Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) vai lançar, no início de dezembro, concurso para a renovação do serviço de Psiquiatria.
A Unidade de Faro do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) recebeu a visita da Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, na quarta-feira, dia 22 de novembro.
A governante veio ao âmbito de várias reuniões de trabalho que decorreram no Sotavento algarvio e que serviram para avaliar os diversos projetos que beneficiam de fundos europeus geridos na região através do programa CRESC Algarve 2020, cuja execução termina no final do ano.
Durante a apresentação de todos os investimentos realizados no CHUA nos últimos três anos, que ascendem a 28 milhões de euros em equipamento e em infraestruturas, João Ferreira, recém nomeado presidente do Conselho de Administração, anunciou o lançamento do concurso para renovação do Serviço de Psiquiatria de Faro, a ter lugar no dia 6 de dezembro, com um investimento previsto de 2,5 milhões de euros.
Além disso, a 14 de dezembro entrará em funcionamento o novo Centro Oftalmológico em Lagos. «Temos uma lista de espera enorme, com uma idade de espera que já não é justificável. Já estamos a rever os casos, situações com dois ou três anos. Os médicos estão contratados e vamos começar o mais rapidamente possível», assegurou.

Ainda segundo João Ferreira, o Centro Oncológico Regional do Sul (CORS) irá avançar no próximo ano e também o desejado novo Hospital Central do Algarve, no Parque das Cidades, entre Loulé e Faro.
«Espero que avancemos decididamente no plano funcional e no lançamento do concurso internacional do novo Hospital Central do Algarve, de uma enorme dimensão. Não vou fazer promessas, não me cabe a mim. Um dos cometimentos que a tutela me fez quando me convidou a vir trabalhar aqui é que os investimentos que são necessários fazer vão ser contínuos», disse.
Ou seja, «o nascimento do novo hospital não vai impedir que continuemos a investir no Hospital de Portimão, no Hospital de Lagos, nos Centros de Saúde, sobretudo em alguns que é preciso renovar e temos de acelerar esse processo», garantiu.
Referindo-se à sua experiência no mais recente hospital público de Braga, João Ferreira referiu que a nova unidade terá capacidade para «situações agudas de grande complexidade e esperamos que já com cirurgia cardiotorácica».
«Há outras questões que temos de contemplar. uma coisa que nos preocupa a todos é o alojamento dos profissionais que vamos captar. A região do Algarve tem alguma dificuldade neste momento em ter preços aceitáveis» para os salários pagos num hospital público.
«É algo que temos de discutir com as câmaras, ver quais são as melhores soluções. Esta é uma realidade e que pode ser tratada de forma diferente em cada um dos locais», previu.
Sobre o futuro da unidade de Faro, o responsável ambiciona «transformar o espaço com outras valências, certamente de saúde, mas também de investigação», e em «unidades de ensaio. Há várias situações que podem ser utilizadas, sem ser com esta dimensão, acabando com as coisas provisórias, que não farão sentido» continuar.
Até lá, «temos de continuar a investir. Não é o sonho que nós todos queremos que seja realidade, que nos vai impedir no dia a dia de servir quem hoje está doente».
No âmbito do programa CRESC Algarve 2020, que está em execução até final de 2023, o CHUA beneficiou de cerca de 14,5 milhões de euros.
José Apolinário pede mais Investigação e Desenvolvimento (I&D) nos hospitais
Também presente na sessão, José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, agradeceu a Ana Abrunhosa pelo «apoio e a confiança que sempre vos deu para podermos ter alguma autonomia naquilo que é a reivindicação da boa utilização dos fundos europeus para aquilo que é necessário da região».
«Julgo que neste quadro 2020 há três investimentos que nascem de dinâmicas diferentes, mas que se complementam: o Centro de Simulação Clínica na Faculdade de Medicina da Universidade do Algarve e o projeto ABC, em termos de formação, de transferência de conhecimento e todos estes investimentos» no CHUA.
«Fazem sentido do ponto de vista de melhoria das respostas da região em termos de saúde, o que implica também uma articulação entre todas as entidades», reforçou.
«Em muitos casos somos uma região periférica. É preciso corrigir desigualdades regionais e procurar utilizar os fundos em investimentos que tenham repercussão para o futuro. Penso que estes têm um efeito retorno muito, muito significativo em termos da qualidade de saúde e no progresso da região», acrescentou.
Reforçando uma tónica que tem sido presente ao longo do seu mandato, Apolinário voltou a lembrar que «a competitividade das regiões implica também investimento em ciência e conhecimento. O nosso investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) é abaixo de 0,48 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) gerado na região. Temos uma economia muito especializada no turismo, e bem, mas a diversificação não se faz por estalar de dedos, é um processo contínuo. Apesar de tudo, também nos hospitais é possível mais investimento em I&D, em articulação com a Universidade, porque isso vai ter um efeito na qualificação do território e no aumento da nossa competitividade», sobretudo na área da saúde, «onde estamos abaixo do resto do país».
Abrunhosa despede-se com mensagem para o Algarve
Em tom de despedida e deixando claro um afeto pelo Algarve, Ana Abrunhosa também voltou a insistir no apelo à união das vontades. Começou por deixar uma palavra de «gratidão àqueles que tornaram possível estes investimentos» e também à CCDR «por dedicar uma parte importante das verbas dos fundos europeus para uma área que é fundamental para a qualidade de vida dos territórios».
«A ciência, a investigação, a formação com novos métodos, com equipamentos inovadores na prática clínica é um triângulo virtuoso que permite aos profissionais terem carreiras mais aliciantes. Permite atrair novos profissionais e permite que aqueles que se formam aqui queiram cá ficar e tornar este centro hospitalar, a universidade e os centros de investigação muito mais atrativos para o talento», disse.
«Enquanto governante que tem tido até agora a responsabilidade do desenvolvimento regional, quero dizer-vos que a importância de criarmos aqui um ecossistema ligado à saúde, não só na prática clínica, mas na formação, na investigação que estejam todos ligados»
Lembrou ainda que «o Algarve, viveu uma crise recente que nos afetou muito e que resulta de uma monoespecialização. O turismo é muito importante, mas temos de diversificar outras atividades económicas».
«Os governos e os governantes vão e vêm. O que é determinante são as vontades dos atores do território. E se estiverem resolutos, comprometidos e unidos, nesta missão, seja qual for o governo, quem determina o caminho é região. É esta palavra que gostava de vos deixar: não deixem ninguém vos dizer qual o caminho que querem fazer na vossa região. Nem qual é o tipo de cuidados de saúde de proximidade que querem. Não deixem. Isso depende muito da forma unida como trabalham. Não trabalhem por silos porque ficam todos mais frágeis», recomendou.
«Venho muitas vezes ao Algarve, pessoalmente e profissionalmente, e quero deixar ao novo conselho de administração as maiores felicidades. À Universidade que continue o trabalho de fazer pontes na região, aos centros de investigação que não esqueçam que a missão não é só investigar, mas também fazer a translação para a prática clínica para o empreendedorismo que pode existir nestes territórios. E dizer-vos que o caminho tem de depender de vós, não pode depender da cor política nem dos governantes que estão a dirigir o país. Naturalmente que são importantes, mas o destino tem de estar nas vossas mãos. E se estiverem unidos e determinados no caminho que querem fazer, que é servir as pessoas e prestar serviços públicos de qualidade, tenho a certeza que teremos uma região muito mais desenvolvida».
Abrunhosa falou com autoridade, pois «se há algo que fizemos, foi tirar decisões do governo e passá-las para os municípios e para as CCDR. Estive muito envolvida neste processo da descentralização e de aumento de poder das regiões, porque acredito que esse é que é o caminho do desenvolvimento dos territórios. Ficamos menos dependentes das decisões de um determinado Ministério. Obriguem os governantes a trabalhar em conjunto. Bem hajam pelo caminho que têm feito, que não é fácil, não desistam. Vale a pena acreditar no nosso país e não desistam de reivindicar melhores condições. Façam-no».
Nesta sessão estiveram ainda presentes José Almeida, diretor clínico do CHUA, Mariana Santos, enfermeira diretora do CHUA, Paulo Neves, vogal executivo do CHUA, Pedro Castelo Branco, presidente do AD-ABC e Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve.




