José Júlio Lopes Jeremias. Talvez o nome não diga muito aos leitores, mas estará, com certeza, gravado na memória e no coração de muitos dos que ajudou a salvar a vida, ao longo dos anos que tem cumprido a missão de tripular a Estação Salva-vidas de Ferragudo.
O reconhecimento chegou na quinta-feira, 14 de julho, com o secretário de Estado da Defesa Nacional Marcos Perestrello a atribuir a medalha militar de Cruz Naval 4ª classe ao sota–patrão deste meio de emergência.
José Jeremias aceitou a distinção com a humildade de quem larga tudo para acudir àqueles que necessitam de auxílio, mesmo nas piores circunstâncias. Com 52 anos de idade, apesar de se sentir «agradecido» pelo reconhecimento, considerou que o mais importante é o trabalho que tem vindo a realizar desde 1997. «Não há medalhas, nem dinheiro, nem nada, que paguem uma vida humana», sublinhou ao «barlavento».
Ao longo dos últimos 19 anos, muitas vezes sacrificando a vida pessoal para ajudar os desconhecidos, orgulha-se de dar tudo à «casa» onde trabalha. O imprevisto não tem data para acontecer. Na opinião do tripulante condecorado, há duas décadas o movimento era maior.
«Hoje, acho que há mais civismo e mais cuidado por parte das pessoas. Há mais respeito», considerou. As intervenções feitas no perímetro atribuído a esta estação, estão todos relacionados «com água salgada», desde incidentes na pesca lúdica, profissional e submarina, ou uma busca motivada por um pé em falso numa falésia que provoca a queda no mar. O agora condecorado é também mergulhador, tendo formação de resgate de vivos ou mortos até 40 metros de profundidade.
A Medalha Militar da Cruz Naval compreende as quatro classes e destina-se a galardoar os militares e civis, nacionais ou estrangeiros que, no âmbito técnico–profissional, revelem elevada competência, extraordinário desempenho e relevantes qualidades pessoais, contribuindo para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão do Ministério da Defesa Nacional, do Estado–Maior-General das Forças Armadas ou da Marinha.
Na mesma cerimónia foi ainda inaugurado pelo secretário de Estado da Defesa Nacional, um monumento em homenagem às tripulações salva-vidas de Ferragudo, oferecido pela Câmara Municipal de Lagoa. Apesar de singela (uma âncora pintada e uma placa), a peça vale pelo simbolismo. Reconhece a dedicação abnegada destes salvadores do mar.
A cerimónia contou ainda com a presença do diretor-geral da Autoridade Marítima e comandante-geral da Polícia Marítima, vice-almirante Silva Ribeiro, de Francisco Martins, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, do presidente da Assembleia Municipal de Lagoa, de autoridades locais e entidades oficiais da Administração do Porto de Sines e Algarve.
O autarca Francisco Martins afirmou que se trata de um pequeno reconhecimento «àqueles que põem a sua vida em perigo para salvar» outras. «Esperamos sempre nunca precisar, mas efetivamente deixa-nos mais tranquilos saber que temos pessoas que arriscam e muito» para que outros possam sobreviver.
Marcos Perestrello agradeceu o trabalho «não só do pessoal desta estação, mas do Instituto de Socorro a Náufragos no seu todo, e da Autoridade Marítima Nacional, enquanto entidade responsável pelo salvamento marítimo. É talvez a mais visível, nobre e mais importante das suas múltiplas missões: a salvaguarda da vida humana no mar».
Dez milhões modernizam estações salva-vidas até 2021
O anúncio da existência de um plano de investimento, a concretizar em cinco anos, no valor de dez milhões de euros, para reequipar e modernizar as estações salva-vidas, foi feito pelo secretário de Estado da Defesa Nacional Marcos Perestrello, na quinta-feira, 14 de julho, em Ferragudo.
A preocupação do governo, segundo o responsável com a tutela, tem sido o empenho «na criação de melhores condições para o exercício» destas funções. Por isso, haverá um reforço dos «homens que prestam serviço nas estações salva-vidas», uma medida que surge após ter sido aprovado «um novo estatuto profissional para estes homens», que valoriza as carreiras e vidas profissionais. O secretário de Estado considerou que «esta preocupação do governo só faz sentido, porque tem da parte dos homens, que trabalham nas estações salva-vidas, a correspondência e a abnegação que revelam, todos os dias, no exercício das suas funções».
Olhão ganha estação salva-vidas nos antigos pavilhões do IPTM
O secretário de Estado da Defesa Nacional Marcos Perestrello esteve também em Olhão, na manhã de quinta-feira, 14 de julho, para participar na cerimónia de assinatura de um protocolo entre a Docapesca e a Direção-Geral da Autoridade Marítima (DGAM). De acordo com este documento, os antigos pavilhões do ex-Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM) vão acomodar a futura estação salva-vidas de Olhão, «criando as condições ideais para o bem-estar das guarnições e aumentando, ao mesmo tempo, a eficácia e prontidão das equipas» naquele espaço. A cerimónia teve lugar a bordo do salva-vidas «Diligente», atracado em Olhão, em frente à Capitania do Porto. Esta medida é uma continuação da reestruturação do dispositivo de busca e salvamento no Algarve, cujo lançamento decorreu, em Faro, a 1 de julho, pelo Diretor do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), onde se prevê a fusão das estações salva-vidas da Fuzeta e de Santa Maria.