Os residentes do Foral, também conhecida como a Quinta da Larga Vista, alertam hoje para o fim do serviço de abastecimento de água, prestado por uma empresa privada que fornece a agricultura e pedem à Câmara de Silves uma ligação à rede.
«Imaginem acordar no século XXI, num país desenvolvido, membro da União Europeia, e descobrir que você e os seus vizinhos estão prestes a perder o acesso a algo tão básico e essencial como a água. Este pesadelo está prestes a tornar-se realidade para os residentes do Foral, também conhecida como a Quinta da Larga Vista, uma pequena comunidade de 80 agregados familiares» na União de Freguesias de Algoz e Tunes.
Em comunicado enviado hoje às redações, aquele coletivo que que «a Câmara Municipal de Silves (CMS) tem feito orelhas moucas aos nossos apelos, invocando os custos elevados como motivo para recusar a ligação à rede municipal de água».
No dia 23 de julho, a Fonte Pitoresca, Lda., «empresa privada «que tem sido a nossa tábua de salvação, anunciou que vai cessar a sua atividade de fornecer água às nossas casas a 31 de dezembro de 2024. Durante décadas, dependemos desta água, tanto para uso doméstico como para rega. Agora, enfrentamos um futuro incerto, uma vez que a empresa anuncia a impossibilidade de manter o seu serviço devido a restrições e constrangimentos financeiros».
Segundo o barlavento apurou, esta empresa fornece água para agricultura (rega) mas não tem capacidade para continuar os moradores do Foral.
«A impossibilidade de assistência técnica regular e pronta à rede de abastecimento, a inviabilidade financeira da sua renovação e, sobretudo, a declarada situação de seca extrema na região e consequentes limites legais de extração de água, quando, para mais, se constata a tendência para o aumento de consumos, não deixam qualquer alternativa», justifica a empresa, num e-mail enviado à população, ao qual o barlavento teve acesso.
«Esta é a única água que temos dentro de casa», diz Aldina Estaca, da porta-voz da Associação de Moradores do Aloteamento «Quinta da Larga Vista».
Os residentes dizem que «há anos que pedimos à CMS que nos ligue à rede municipal de água, um pedido que tem sido sistematicamente recusado. Um pequeno número de habitantes no Foral tem furos, mas também eles estão sob pressão ou a secar e, no entanto, a CMS continua inoperante. Para aumentar o nosso desespero, as autoridades aprovaram um enorme parque solar de 96 hectares na nossa fronteira norte, uma zona crucial para a recarga dos aquíferos. Este projeto ameaça esgotar ainda mais as nossas fontes de água subterrânea», o que já motivou um processo judicial. A empresa em causa respondeu à população, que apesar disso, a acusa de «cinismo».
Na fronteira sul do Foral, «uma exploração de abacate à escala industrial e, à nossa volta, muitas outras explorações de citrinos em grande escala estão a sugar enormes quantidades de água da nossa fonte comum de águas subterrâneas. É inaceitável que a CMS se recuse a fornecer-nos água, ao mesmo tempo que aprova ou faz vista grossa a projetos que põem em risco as nossas fontes existentes».
Os habitantes querem que a autarquia de Silves ligue «o Foral à rede municipal de água o mais rapidamente possível», pois se «a Fonte Pitoresca cessar o seu serviço, a CMS deve assumir a infraestrutura existente ou providenciar uma solução temporária e justa até estarmos ligados à rede municipal».
«A água não é apenas uma utilidade, é um direito humano básico. Sem ela, as nossas vidas e a nossa comunidade estão em risco. Sentimo-nos abandonados pelas autoridades que nos deveriam proteger. Apelamos urgentemente a todos para que nos apoiem».
Para já, foi lançada uma petição online para tentar sensibilizar a autarquia.





