Não há muito tempo escrevi umas linhas sobre a falta de funcionários nas escolas públicas, o quanto isso afeta o dia a dia dos alunos, professores e mesmo dos sobrecarregados auxiliares. Sublinhei o quanto é extenuante a preocupação constante com que alguns encarregados de educação passam os seus dias, sabendo que os seus filhos estão na escola sem vigilância adequada, sem alguém a olhar por eles.
Noutro artigo de opinião, escrevi que no início do presente ano letivo 2015/16, foi anunciado pelo anterior governo a contratação de 2 822 novos funcionários para as escolas. Foi uma notícia eleitoralista e decerto que se revelou insuficiente para as necessidades reais das escolas.
Na altura, estava em vigor o horário de 40 horas semanais de trabalho, estando agora em discussão no Parlamento a redução para 35 horas, o que torna mais preocupante e difícil para toda a comunidade escolar. Toda a esquerda portuguesa junta vai votar para a clara, e inequívoca aprovação da redução do horário de trabalho para os funcionários públicos.
Eu não discordo da medida em si. Até a posso considerar legítima. Mas tem de ser acompanhada por um aumento na possibilidade de contratação por parte das escolas, e por um aumento dos recursos humanos disponíveis. Talvez com a criação de uma bolsa de funcionários auxiliares, criada e pensada para servir as necessidades das escolas.
Decerto, que desta forma, podemos vir a ter como auxiliares, cidadãos sem formação adequada e sem o devido perfil. Nem todos servirão, é verdade, mas tenho a certeza que ainda temos muitos portugueses desempregados com perfil adequado para trabalhar com, e junto das crianças.
E, pouco ou nada se leu de relevante quanto à imprescindível formação dos funcionários, um assunto que parece estar a ser dada pouca importância, mas que vai fazer toda a diferença na vivência diária.
A escassez de recursos humanos é uma das principais preocupações que os diretores das escolas têm. Muitos, já passam por este constrangimento porque, em várias das autarquias portuguesas, a semana das 35 horas semanais já é uma realidade.
Mesmo que na sua maioria, as escolas consigam superar esta alteração com entradas diferenciadas, ficam questões no ar – isso não vai fazer com que haja menor vigilância na escola? De que forma vai afetar a vivência diárias dos nossos educandos?
Garantidamente que vamos ter partes do dia sem vigilância no espaço escolar, em que a papelaria ou mesmo a cantina vão estar fechadas e até em que a portaria vai ter apenas um funcionário, sem a possibilidade de saída do local por uma qualquer razão.
Muitos funcionários das escolas já estão disponíveis além do seu horário e até além das suas funções. Será essa disponibilidade e vontade suficientes para deixar toda a comunidade escolar despreocupada? Infelizmente, não acredito que tal seja possível. Que o nosso governo, e os partidos que o suportam, tenham esta consciência e lutem pela comunidade escolar no seu todo, pela criação de um ambiente que permita o sucesso no estudo, quer a alunos como a professores, e a pais e educadores.
Opinião de João Bárbara