barlavento: Que entidades ou pessoas serão homenageadas na sessão solene do Dia da Cidade?
Isilda Gomes: De facto procedemos à reformulação do Regulamento das Medalhas e Distinções Honoríficas do Município de Portimão de forma a contemplar a participação de cidadãos e da própria Assembleia Municipal no processo de atribuição das distinções municipais. Este ano serão distinguidos oito cidadãos e cinco instituições. Luís Costa, atleta para-olímpico, o Instituto de Cultura de Portimão, universidade sénior e associação cultural, a Caritas Paroquial Matriz Portimão, a Associação de Voluntariado «Elos de Esperança» e a Associação dos Amigos do Canil de Portimão serão distinguidos com a medalha de mérito municipal grau bronze. Por outro lado, com a medalha de mérito municipal grau prata serão agraciados Vítor Vaz Pinto, comandante operacional de Agrupamento do Algarve da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Nuno Vieira, médico e dirigente associativo, Teresa Balté, poetisa, autora de literatura infantil e filantropa e Álvaro Faustino, empresário da restauração (dono da «A Cozinha») e filantropo. O futebolista e campeão europeu João Moutinho, o médico e voluntário José Gaspar Torres Matias, o Hotel Penina e o advogado e autarca Francisco Florêncio (a título póstumo) serão distinguidos com a medalha de mérito municipal grau ouro.
Na sessão solene, em anos anteriores, tem sido dada voz aos jovens, aos imigrantes. Este ano haverá algo neste âmbito ou será mais direcionada para a questão da cultura com a apresentação da biografia de Manuel Teixeira Gomes?
O programa de atividades que apresentamos e que ainda vai decorrer até ao dia 12 de dezembro, pretende ser um espelho do pulsar de uma comunidade, que há 40 anos elegeu os seus primeiros autarcas, efeméride que nestas comemorações também será assinalada através de uma cerimónia de homenagem aos autarcas portimonenses, justamente no dia 12 de dezembro. Amanhã dia 9, sexta-feira, iremos proceder à apresentação dos principais eventos para o primeiro semestre de 2017, com especial incidência à apresentação pública do programa «365 Algarve» em Portimão e de grandes manifestações desportivas como o Grande Prémio de Portugal de Motonáutica e o Campeonato do Mundo de Ginástica Rítmica. Dia 10, a inauguração da Exposição da XVI Corrida Fotográfica de Portimão e a 2ª Mostra de Cinema Independente de Portimão- CIP2. O dia 11, Dia da Cidade, ficará marcado pela inauguração da Placa Toponímica «Avenida Francisco Florêncio», numa homenagem a título póstumo ao presidente da Assembleia Municipal de Portimão, falecido em abril de 2015. Um dos pontos altos do dia será também na Sessão Solene, onde decorrerá uma apresentação da biografia do mais ilustre filho desta terra, justamente o Presidente da República que, em 11 de dezembro de 1924, assinou o despacho que elevou Portimão à categoria de cidade: Manuel Teixeira Gomes. No ano em que se cumpre os 75 anos da sua morte, edita-se uma obra, que teve o alto patrocínio da Presidência da República, e cujo autor, o historiador José Alberto Quaresma, soube aliar ao rigor científico de uma investigação sobre a vida e obra de Manuel Teixeira Gomes, um tom coloquial de uma prosa que cativa a nossa leitura.
Há algo previsto para dinamizar o comércio tradicional na zona do centro de Portimão?
Desde logo vamos melhorar a iluminação que tradicionalmente assinala a época natalícia. É um investimento de cerca de 20 mil euros. No orçamento para 2017, que ainda não foi aprovado pela Assembleia Municipal, está previsto um projeto que julgo poder fazer a diferença, o sombreamento da Rua do Comércio. Estamos nesta fase muito empenhados para dar uma nova vida à zona mais antiga da cidade e dou-lhe dois exemplos que podem e devem ser multiplicados: a deslocalização da escola de hotelaria para a antiga cadeia e a requalificação do edifício Mabor com uma importante vertente comercial. Ou seja, temos de ter a capacidade para atrair vida para o centro da cidade o que se faz com atração de investimento privado e uma política bem definida no que diz respeito à Área de Reabilitação Urbana (ARU). Destaco ainda três projetos que pretendemos fazer avançar já em 2017, nomeadamente as reabilitações do Largo 1 de Dezembro, Largo da Igreja Matriz e do Edifício da Antiga Lota.
Apesar da situação financeira, Portimão tem conseguido manter a oferta cultural, desportiva e o apoio social. Tem havido um esforço da Câmara e associações para manter a cidade viva?
436. Sabe que número é este? É o número de atletas que no âmbito das festividades do Dia da Cidade, foram distinguidos pela Câmara Municipal na Gala dos Campeões Portimonenses. Quer melhor indicador da dinâmica do nosso movimento associativo, sobretudo considerando que nas últimas épocas foram os clubes e os pais que foram chamados a substituírem a autarquia, nomeadamente assegurando um conjunto de despesas que antes a Câmara Municipal garantia. Este é um exemplo, mas multiplicam-se outros, nas mais diversas áreas e que muito nos orgulham. Veja-se o exemplo das Marchas Populares, das Associações de Intervenção Social ao nível do voluntariado. Não posso deixar de referir as associações de índole cultural que promoveram um conjunto de atividades ou eventos diversificados em parceria com a autarquia, assim como também as próprias escolas do município, e que permitiram que o pulsar da cidade se mantivesse. No entanto, quero aproveitar esta oportunidade para tornar público que já em 2017 iremos contratualizar com o movimento associativo apoios financeiros para o desenvolvimento das diversas atividades que prosseguem. Não será muito, mas sei que será bem empregue.
As últimas notícias dão conta de que o ministro da Saúde terá já tomado decisões em relação ao CHA. Poderá adiantar alguma informação sobre esta questão, visto que tem sido a sua grande batalha?
A opção do governo PSD/CDS de juntar os dois hospitais sem acautelar a qualidade da prestação de cuidados foi um erro gravíssimo que demorará muito tempo a ser resolvido. Se em Faro esta solução até pode ter resolvido algumas situações, em Portimão só veio agravar os problemas do hospital. Olharam para o Algarve sem olhar para o desenho da região. Imaginem que o Algarve é o país, era como se se tivesse concentrado os meios no Porto desinvestindo em Lisboa com a justificação de que com a A1 de Lisboa ao Porto são só 3 horas! Ninguém aceitaria isto! Esqueceram-se que de Aljezur a Faro, no verão, a viagem pode durar mais do que uma hora e meia. Lidamos hoje com as consequências das opções do passado. Quando na devida altura alertei para as consequências da criação do CHA fui violentamente atacada pelo PSD e pelo CDS que deram cobertura a este modelo. Assistimos a um êxodo sem precedentes de médicos e da parte do PSD e do CDS a única coisa que ouvimos foi silêncio. Hoje, passado um ano de governação do PS, creio que a avaliação do atual modelo está feita e que estão reunidas as condições para se tomar as decisões que se impõem, mas como deve imaginar não me vou substituir ao senhor ministro.
A última Assembleia Municipal, no dia 30, discutiu o Estado de Portimão. A que conclusões chegaram nessa reunião extraordinária e qual a importância deste debate?
Parece-me que foi feita uma radiografia correta do «estado do município». Tive a oportunidade de discutir com os senhores deputados municipais um conjunto importante de indicadores que demonstram o rigor que conseguimos imprimir na gestão da autarquia. Estes três anos foram muito focados no problema do endividamento, tivemos os melhores resultados líquidos de sempre o que permitiu aprovar uma solução de longo prazo. Neste momento, começamos a estar em condições de devolver aos portimonenses, por via do investimento público, o esforço que fizeram ao longo deste período. Devo dizer que o que me surpreendeu mais ao longo deste tempo foi a compreensão que as pessoas foram demonstrando para com as dificuldades que a autarquia vivia.
Apresentou alguns projetos para 2017 nessa Assembleia Municipal, além da gare e do cemitério?
Não existem projetos megalómanos de construção de viadutos ou novas travessias do Rio Arade. O que existe é uma necessidade de retomarmos um plano de investimentos coerente e continuado ao nível da rede viária, ao nível dos espaços verdes ou até na manutenção das escolas, temos de ter consciência que, nos últimos anos, o espaço público se degradou e que é preciso recuperá-lo. Conseguimos evitar o fecho da Quinta Pedagógica, mas não conseguimos evitar que se degradasse e isto aplica-se a todos os equipamentos municipais. Essa tem de ser a nossa grande prioridade. Devolver brilho à nossa cidade. Como projetos estruturantes temos a gare rodoviária e o cemitério. Em pleno século XXI ninguém percebe que, para se apanhar um autocarro, se tenha de ficar à chuva ou à torreira do sol, como também ninguém compreenderá que não exista um local condigno, onde os seus entes queridos possam repousar em paz. Relativamente ao cemitério espero ter terminados todos os estudos e projetos antes do final do mandato para que quem vier possa iniciar a obra sem mais demoras. O atual cemitério já passou em muito o seu prazo de validade, estando esgotadas quaisquer soluções que permitam prolongar a sua vida útil.
Já definiu o programa para a passagem de ano?
Além do tradicional fogo-de-artifício, de maiores dimensões, na Praia da Rocha, e nas zonas ribeirinhas de Portimão e Alvor, que este ano será reforçado em duração, destaco um concerto com música brasileira, pelo «Pau de Arara», de entrada livre, na Zona Ribeirinha de Portimão, das 23 às 2 horas, para brindarmos 2017 com um pezinho de dança.
Termino com a pergunta da praxe… Já há decisão em relação a uma eventual recandidatura da sua parte?
Não, não há. Estou neste momento focada em resolver os problemas urgentes com que se debate o nosso município. Não ignoro os apelos de quem comigo se cruza na rua, dos dirigentes associativos com quem vou falando ou mesmo dos investidores que recebo. No entanto, existe um momento para tudo e este ainda não é o momento para falarmos das próximas eleições. Este tem sido um período da minha vida extremamente gratificante, mas também muito duro.
«Restaurada a normalidade»
Numa altura em que o município comemora mais um Dia da Cidade, Isilda Gomes não esconde que muitos foram os desafios a ultrapassar até este ponto do mandato. «De facto, muito se passou. Começámos pelo desafio de não fechar a porta de alguns dos principais equipamentos e serviços. Depois, foi o de não despedir funcionários, simultaneamente, começámos a pagar a dívida antiga, sobretudo a pequenas e médias empresas, injetando dinheiro na economia local e recuperando a confiança de credores e fornecedores, não esquecendo ainda o enorme desafio que foi o processo FAM. Ao fim deste tempo o desafio é agora o de investir, retribuindo e respondendo às justas aspirações dos cidadãos desta terra. Em síntese, andamos a resolver problemas para poder restaurar a normalidade em Portimão», sublinhou ao «barlavento».
Parceria com programa «365 Algarve» complementa oferta cultural de Portimão
Para Isilda Gomes, o programa «365 Algarve» constitui «uma parte importante da programação cultural mais geral do município para o ano de 2017 que visa proporcionar, quer aos portimonenses, quer aos visitantes, um conjunto de espetáculos e exposições de qualidade nos equipamentos municipais, com particular incidência no Teatro Municipal de Portimão (TEMPO) e no Museu de Portimão, recolocando, assim, o concelho no circuito nacional da programação artística».
Além de uma comparticipação financeira, o município disponibiliza os equipamentos referidos e os requisitos técnicos e humanos necessários, bem como plataformas para a divulgação dos eventos ao programa «365 Algarve». De acordo com a autarca, «no que respeita a Portimão, privilegia a música erudita, com um conjunto de outros espetáculos de outras expressões, designadamente de dança contemporânea e de teatro, sem esquecer, claro está, a cultura que se faz na cidade e que, também terá momentos de apresentação durante o ano de 2017».
«Não querendo ser injusta nos destaques, o 1º Festival de Piano do Algarve que transporta até ao palco do TEMPO alguns dos nomes mais sonantes do panorama do piano português, ou ainda, no mesmo palco, o espetáculo de dança contemporânea pela Companhia de Olga Roriz e o espetáculo comemorativo dos 40 anos da Companhia Nacional de Bailado. Ainda no âmbito do Algarve 365, destaco o Ciclo de Arte e Gastronomia agendado para o Museu de Portimão, onde chefs como Fernando Agrasar del Rio, Hans Neuer ou Francisco Siopa prometem surpreender com as suas iguarias». A autarca destaca ainda eventos como o Grande Prémio de Portugal de Motonáutica e o Campeonato do Mundo de Ginástica Rítmica, o Histórias com História, o Festival Internacional de Percussão de Portimão, e também espetáculos de criadores e associações locais como o Adágio, a pianista Laura Quaresma ou a II Mostra de Teatro Escolar. O Portimão Arena irá acolher de novo o Start Work – Mostra de Empreendedorismo, e a Mar Algarve Expo.
Momentos determinantes
Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão lembrou ainda «momentos determinantes» na história recente da cidade. «Apraz registar termos visto o Tribunal de Contas visar o nosso plano para resolver o grande problema da dívida, o vulgarmente chamado de FAM, sem qualquer tipo de reservas, foi e é uma grande vitória», sublinho. Mas, «temos a perfeita consciência que estas grandes vitórias só foram possíveis pelas pequenas vitórias que fomos conseguindo com exigência e rigor na atuação autárquica. Termos cumprido escrupulosamente o plano de pagamentos que permitiu acabar a obra do Pavilhão Gimnodesportivo, a redução em 3200 dias do prazo médio de pagamentos, a redução do passivo em 26,1 milhões de euros, e termos atingido o melhor resultado financeiro da história do município foram também importantes vitórias», disse a autarca. Por fim, «a reestruturação do sector público empresarial, a manutenção da prestação de serviços e equipamentos, assim como das atividades municipais, a aprovação do Plano de Ajustamento Municipal e da Assistência Financeira são, sinteticamente, as grandes vitórias, que me apraz realçar».