Segundo um relatório hoje divulgado, os níveis de poeiras no ar provenientes do norte de África, não atingiram níveis que colocassem em causa a saúde dos mais vulneráveis na passada sexta-feira.
As poeiras do norte de África não atingiram níveis que colocassem em causa a saúde das populações mais sensíveis na sexta-feira, dia 5 de abril, e tiveram muito menor expressão do que as registadas há duas semanas, indica um relatório hoje divulgado.
Na sexta-feira, em «nenhum local de Portugal continental se atingiu o valor-limite diário das partículas inaláveis (PM10) de 50 microgramas por metro cúbico, não tendo os níveis atingidos posto em causa a saúde das populações mais sensíveis», refere a análise da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Esta faculdade efetua diariamente, para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a previsão e análise de eventos naturais, que incluem principalmente o transporte de partículas no ar desde o norte de África.
A APA alertou na sexta-feira que estava prevista uma massa com poeiras proveniente do norte de África que poderia afetar a qualidade do ar no Algarve, em Lisboa e no interior do país.
O relatório a que a Lusa teve acesso indica que este fenómeno teve, assim, «muito menor expressão que há 15 dias», quer em termos de duração, quer de regiões afetadas e de níveis atingidos.
Os valores mais elevados foram atingidos hoje no Algarve, monitorizados nas estações de qualidade do ar de Faro e Portimão, tendo o pico em Faro sido de 82 microgramas por metro cúbico de média horária entre as 08:00 e as 09h00 horas e registando uma redução desde então.
Em Portimão, «têm-se verificado oscilações, com os níveis mais elevados principalmente no início do dia de hoje, entre a 01h00 e as 04h00 da manhã, mas alcançando, em termos de médias horárias, valores da ordem de 60 microgramas por metro cúbico», adianta ainda o documento.
Em outros locais de Portugal, incluindo na região de Lisboa, as concentrações de partículas foram reduzidas, mas a chuva fraca em algumas situações arrastou partículas presentes a maior altitude e que sujaram as superfícies.
«A circulação do quadrante sul ao longo desta tarde de sábado tornar-se-á de noroeste na região sul de Portugal continental, nos níveis baixos da atmosfera, o que irá impedir progressivamente que a massa de ar com origem no norte de África exerça influência sobre a região do Algarve», prevê a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
De acordo com o documento, as concentrações de partículas inaláveis no Algarve ainda são relativamente elevadas e, apesar da diminuição que já está a ocorrer, deve ainda «merecer alguma precaução por parte das populações mais sensíveis», como crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
A ocorrência de precipitação durante a madrugada atenuará ainda mais as concentrações de poeiras na atmosfera nesta região, indica o relatório.