O Turismo do Algarve, a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, em conjunto com os municípios de Aljezur, Monchique e Odemira, promovem, até agosto de 2026, uma campanha multifacetada para estes territórios.
A recuperação da ponte pedonal que liga Aljezur a Odemira sobre a ribeira de Seixe, uma passagem simples, mas muito apreciada pela população e pelos caminhantes do trilho da Torre, é um dos exemplos da aplicação do Programa de Comunicação e Gestão de Branding do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, apresentado ontem à tarde, na Junta de Freguesia de Odeceixe.
A iniciativa pretende mitigar os efeitos dos incêndios na reputação turística destes municípios, através da Linha +Interior Turismo, pelo aviso Regenerar Territórios, do Turismo de Portugal.
«Às vezes é preciso transformar as tragédias e as desgraças em oportunidades», afirmou José Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Aljezur, garantindo que a autarquia está «empenhada na sua missão de alavancar o território e, acima de tudo, lutar pela biodiversidade e a natureza».
Hélder Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de Odemira, destacou que «estão reunidas as condições para podermos fazer um trabalho conjunto. O fogo não percebe nada de fronteiras administrativas e ensina-nos que temos de colaborar com manchas de paisagem, com estruturas de risco, com a geografia, a orografia e com aquilo que é a vivência das pessoas e a forma como utilizam o território».
«Tanto na costa como na tipologia de turismo, há uma continuidade paisagística. O turismo é um bom cimento que nos permite fazer mais e melhor, para construirmos mais riqueza e qualidade de vida para o nosso território, tornando-o mais notado», acrescentou.
«Há coisas que percebemos que são fundamentais na economia da serra e que nos ligam bastante. Há boa vontade conjunta que nos permite olhar para a frente para o futuro. Temos características inequivocamente idênticas e o turismo une-nos».
Helena Martiniano, vereadora da Câmara Municipal de Monchique, que representou o autarca Paulo Alves, considerou que este programa poderá ser «idêntico» ao Revitalizar Monchique e que nasce de uma «reunião de boas vontades».
Expressou ainda a esperança de que este esforço ajude a «estimular as pessoas a não desistirem do território».
Já André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, reconheceu um «sentimento agridoce» devido à morosidade do processo, mas destacou que «já temos coisas concretizadas e todas as condições para executar o programa ao longo dos próximos dois anos. Esperamos responder, de forma eficaz, aos anseios e problemas que surgem nos diferentes territórios e junto dos diversos agentes».
Sublinhou ainda «a capacidade que o turismo tem de dar resposta a situações que, à partida», pareceriam alheias ao sector.
«Discutimos muito a questão da alteração da Lei n.º 33/2013, de 16 de maio, que define as competências e funções a desempenhar no âmbito da nossa atividade. A verdade é que reclamamos há anos uma alteração que nos restitua competências de gestão dos territórios que já tivemos. Entendemos que temos essa capacidade, até numa perspectiva regional».
«Não tendo essas competências formais, encontramos formas, através de muitos projetos, de gerar impacto», concluiu, elogiando o Turismo de Portugal por ter estruturado financiamento para este programa.
Hélder Guerreiro aproveitou para criticar a administração central: «Estamos a trabalhar com uma cooperativa para as questões da floresta, criada por um conjunto de pessoas e vontades» após os incêndios, «não havendo financiamento imediato do Estado, conforme foi prometido e não cumprido. Vamos continuar a trabalhar com as pessoas e com o território para evitar que este problema se repita no mesmo sítio, na mesma altura e pelas mesmas razões».
Financiamento «significativo»
José Manuel Santos, da Entidade Regional do Alentejo e Ribatejo, destacou que «temos um envelope financeiro significativo, de cerca de 800 mil euros, a repartir entre as duas entidades turísticas, com 90 por cento», sem impacto nas «receitas» das regiões de turismo.
«Temos excelentes condições para atingir os nossos objetivos, num projeto aliciante. Estamos a trabalhar um território que, do ponto de vista estratégico, não existia como destino turístico estruturado, mas que agora está ao serviço de toda a região e das suas dinâmicas».
«O objetivo é que este trabalho de comunicação, defesa e reputação da imagem deste território e dos seus ativos turísticos seja integrado com associações, empresas e entidades públicas. Há uma preocupação em aumentar os fluxos turísticos e estendê-los ao longo do ano, mas também em trazer a sustentabilidade para a agenda da comunidade. Queremos trabalhar o ecossistema da paisagem, a estrutura de risco, a prevenção de incêndios e envolver a comunidade escolar. Ou seja, este programa vai além da promoção e comunicação turística», explicou.
Ações em marcha e futuras
Segundo Tânia Almeida, do Departamento de Dinamização e Promoção Turística da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, a campanha de marketing e comunicação está a cargo da empresa farense B16 | The Creative Clan | Agência de Marketing e Comunicação, que venceu o concurso.
Em termos de ações de promoção, o foco será no mercado espanhol, com eventos agendados para feiras em Bilbao, em maio, e Valladolid, em novembro. Está previsto um evento de animação, com o nome provisório de Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina Nature Fest.
Esta é uma «oportunidade para os turistas participarem, de forma gratuita, em atividades de animação turística, que serão previamente reservadas e que serão custeadas pelas duas entidades de Turismo», revelou.
Estão ainda previstos dois filmes profissionais e um banco de imagens, a concluir até ao fim deste mês.
Os materiais destinados a turistas, população e público estudantil terão «foco na sustentabilidade, nas regras e nos códigos de conduta» a ter nestas zonas sensíveis.
Está também prevista uma forte campanha nas redes sociais e em vários media, «para reforçar a notoriedade da marca do território», concluiu.
