganhou peso e massa muscular. Foi uma aplicação inovadora e pioneira a nível mundial» explicou Nuno Urbani.
O Zoomarine apresentou inclusive o caso num congresso internacional em Génova, pois «estas conquistas não são válidas apenas aqui. Podem e devem ser partilhadas para melhorar o bem-estar de outros animais noutros sítios». Foi também o que aconteceu há precisamente 11 anos atrás, quando sucedeu «o nascimento do primeiro golfinho do mundo fruto de uma inseminação artificial, por comportamento médico-voluntário» no parque.
Os serviços veterinários do parque dispõem de uma grande panóplia de equipamento médico veterinário como aparelho de raio-x, ecógrafo e ainda de um amplo laboratório de análises.

Carla Flanagan, veterinária responsável pelos serviços veterinários, explica que «a base da medicina preventiva é detetarmos qualquer alteração de saúde numa fase extremamente precoce antes de se agravar». Para isso, conta com uma equipa composta por cinco profissionais: três médicos veterinários e duas enfermeiras veterinárias que trabalharam sete dias por semana, 365 dias por ano.
Esta equipa realiza um plano de medicina preventiva anual, que se subdivide em diversas tarefas de controlo de saúde a realizar ao longo de cada um dois 12 meses do ano, para todos os animais do Zoomarine. «Fazemos recolhas de amostras de sangue, urina e monitorizamos a saúde respiratória. Tentamos fazer citologias semanais e ecografias mensais. Toda a coleção de animais é analisada sem exceção, desde os animais do Delfinarium, Lagoa azul, Enseada, Pinípedes, Aves, Aquário e Porto de Abrigo». Segundo Diogo Rojão, responsável de comunicação, a afluência ao parque acompanhou o bom momento que o turismo atravessa. Também as novas atrações e o facto de a novela da SIC «Paixão» ter o Zoomarine como cenário e personagens baseadas na vida real do parque, contribuíram para um crescimento de visitas que superou a temporada de 2016. As portas voltarão a abrir ao público em março do próximo ano.
Zoomarine planta 5600 árvores em Silves
A Herdade do São Bom Homem, no concelho de Silves, voltará a ser palco da Operação Montanha Verde. Promovida pelo Zoomarine com o apoio da Câmara Municipal de Silves, a iniciativa decorrerá no dia 9 de novembro a partir das 9h00 e irá permitir a plantação de 5600 árvores no local.
No total serão plantados 2175 pinheiros-mansos, 1950 sobreiros, 500 medronheiros, 675 ciprestes e 300 piricantas, como medida de compensação pelos incêndios que devastaram Portugal e que tantas famílias afetaram. O município de Silves irá apoiar a iniciativa através da colaboração do Serviço Municipal de Proteção Civil e sapadores florestais, de uma máquinas de rasto, um auto tanque e dois veículos ligeiros de combate a incêndios.
Quem estiver interessado em juntar-se a esta causa poderá dirigir-se diretamente à Herdade do São Bom Homem (GPS Lat. 37.12.29 N; Long. 8.27.7 W), pelas 9h00, ou dirigir-se ao local de concentração junto à entrada do Zoomarine, pelas 8h00 (saída às 8h15), com roupa e calçado confortáveis.
O Zoomarine assegura o transporte de ida e volta (pelas 17h00) ao parque temático, assim como a disponibilização das ferramentas (luvas, pás, enxadas, etc.), as refeições volantes dos voluntários e uma t-shirt aos primeiros 150 voluntários inscritos.
De salientar que, nesta edição, a «Together We Protect» do Zoomarine irá duplicar o número e árvores e os locais de plantio. Para além de Silves, a plantação decorrerá, também, no concelho de Loulé, perfazendo um total de 10.000 árvores a plantar.
As inscrições poderão ser feitas através do email [email protected] ou no facebook do Zoomarine em https://goo.gl/QXqdR7
