Albufeira mantém as restrições aos TVDE, mas aceita criar pontos de recolha e largada. A associação considera o compromisso uma vitória para o setor.
A Câmara Municipal de Albufeira vai criar lugares próprios para a tomada e largada de passageiros por veículos de transporte contratados através de plataformas eletrónicas (TVDE), mas manterá as restrições à circulação aplicadas em algumas zonas da cidade, anunciou hoje o presidente da autarquia.
Após uma reunião com representantes da Associação Nacional Movimento TVDE (ANM-TVDE), aquando da manifestação desta manhã, Rui Cristina disse aos jornalistas que as restrições vão continuar, mas foi alcançado um compromisso para criar locais onde os passageiros possam entrar e sair destes veículos.
«Da nossa parte, poderá haver mais entendimentos e mais cedências ao nível de espaços para a largada e a tomada de passageiros, mas as restrições continuarão a ser as mesmas», afirmou o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, depois de uma manifestação que reuniu mais de uma centena de motoristas TVDE.
Rui Cristina considerou «bastante natural» a contestação dos profissionais, mas sublinhou que a prioridade da autarquia é garantir a segurança das pessoas que vivem ou passam férias no concelho.
«O que nos interessa claramente aqui são os albufeirenses, são as pessoas», afirmou. O autarca salientou a necessidade de garantir que «os veículos de emergência continuem a ir socorrer quem realmente necessita de ajuda, ou seja, os turistas e os albufeirenses».
O presidente da Câmara reforçou que a quantidade de veículos TVDE concentrados no centro da cidade está a criar dificuldades à circulação e ao acesso de viaturas de emergência.
«Impusemos esta restrição a pensar nas pessoas que cá vivem e em quem nos visita. É uma restrição que não é muito alargada. É apenas um primeiro passo para continuarmos a preparar este plano de mobilidade para Albufeira», justificou.
Rui Cristina frisou que, apesar de ter ouvido as propostas apresentadas pelos representantes dos motoristas, a sinalização e as restrições vão permanecer.
«Vivemos numa democracia e, como é lógico, ouvimos as classes. Apresentaram algumas propostas, nós ouvimos e demonstrámos que a sinalética vertical e estas restrições vão continuar», referiu.

A interdição entrou em vigor na quinta-feira e abrange a zona entre o Pau da Bandeira e a Baixa de Albufeira e respetivas envolventes, a zona sul da Avenida da Liberdade, a Rua da Oura e os acessos laterais da Avenida dos Descobrimentos.
Segundo o presidente da Câmara, a acumulação de TVDE nestes locais estava a dificultar a circulação das viaturas de socorro.
«Um veículo de emergência tem de aceder ao centro e à Baixa da cidade para prestar o devido socorro. Isso não está posto em causa e é isso que nos interessa: se houver aqui alguma situação de emergência, o veículo de emergência tem de continuar a circular e conseguir chegar a quem realmente precisa», sustentou.
Questionado sobre se o problema está sobretudo na permanência dos TVDE à espera de clientes, e não na circulação em si, Rui Cristina respondeu que está em causa «o facto de estarem parados».
«Ocupam lugares de estacionamento e ficam dentro dos carros à espera de clientes. Não faz qualquer sentido, não é? Muitos deles ainda nem sequer foram chamados pela própria aplicação para prestar o serviço. Isto não pode acontecer», afirmou.
O autarca considerou normal que o segundo maior destino turístico do país registe um fluxo elevado de TVDE, mas classificou a proporção de veículos existente em algumas zonas como «desmesurada».
«Numa fila, por exemplo, na Avenida da Liberdade, em cada dez veículos, sete são TVDE. Está tudo dito, não é? A proporção é desmesurada», argumentou.
Rui Cristina anunciou que serão disponibilizados alguns lugares próprios para a tomada e largada de passageiros, devidamente identificados.
«Iremos arranjar alguns lugares, iremos criar alguns lugares», adiantou. Segundo o autarca, estes espaços serão «um complemento» às restrições já implementadas na cidade.
«O objetivo é que não haja a acumulação de TVDE que existe neste momento, com os motoristas parados à espera que os clientes os escolham para a viagem. O que queremos é que haja circulação e que os meios de emergência consigam circular pela cidade», apontou.
O município pretende ainda reunir-se com as plataformas que gerem o setor para introduzir limitações nas próprias aplicações e evitar que os passageiros sejam encaminhados para pontos abrangidos pelas restrições.
«Iremos também reunir com as plataformas para que sejam criadas restrições nas próprias aplicações. Há um caminho que deve ser feito, não é? Este foi apenas um primeiro passo», afirmou Rui Cristina.
No final da reunião, Filipe Lopes, representante da ANM-TVDE no Algarve, classificou o encontro como «bastante agradável» e considerou que foram alcançados progressos entre as partes.
«A única certeza que tenho é que só com reuniões como esta, falando com a associação, os motoristas, os empresários do setor, a Polícia Municipal, a GNR e o município, será possível encontrarmos medidas que melhorem efetivamente o nosso trabalho e o turismo em Albufeira», afirmou aos motoristas concentrados junto aos Paços do Concelho.
Filipe Lopes reconheceu que um dos principais problemas é a permanência na Baixa de motoristas que ainda não receberam qualquer pedido de viagem através das plataformas.
«Um dos principais problemas que temos enfrentado, e que a Câmara Municipal também enfrenta, são os motoristas TVDE que não têm uma viagem na aplicação e permanecem parados na Baixa de Albufeira. Isso prejudica muito o desenvolvimento do nosso trabalho», afirmou.
O representante da associação apelou aos profissionais para só entrarem na Baixa quando tiverem um pedido confirmado.
«Só desçam à Baixa de Albufeira se tiverem um cliente na aplicação. Todos sabemos que, quando o cliente pede uma viagem lá em baixo, a aplicação nos chama cá em cima sem problema algum», disse.
Embora a ANM-TVDE tenha classificado a interdição como «ilegal» e pedido inicialmente o recuo da autarquia, Filipe Lopes reconheceu, depois da reunião, que a decisão municipal não será, para já, revertida e pediu aos colegas que respeitem a sinalização existente.
«Neste momento, cumpram os sinais que lá estão. Ninguém deve desrespeitar os sinais», frisou. O responsável pediu que a informação fosse também divulgada nos grupos de WhatsApp dos motoristas.
Filipe Lopes anunciou que, durante a tarde de hoje, representantes do setor iriam visitar os locais abrangidos com responsáveis da Polícia Municipal de Albufeira, para definir as zonas de recolha e largada de passageiros. A associação pretende também manter o diálogo com a Guarda Nacional Republicana.
«Vamos criar medidas eficazes que ajudem efetivamente o desenvolvimento do trabalho. Iremos também à Rua da Oura com o comandante para procurar soluções. Visitaremos todos os pontos onde entendemos que é importante criar medidas», indicou.
Segundo o representante da ANM-TVDE, os novos pontos serão identificados através de pinturas no pavimento e sinalização vertical.
«Vão ser criados pontos específicos de recolha. Quando ficar decidida a estratégia para esses pontos, serão identificados com pinturas no chão e placas a indicar que se destinam à recolha de passageiros por TVDE», anunciou.
Filipe Lopes adiantou que os trabalhos de pintura deverão começar na segunda-feira, mas pediu aos motoristas que, até à criação dos novos pontos, não permaneçam parados na Baixa.
«A partir da próxima segunda-feira, o senhor comandante da Polícia Municipal, juntamente com as pessoas responsáveis e competentes, já começará a tratar das pinturas. Se for preciso arranjar tinta, será arranjada», afirmou.

Enquanto os novos locais não estiverem definidos, pintados e identificados, o representante da associação indicou aos motoristas um percurso provisório para recolher e deixar passageiros. Ressalvou, no entanto, que não poderão permanecer parados à espera de clientes.
«O único sítio por onde é permitido descer, e discutimos isso lá em cima, é a Rua do Movimento das Forças Armadas, esta rua lateral junto às Finanças, descendo depois pela Rua Alves Correia. Mas atenção: não é para ficar parado lá em baixo, porque, se ficarem parados, estão sujeitos a multa», explicou.
Segundo Filipe Lopes, os motoristas poderão utilizar aquele percurso apenas para recolher ou deixar passageiros.
«Podem recolher ou deixar um passageiro. Isso está autorizado. Portanto, por favor, dirijam-se para a Rua do Movimento das Forças Armadas e para a Rua Alves Correia até que as restantes propostas fiquem decididas e os locais sejam pintados e identificados», pediu.
Além disso, «a associação vai também trabalhar com as plataformas para educar o cliente e fazer com que o ponto de localização seja colocado no local de recolha, para podermos ir buscá-lo. O cliente não pode ficar na Baixa, de copo na mão, à espera que o vamos buscar», afirmou.
Filipe Lopes assegurou ainda que a associação prestará apoio jurídico aos profissionais que sejam multados apesar de cumprirem as orientações transmitidas.
«Se forem deixar ou recolher um passageiro e, apesar de fazerem o trabalho de forma correta, conforme estão a ser orientados, receberem uma multa, estão autorizados a enviar-ma. A associação dispõe de advogado. Temos como recorrer e como pedir a revisão de muitas multas», afirmou.
O representante da ANM-TVDE advertiu, contudo, que esse apoio não abrangerá os motoristas multados por permanecerem parados nos locais sujeitos às restrições.
«Não podem ficar lá parados e depois enviar-me a multa, porque, nesse caso, não haverá solução. Cada um tem de ser responsável pelos seus atos», alertou.
Filipe Lopes apelou, por fim, à colaboração entre todas as entidades envolvidas na mobilidade da cidade.
«Esta situação em Albufeira é uma missão não apenas da Câmara Municipal, mas também da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Polícia Municipal, dos motoristas e dos empresários do setor. É necessária a colaboração de todos», defendeu.
Apesar de a Câmara manter as restrições, o representante da ANM-TVDE classificou o compromisso alcançado como positivo para os profissionais.
«Não é um trabalho fácil, mas penso que esta é uma grande conquista. Será feito e considero que é uma vitória para nós», concluiu.
