Durante mais de onze anos, a equipa do Hóquei Clube de Portimão treinou ao ar livre, na Quinta do Amparo, sendo os jogos disputados em Lagos ou Boliqueime devido à falta de um espaço fechado apropriado, na cidade que lhe dá o nome.
A 25 de abril de 2011, o clube foi autorizado a usar o pavilhão municipal dos Montes de Alvor, onde continua a treinar. Conta com menos de uma centena de sócios com as quotas em dia e recebe muito poucos patrocínios. Contudo, as dificuldades financeiras não conseguem travar o entusiasmo, alegria e o espírito de grupo.
O clube já chegou a ter 60 atletas inscritos, mas a falta de treinadores reduziu o grupo a um terço, em 2013. Atualmente, vive-se uma fase de recuperação, sobretudo nos escalões mais jovens. Carlos Resende, treinador e um dos fundadores do Clube, é a mola real desta engrenagem desportiva.
«O ano passado, ganhámos o campeonato regional de sub-13, a Taça sub-15, a Super Taça e fomos à final da Taça Inter-Regiões. Foi a primeira vez que uma equipa a sul do Tejo chegou à final. Este ano, fomos campeões regionais de sub-15. Foi muito bom, em termos de títulos, nas duas últimas épocas», explicou ao «barlavento».
Refira-se que a equipa de sub-15 sagrou-se campeã regional (sul do Tejo), obtendo 51 pontos em 54 possíveis, com resultados e um goal average extraordinários. Um exemplo recente é a vitória ao Boliqueime por 19-1, no último jogo disputado.
Em breve, o clube vai iniciar a competição a nível nacional. Quase todos os elementos da equipa, alguns com apenas 13 anos, jogam também em sub-17. Questionado sobre como é que um clube com tão poucos apoios e uma estrutura mínima consegue tais resultados, o treinador responde com clareza. «Com muito trabalho e com os sacrifícios de toda a gente envolvida.
Principalmente, graças ao esforço dos atletas, ao saber-estar, à competência. Somos dos poucos clubes que pagam para treinar. Temos alguns jogadores de muito alto gabarito, mas a equipa vale pelo seu todo, pelo conjunto e entreajuda, estando acima das individualidades. Para mim, todos têm valor».
A equipa aponta Ricardo Fernandes, 14 anos, como o melhor jogador. De facto, é um avançado muito talentoso e o melhor marcador, com o sonho de vir a jogar numa grande equipa, desejo partilhado pela maioria dos colegas. A nível defensivo, o destaque vai para João Correia, 14 anos, que também é um excelente rematador de meia-distância.
A ex-atleta do Roller Clube de Lagos, Anna Andrus, 14 anos, de nacionalidade ucraniana, também se destaca na defesa e quer evoluir para ser profissional. Emanuel Pinheiro, 14 anos, guarda-redes titular, gostaria de ver-se um dia a jogar no Sporting Clube de Portugal. David Almeida, de apenas 13 anos, já mostra potencial e marcou seis golos no último jogo.
Cristiano Bulat, 13 anos, é um dos elementos que fizeram parte da equipa de sub-13 que foi campeã no ano passado. Tal como Isaac Pontes, da mesma idade, «levou a equipa de sub-13 ao colo», graças ao seu elevado porte físico. Alexandre Dias, também de 13 anos, evoluiu bastante desde o ano passado, em sub-13.
Andreia Figueiredo, apenas com 11 anos de idade e um mês na equipa, é a guarda-redes suplente, mas joga sempre uns minutos e defende, embora nos confidencie que ainda tem receio das bolas. Finalmente, Vilma Pinheiro, 13 anos, é o exemplo do sacrifício pessoal pela equipa.
Embora não seja guarda-redes, equipou-se como tal e foi para o banco, durante toda a época passada e a presente, sabendo de antemão que não jogaria. Isto porque a Federação obriga as equipas a terem dois guarda-redes presentes nos jogos. O Hóquei Clube de Portimão só tinha um. A chegada da Andreia resolveu o problema, mas a Vilma terá agora de encontrar o ritmo como jogadora de campo.
A equipa tem seis jogadores no primeiro ano em sub-15 e quatro no segundo ano. Estes números são a garantia de continuidade e desejamos a toda a equipa – dirigentes, treinadores e atletas – as maiores venturas nos nacionais deste ano e um futuro igual ao presente, ou melhor.