Apesar de ser um processo contínuo, a deglutição é avaliada pelos terapeutas da fala em várias fases, que se agrupam na fase voluntária e na fase involuntária, ambas com várias subfases, consoante a localização por onde o alimento vai passando.
A Disfagia é um sintoma que engloba qualquer dificuldade de deglutição na progressão do bolo alimentar – desde a boca até ao estômago – podendo afetar uma ou mais fases deste processo. A Disfagia compromete a nutrição, a segurança e o conforto durante a alimentação via oral, sendo um constrangimento importante ao nível da qualidade de vida relacionada com a saúde, e com a participação social.
Anatomicamente, a Disfagia divide-se em orofaríngea e esofágica, existindo um número extenso de patologias que as podem provocar: Acidente Vascular Cerebral (AVC), Doença de Parkinson, Esclerose Lateral Amiotrófica, Demências, Diabetes, Paralisia Laríngea.
O envelhecimento, por si só, pode comprometer a deglutição, sobretudo a orofaríngea. Neste caso, manifesta-se sobretudo no início do processo, na manipulação do alimento dentro da boca e na ingestão dos líquidos. Podem observar-se outros sintomas nomeadamente regurgitação do alimento pelo nariz ou pela boca, tosse durante ou imediatamente após a deglutição, alterações na tonalidade da voz.
Na Disfagia esofágica, a dificuldade observa-se sobretudo na ingestão dos alimentos sólidos. Existem algumas estratégias que a pessoa com disfagia, ou o seu cuidador, devem ter em atenção. Isto porque contribuem para diminuir os riscos que lhe estão associados, nomeadamente o engasgamento, a pneumonia aspirativa e, naturalmente, a subnutrição e a desidratação. Nesse sentido, deve ser tido em conta o correto posicionamento durante a alimentação, cabeça na linha média e levemente fletida. Quando beber água ou ingerir um alimento com o qual se engasgue habitualmente, deve ter o cuidado de baixar o queixo antes de engolir e mantê-lo nessa posição até ao final. Deve tentar modificar a consistência dos alimentos tornando-os pastosos com caraterísticas homogéneas. A refeição deve ser um momento sereno, sem demasiados estímulos externos, administrado de forma pausada e permitindo sempre o processo respiratório entre cada deglutição.
Quem alimenta deverá também ter uma postura correta; sentado de frente e de modo centrado, evitando assim lateralizações e/ou extensão da cabeça da pessoa que está a ser alimentada. Deverá ter-se especial cuidado se a pessoa espirrar e/ou tossir, pois são sinais de aspiração laríngea.
Para sinalizar o Dia Mundial da Deglutição que se comemora no próximo sábado, 12 de dezembro, os terapeutas da fala do Hospital Particular do Algarve irão oferecer uma ação de formação para a comunidade em geral, mas igualmente para todos os profissionais interessados. A sessão decorrerá na sala de conferências do Hospital de Alvor entre as 18h00 e as 19 horas. Participe, traga familiares e amigos e sobretudo muitas dúvidas.
Espaço Saúde | Hospital Particular do Algarve