O Partido Social Democrata (PSD) e o Bloco de Esquerda (BE) escolheram o Algarve para ser o palco das Jornadas Parlamentares de cada um dos partidos na próxima semana, o que já mereceu críticas de Carlos César, presidente do Partido Socialista (PS), que escolheu Bragança, no interior do país, para a mesma iniciativa.
O deputado socialista eleito pelos Açores Carlos César ironizou a escolha do Algarve para as Jornadas Parlamentares dos outros dois partidos, um dos quais, da «geringonça». Isto porque, o PSD marcou esta iniciativa para Albufeira, a 30 e 31 de maio, enquanto o BE optou por Tavira, a 1 e 2 de junho.
«Podíamos fazer destas jornadas mais uma reunião entre as muitas que fazemos em Lisboa ou até aproveitar esta época do ano com mais sol para ir para locais turísticos, trabalhando aí. Mas queremos insistir em estar no Portugal que mais precisa da atenção política e dos decisores políticos», disse o líder da bancada socialista, no início das Jornadas Parlamentares do PS. Estas foram as palavras que já levaram o deputado algarvio Cristóvão Norte (PSD) a enviar uma nota de repúdio.
O deputado eleito pelo Algarve pelo PSD considera «gravíssimas» as «desconsiderações que os algarvios foram vítimas pelas declarações do presidente do PS Carlos César» e exige «prontas desculpas aos algarvios».
No entender de Cristóvão Norte, Carlos César «produziu declarações ofensivas e atentatórias para todos os algarvios. Ao ridicularizar, a realização de Jornadas Parlamentares do PSD e BE no Algarve, por se «tratar de um destino turístico e, por isso, menos merecedor de atenção política», o deputado açoriano e presidente do PS, «reproduziu os mais toscos e preconceituosos argumentos em relação à região» algarvia.
«Fê-lo tomado pelo clamor da luta política, sem olhar a meios e violando as mais básicas noções de igualdade entre regiões e entre cidadãos», argumentou Cristóvão Norte.
O parlamentar algarvio lamenta as declarações do presidente do PS, que «tem particulares responsabilidades e a exigência de respeito e decência também a si se aplica».
«Que quis vossa excelência insinuar? Que no Algarve não se trabalha? Que os algarvios devem ser objeto de uma qualquer interdição de reconhecimento político, menores e cabisbaixos, face a outros, maiores e supostamente mais importantes, como vezes demais se passou na nossa história? Exijo-lhe, por isso, como representante dos algarvios, que tome consciência do seu gesto, se redima e dirija um público pedido de desculpas aos algarvios e que o mesmo venha acompanhado pelos restantes deputados do PS eleitos pelo Algarve, os quais, estou certo, jamais se poderiam reconhecer em tamanha aleivosia», conclui o documento.
A verdade é que, conforme o «barlavento» noticiou ontem, 25 de maio, na edição impressa, há quase uma década que o Algarve não recebe as Jornadas Parlamentares do PSD, uma das iniciativas políticas mais importantes a seguir ao Congresso Nacional, que reúne todos os deputados social-democratas para dois dias de debate e visitas.
As próximas jornadas serão na região algarvia, no Grande Real Santa Eulália Resort, em Albufeira, a 30 e 31 de maio. Cristóvão Norte, deputado social-democrata eleito pelo Algarve, envolvido na organização desta ação política, justificou ao «barlavento» que as jornadas são «muito importantes para o Algarve», seja de que «força política» for. Neste caso, «as do PSD, pelo menos há uma década, que não se realizavam na região», sendo que são promovidas «duas vezes por ano».
O evento fará deslocar à região os deputados social-democratas eleitos pelos diversos círculos eleitorais, incluindo Pedro Passos Coelho, líder do partido.
Ainda com o programa por fechar, Cristóvão Norte adiantou, porém, que a iniciativa «começa na manhã de terça-feira com visitas dos deputados aos concelhos algarvios, contactando com as pessoas». Isto é, os parlamentares serão divididos em grupos consoante o tema a tratar em cada concelho, havendo uma tentativa de cobrir os 16 municípios.
Após estas visitas, «o objetivo é os deputados do Algarve apresentarem um conjunto de iniciativas legislativas que deem expressão às matérias fundamentais para a região», esclareceu.
As Jornadas Parlamentares, reservadas apenas aos deputados, vão focar assuntos como a agricultura, a floresta, as infraestruturas, a saúde, a economia, a educação, o turismo, o mar e o ambiente, sendo que os conteúdos serão adaptados a cada concelho a visitar.
Serão abordadas questões como «a Estrada Nacional 125, o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a ligação à albufeira do Funcho para os agricultores de Silves, que ainda não está resolvida, a situação dos bivalves da Ria Formosa e Vila Real de Santo António, a desertificação, em particular em Alcoutim», exemplificou.
Se tivesse de eleger um tema central destas jornadas, Cristóvão Norte colocaria a saúde em primeiro lugar da lista de opções. «Em princípio será a saúde, porque o que se vê é que, neste momento, há menos dinheiro, piores indicadores e não se consegue inverter a tendência. Também há um impasse tremendo no Algarve em relação às opções fundamentais da saúde», considerou.
Nada que, aliás, seja inédito, até porque este foi um dos temas em discussão nas últimas jornadas no Algarve, em 2008, que contaram com a participação de Luís Filipe Menezes, que, na altura, visitou o Laboratório Regional de Saúde Pública e o Hospital Central de Faro. Em 2008, o então líder do PSD visitou as Urgências do Hospital de Faro, reunindo com os responsáveis clínicos e administrativos, onde debateu os problemas que afetavam o «normal funcionamento» daquele serviço.
Na tarde de terça-feira, durante o jantar de 30 de maio, e no dia seguinte, 31 de maio, as jornadas decorrem no hotel Grande Real Santa Eulália Resort, em Albufeira. Uma das tardes e o jantar contará com convidados exteriores ao PSD, revelou Cristóvão Norte, ainda sem divulgar nomes. Mas, por exemplo, na edição das Jornadas Parlamentares, em fevereiro de 2016, que decorreram em Santarém, o partido convidou António Guterres, assinalou o deputado.