Obras de reabilitação estrutural abrangem 372 fogos em todo o concelho de Vila Real de Santo António, com financiamento do PRR e impacto em centenas de famílias.
A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António (VRSA) vai avançar com a reabilitação estrutural de 372 fogos de habitação social, num investimento global de 50,27 milhões de euros, financiado a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo Programa 1.º Direito.
As obras arrancam em janeiro de 2026 e decorrem ao longo do primeiro semestre, anunciou hoje o município
Em causa está o maior investimento alguma vez realizado pelo município na área da habitação social, abrangendo todos os bairros municipais e todas as freguesias do concelho, com impacto direto nas condições de vida de centenas de famílias.
Uma intervenção estrutural no parque habitacional municipal
Com um investimento global de 50.274.304,71 euros, o plano visa responder de forma estrutural às carências acumuladas ao longo de décadas no parque habitacional municipal. Ao contrário de intervenções pontuais realizadas no passado, centradas sobretudo na manutenção, a autarquia aposta agora numa reabilitação profunda e integral das habitações.
A intervenção abrange a totalidade dos bairros de habitação social do concelho, com obras a decorrer em simultâneo e em várias frentes.
Reabilitação profunda e melhoria do conforto habitacional
Os trabalhos incidem sobre o reforço estrutural dos edifícios, a melhoria da envolvente térmica e acústica, os isolamentos e impermeabilizações de coberturas, bem como a substituição integral das redes de distribuição de água, eletricidade, telecomunicações e saneamento.
De acordo com o plano aprovado, a intervenção permitirá uma melhoria mínima de 10% no desempenho térmico das habitações, reforçando as condições de conforto, segurança e eficiência energética.
Planeamento e proteção das famílias durante as obras
O processo foi antecedido por um trabalho de planeamento e por reuniões setoriais com os moradores de todos os bairros abrangidos. Para minimizar o impacto das obras e garantir o bem-estar das famílias, a autarquia definiu uma solução logística com recurso a mobile homes.
Estas estruturas funcionam como alojamento temporário em situações específicas, permitindo que os agregados familiares permaneçam junto dos seus bairros enquanto decorrem as intervenções.
Para o presidente da Câmara Municipal de VRSA, Álvaro Araújo, esta operação representa «o culminar de uma estratégia rigorosa para devolver a dignidade e a qualidade de vida que os nossos munícipes aguardavam há décadas». O autarca sublinha que o arranque das obras demonstra que «o planeamento e a coragem política permitem superar barreiras financeiras e colocar as pessoas no centro da governação».
Distribuição do investimento por bairros
A maior fatia do investimento concentra-se no Bairro de Santo António, com 143 fogos, num total de 20.168.555,03 euros. Segue-se o Bairro da Barquinha, com 73 fogos, e um investimento de 8.908.604,85 euros.
O Bairro Caminhos de Ferro, com 33 fogos, recebe 4.810.474,14 euros, enquanto o Bairro dos Navegantes, com 36 fogos, beneficia de 4.715.434,57 euros. No Bairro do Encalhe, com 25 fogos, o investimento ascende a 3.884.054,07 euros, e no Bairro da Caixa de Previdência, com 34 fogos, a 3.854.865,83 euros. O Bairro da Manta Rota, com 19 fogos, é contemplado com 2.523.864,54 euros. Estão ainda incluídos nove fogos dispersos pelo concelho, num total de 1.408.452,74 euros.
Um passo estrutural na política de habitação
Ao longo dos anos, o estado de degradação do parque habitacional municipal foi agravado pelas limitações financeiras da autarquia. Através da Estratégia Local de Habitação, o município encontrou no PRR e no Programa 1.º Direito os instrumentos necessários para responder às carências identificadas.
Com este investimento, VRSA dá um passo estrutural na política de habitação, reforçando o compromisso com a justiça social, a segurança das habitações e a revitalização urbana em todo o concelho.