Não há animais amestrados, apenas a perícia dos artistas em números de trapézio, trampolins e equilíbrios instáveis. Madalena Victorino e Giacomo Scalisi, responsáveis pela direção artística e programação do projeto «Lavrar o Mar – as artes no alto da serra e na costa vicentina» explicam a escolha deste evento.
«É um espetáculo que cria uma atmosfera muito festiva para toda a família, pois junta música e acrobacias e tem uma vertente muito participativa do público. Outro aspeto importante é que esta companhia vem de uma pequena aldeia no centro de França. São um grupo de artistas que se reuniram numa localidade que estava sem vida. A sua chegada trouxe uma nova força e uma nova energia. Isto é interessante, porque como estamos a trabalhar em Aljezur e Monchique, também localidades pequenas, pensamos que há uma ligação com esta ruralidade e com estes territórios mais isolados. Por outro lado, esta data, na passagem de ano é simbólica, pois representa algo que termina para dar início a uma coisa nova», justifica Giacomo Scalisi ao «barlavento».
Em 2004, assim que terminou os estudos no Centro Nacional de Artes de Circo de Chalons en Champagne, considerada uma das melhores escolas do mundo, um grupo de criativos fundou a companhia Cheptel Aleïkoum, Circa Tsuïca em Saint-Agil, de apenas 280 habitantes.
Por isso, Madalena Victorino sublinha que «não é uma indústria. É uma fanfarra, com uma predileção pelo uso da bicicleta acrobática. Isso dá aos espetáculos um tom de festa de aldeia, de algo que está muito próximo das pessoas».
A logística colocou alguns desafios técnicos à produção. Trazer a tenda da companhia de França até Monchique seria muito dispendioso, por isso foi necessário arranjar um alternativa. «Encontrámos uma família de circo tradicional que nos vem montar uma tenda de 28 por 27 metros e 670 m2 de área» que começa a ser erguida dia 26 de dezembro. «Acho que nunca ninguém montou uma tenda tão grande no centro de Monchique. É inédito», sublinha Giacomo Scalisi, além da pista e da bancada para 400 espetadores. No total, contando com o elenco, estarão envolvidas 25 pessoas no espetáculo.
E ainda há mais. Durante alguns momentos, serão servidos crepes ao público e, no final, a organização convidou a população local a confecionar e vender um típico «Mort-Porc» de Monchique com café, filhoses e medronho. Na noite de passagem de ano, a companhia francesa está a preparar uma surpresa especial para todos os presentes.
Questionado acerca deste evento, Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, sublinhou que, «cada vez mais, os municípios vêm assumindo responsabilidades e competências. Uma das que assumi desde logo, é a de formar públicos. Entendo que devemos proporcionar experiências e vivências diferenciadas em termos artísticos e culturais à população, de forma a contribuir também para o seu crescimento e enriquecimento cultural».
O autarca diz ainda que «a parceria agora criada com a Madalena Victorino e o Giacomo Scalisi, é a cereja em cima do bolo, pois o tipo de trabalho que realizam e que estão a organizar neste âmbito, suscita a participação e a envolvência dos locais, o que torna um espetáculo em muito mais do que umas horas de animação».
Rui André nota «que este será um atrativo especial, não só para os residentes mas também para todos aqueles que escolhem a região para passar o ano e buscam eventos para toda a família, num ambiente descontraído, mas muito festivo e longe das confusões do litoral».
«Lavrar o Mar» supera as expetativas
«Lavrar o Mar – as artes no alto da serra e na costa vicentina» integra o programa «365 Algarve» é um projeto cultural da coreógrafa Madalena Victorino e do programador e diretor artístico Giacomo Scalisi, para Aljezur, Monchique e Odemira. Arrancou na passada quinta-feira, 24 de novembro, em Aljezur com o teatro culinário «Peep & Eat» (Espreitar & Comer), pela companhia belga Laika. Todos os espetáculos lotaram e procura foi tanta que foi marcada uma noite extra em Monchique. «Estamos radiantes com o resultado, porque as pessoas estão a dar um retorno altamente positivo. Estão contentes e desejosas que haja mais propostas para poderem vir e participar», considera Madalena Victorino. «Apanhámos a boleia do Festival da Batata-doce e funcionou muito bem».
Em Aljezur, houve até público que se voluntariou para lavar a loiça e ajudar nos bastidores, o que «proporcionou um momento espontâneo de partilha e de encontro com os artistas». Para Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique o «Lavrar o Mar» constitui «uma mais-valia para o território onde se está a instalar, na medida em que pretende despertar as comunidades para um tipo de espetáculo diferente daquele a que estão habituados. Temos que continuar a criar valor nos territórios, principalmente estes de baixa densidade, de forma a que possam também eles ser um complemento à tradicional oferta da região. Monchique tem feito um esforço grande nesse sentido, com a organização de quatro produtos turísticos fortes, em que o cultural assume uma particular atenção que agora se reforça com estas iniciativas que acolhemos com muita satisfação».
Todos os caminhos vão dar ao heliporto
O espetáculo «Maintenant ou Jamais/ Agora ou nunca» decorre a 29, 30 e 31 de dezembro na tenda de circo montada no Heliporto de Monchique, sempre às 21h00. A bilheteira abre no local duas horas antes do início do espetáculo. Os bilhetes custam 5 euros (adultos) e 2,5 euros (crianças até aos 12 anos) e também podem ser adquiridos na Internet, na plataforma BOL. Apesar de ser para maiores de 6 anos, crianças a partir dos 3 anos poderão ser admitidas mediante aviso prévio da organização através dos contactos 913 943 034 e [email protected]


