A abertura de uma piscina exótica, inspirada numa praia da Cidade do Cabo, em junho, é uma das novidades para o verão de 2017, no parque que já é uma das maiores atrações turísticas do concelho de Lagos. De um lado, haverá 20 pinguins africanos, cedidos por um zoo inglês. Do outro, estarão os humanos. Uma parede em vidro permitirá uma interação relativa, mesmo debaixo de água. Serão criadas correntes em ambos os lados, para que ambas as espécies possam nadar contra a corrente. O acesso a esta facilidade terá um pequeno custo, do qual uma parte reverterá a favor do projeto de conservação desta espécie originária na África do Sul. Quem desejar apenas ver os pinguins, pode fazê-lo livremente, como faz com qualquer outro animal.
«Vai ser algo diferente e, ao mesmo tempo, resolve uma lacuna que experimentávamos, no verão: a falta de água para lazer dos muitos visitantes que nos procuram e que desejam prolongar a sua estada no parque, com um abrigo para as horas de maior calor». Quem o diz é Paulo Figueiras, mentor e diretor deste parque zoológico que já prevê a criação de «savana africana», dentro de dois anos, com girafas, zebras e leões.
Paulo Figueiras abriu o Parque Zoológico de Lagos, em 2000, com 36 anos de idade, na zona de Barão de São João. Foi o culminar de um projeto amadurecido aos poucos, e quatro anos de construção, perseguindo um sonho de criança.
Hoje, vivem aqui cerca de 140 espécies espalhadas pelos três hectares de terreno, onde «tentamos naturalizar ao máximo os espaços que os animais ocupam, para que sejam felizes. Seguimos o novo conceito zoológico baseado no enriquecimento ambiental, muito importante para a melhoria substancial da sua vida, evitando o stress», explica ao «barlavento».
Exemplos visíveis são a abolição de barreiras visuais, sessões de enriquecimento de acordo com as épocas do ano, que podem passar por esconder o alimento dos felinos em locais de difícil acesso, no topo das árvores, para que experimentem novas situações, ou distribuir gelados pelos primatas, no verão.
Segundo Paulo Figueiras, «tudo isso cria também uma interação maior entre os visitantes e os habitantes do parque. Tal como a quinta pedagógica e o respetivo departamento pedagógico, a cargo de uma bióloga, que permitem aos mais novos um contacto direto com os animais domésticos que não existem nas cidades. A visita de 10 mil crianças em idade escolar por ano, de todo o Algarve e Alentejo, são um bom cartão–de-visita», das práticas deste zoo.
Paulo Figueiras repudia veementemente a contestação que alguns «amigos da natureza» fazem aos parques zoológicos. «Se nós, humanos, agíssemos de outra forma, talvez os zoos não fizessem falta. Isso seria um mundo perfeito. Fui a Bornéu – e isto é só um de muitos exemplos – e fiquei completamente destroçado. Os orangotangos não devem ter mais de 10 anos de vida, porque o Homem está a destruir a floresta que habitam, substituindo–a por palmeirais. Sabe para quê? Para extraírem óleo de palma, que toda a gente consome, sem pensar no desastre ecológico que tal prática representa».
Hoje, os zoos reproduzem espécies em vias de extinção, quer em cativeiro, quer com o objetivo de os devolver à natureza. Neste âmbito, o parque algarvio recebeu há pouco, uma rola de Socorro, originária da ilha homónima, no México, e que já não existe selvagem na natureza.
«Na maioria dos zoos, é aplicado um projeto de conservação in situ. Temos casos concretos de animais extintos na natureza, como os veados do padre David e o mico-leão-de-juba-dourada, do Brasil, que foram reproduzidos em cativeiro, reintroduzidos na natureza e que apresentam, atualmente, uma população estável».
«Temos aqui 14 espécies de calaus, com bons resultados de reprodução. Recentemente, nasceu uma cria de calau da Papuásia. Está a ser monitorizado por uma câmara, porque os pais selaram o ninho. É a primeira que nasce num zoo europeu».
Gerir toda a estrutura não é fácil, a começar pela alimentação. Há dietas variadas, desde alimentos vivos, como ratos e pintos, a rações específicas para cada espécie. Mas a maior parte são à base de fruta. Os hipermercados locais apoiam e há recolhas diárias. Um veterinário residente assegura-se das condições de saúde e higiene dos animais.
«Sou muito polémico em relação ao amor exagerado pelos animais. Será ético ter seis gatos ou cães fechados num apartamento? O amor não é gostar, agarrar e dar beijinhos. É deixá-los ser felizes à sua maneira e tentar preservá-los».