O arranque da construção da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira, junto ao rio Arade, poderá estar para breve, caso não sejam encontrados vestígios arqueológicos que atrasem o cronograma do investimento, há muito aguardado em Portimão.
Numa área elevada, junto à ponte nova de Portimão, na Estrada Nacional 125, já é possível ver as máquinas a limpar o terreno, bem como os técnicos a tirar as medidas e a realizar as marcações para preparar o início dos estudos arqueológicos, como confirmou ao «barlavento» Isabel Soares, vogal executiva da empresa Águas do Algarve SA, responsável pela empreitada.
A responsável acredita que a construção deverá decorrer sem problemas, mas é sempre necessário «fazer antes o levantamento da arqueologia», seguindo-se depois a restante terraplanagem e a construção efetiva da nova ETAR da Companheira.
Esta é uma das obras que beneficiará de uma verba distribuída pela Águas de Portugal, após a negociação de um pacote entre este grupo e o Banco Europeu de Investimento (BEI) para os próximos cinco anos. Serão disponibilizados 800 milhões de euros, sendo uma boa fatia destinada ao Alentejo e Algarve.
Isabel Soares adiantou ainda ao «barlavento» que a verba em questão servirá para financiar a ETAR da Companheira (de resto uma obra esperada há uma dezena de anos), bem como a Estação de Tratamento de Águas Residuais de Faro-Olhão, cujo concurso público para a construção foi publicado em Diário da República em fevereiro de 2015. Estas duas infraestruturas estão orçamentadas em 30 milhões de euros.
No entanto, a fatia destinada ao Algarve servirá ainda para «resolver outras questões, como a reabilitação de algumas infraestruturas mais pequenas, requalificações de outras estações de tratamento, manutenção de espaços» e redes de abastecimento de água.
Um dos exemplos apontados por Isabel Soares, vogal na empresa Águas do Algarve SA, é, ainda em Portimão, o «túnel de saneamento, que corre até à zona da Praia do Vau». Embora seja da Câmara de Portimão, existe um contrato de concessão a vigorar desde 1995, que funciona como um arrendamento que atribui a responsabilidade de manutenção à empresa de distribuição de água no Algarve.
«É uma zona muito problemática, com um histórico de diversas roturas», sendo, por isso, necessária a intervenção. O presidente das Águas de Portugal, Afonso Lobato de Faria, reuniu-se com o Banco Europeu de Investimento para negociar esse pacote de 800 milhões de euros, a cinco anos, para o grupo, como anunciou durante a última audição na comissão de ambiente, no Parlamento, que tinha como tema a reestruturação das águas em Portugal. O financiamento vai servir para construir as ETAR algarvias de Faro-Olhão e de Portimão, mas também outros projetos no Alentejo, adiantou, garantindo que o «grupo tem capacidade financeira».
Eliminação de odores na ETAR
A Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira, em Portimão, é um projeto ambicionado pela população, pelo menos pela esperança de acabar com os maus odores, acentuados durante a baixa-mar.
Aliás, a explicação para esta situação, está disponível no website da Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP).
Na plataforma online, a empresa explica que a atual ETAR, que se situa próximo de onde a nova infraestrutura será construída, tem características de tratamento que, durante a primeira fase do processo, provocam esta agressão olfativa.
As duas lagoas de estabilização anaeróbias existentes, com ausência de oxigénio, acumulam águas residuais com «matérias responsáveis por tais odores tão desagradáveis».
A EMARP afirma que a solução consiste na instalação de arejadores superficiais nas duas lagoas, para introduzir «ar numa camada superficial do líquido» favorecendo a oxidação de compostos voláteis que se libertam para a atmosfera.