A nossa freguesia e cidade de Quarteira viu-se salvaguardada dos piores aspectos relacionados com a pandemia do novo coronavírus e respectivo surto de COVID-19.
Se procurarmos realizar uma simples análise sobre possíveis focos de contágio, encontramos uma situação epidemiológica bastante positiva, grande parte só possível porque os Quarteirenses respeitaram o confinamento e fizeram-no voluntariamente.
Perante este massivo ato de generosidade e altruísmo comunitário, sinto-me na obrigação de dar uma palavra de reconhecimento a todos os nossos conterrâneos e coetâneos pela excelente manifestação em defesa da vida e da nossa comunidade quarteirense.
Acredito que todas e quaisquer orientações estipuladas pelos poderes institucionais locais e nacionais sejam de notória importância, mas o certo é que perante uma população desobediente, todo e qualquer esforço nesse sentido encontraria os seus propósitos frustrados. Mas tal não sucedeu para o bem de todos nós.
Contudo, o confinamento voluntário e respectiva quarentena travou de forma abrupta a prossecução do nosso quotidiano e colocou em causa todas as nossas certezas e convenções mais profundas. Tivemos que parar e parou-se pela maior razão de todas, pela vida.
No entanto, num país com uma balança económica desequilibrada, com um avultado déficit e uma região algarvia (nosso caso), dependente na sua grande maioria da atividade turística, fomos literalmente apanhados de surpresa e cilindrados.
É sabido que março, abril e maio são meses em que os empresários formulam as contratações tendo em vista o advento do Verão, e são meses fundamentais para os trabalhadores do sector.
Trabalhadores que neste momento e na sua maioria se encontram em layoff e aqueles que não se encontrando nessa situação recorrem ao apoio social.
Alguns números falam-nos em mais de 600 pedidos de ajuda, sendo 37 por cento relativos a famílias ou pessoas residentes na freguesia.
Perspectivando-se um verão a meio gás, ou até a menos gás do que isso e não é necessário possuir grandes conhecimentos de economia ou de dinâmicas comerciais para perceber que antes do final do ano teremos uma agravante da situação das famílias e sérias dificuldades que testarão a nossa coesão enquanto comunidade.
Nesse sentido, louvo também a acção dos empresários da freguesia que assistindo à iminência do Verão e deste cenário (pós-verão) tomaram as devidas diligências junto da edilidade, por via de abaixo-assinados procurando o diálogo e a concretização de medidas, tais como isenção de taxas e licenças, ampliação das esplanadas, colocação de dispensadores de solução desinfetante, organização das praias e outras de conhecimento público mas que têm demorado na sua execução. E este não é momento para demoras…
Daqui a uma semana ou mais, saberemos se essas medidas foram suficientes se não se registar o aumento de números de infectados no Concelho, uma vez que devido à exclusão das freguesias desta contagem, não é possível ter acesso a dados concretos, situação que em todo este processo liderado pela Direção Geral de Saúde (DGS), se apresenta enquanto uma grave lacuna.
Este foi o primeiro teste para Quarteira e outras localidades algarvias, no entanto, deverá permanecer o sentido de responsabilidade pela nossa comunidade, pelos nossos anciãos inseridos no grupo de maior risco, não baixando os braços ou neste caso a máscara, não facilitando, aconselhando o amigo, o familiar e o vizinho para a importância de nos protegermos.
Todos nós recordamos as ruas vazias, a ausência de vida, a estranheza e o medo que nos provocava, mesmo assim, sem conhecimento suficiente sobre o vírus, por exemplo os profissionais da Pesca da nossa Cidade de Quarteira faziam-se ao Mar, sem certezas e com receio de infectar as suas famílias, enquanto a maioria realizava a Quarentena.
Todos nós fizemos sacrifícios em prol uns dos outros, embora recentes notícias do aparecimento de um medicamento eficaz contra a COVID-19 ou até a possibilidade de dentro de alguns meses existir uma vacina viável, não podemos deixar-nos ir no canto da sereia.
Os nosso profissionais de saúde agradecem, eles que têm sido firmes e constantes na luta ao surto de Covid-19 e várias vezes referenciados pela sua entrega e profissionalismo.
Mas tudo isso pode cair por terra e aquilo que se construiu ao longo deste caminho foi de uma expressividade tal que contribuiu para salvar vidas, não menospreze-mos o peso e sentido destas palavras.
A comunidade quarteirense anseia pela recuperação económica e normalização da vida em sociedade, e enquanto povo de causas, sempre soubémos encontrar na nossa densa personalidade o ímpeto necessário para continuar a avançar cerrados em fileiras e determinados, pois só assim somos mais fortes!
Por fim, faço o apelo: não nos deixemos levar por um falso sentido de segurança, temos que permanecer em alerta por todos nós, pois reformulado Camões: que não se deixe a gente fraca fazer fraca a forte gente!