Ao «barlavento» Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, explicou que foi pedida a alteração do Orçamento para «comprar um carro para os bombeiros de combate a incêndios urbanos», de 244 mil euros, a compra de 100 equipamentos de proteção individual de combate a incêndios para os operacionais, no valor de 72 mil euros, bem como «uma verba para a Santa Casa da Misericórdia de Albufeira para contribuirmos para o realojamento da comunidade cigana», no âmbito do projeto de inserção «Aldeia do Sanacai». É um projeto, segundo Carlos Silva e Sousa, que dará nova casa a oito famílias, num total de quase 40 pessoas. A retificação foi aprovada, mas o edil afirma não perceber o porquê desse sentido de voto.
«Sendo estas matérias de claro interesse concelhio e da população, cujo valor se sobrepõe a qualquer interesse partidário, o PSD de Albufeira não pode deixar de tecer forte censura ao comportamento do Partido Socialista de Albufeira, que na sua fobia de ser oposição a tudo, realça completa indiferença, perante o apoio à ação e à segurança das pessoas» e destas instituições, «que prosseguem o interesse público», como os Bombeiros e a Santa Casa da Misericórdia, argumentou a Comissão Política do PSD de Albufeira.
Contactado pelo «barlavento» Ricardo Clemente, presidente da concelhia socialista, contrapõe os social-democratas, afirmando que «antes de mais, uma abstenção não é um voto contra, como o PSD pretende fazer crer, referindo que o PS é oposição a tudo».
Os socialistas entendem que é importante para o concelho a aprovação das verbas, mas estas «chegam tarde» e esta revisão deveria «ter contemplado diversas outras matérias que têm vindo a ser propostas pelo PS como forma de fazer face às necessidades mais prementes da população de Albufeira».
O líder do PS local relembra que não viu a mesma indignação, quando o PS propôs em 2014 o pagamento do PAEL a tempo do IMI e das taxas municipais serem reduzidas, nem «quando membros do PS na Assembleia propuseram que a técnica responsável pelas finanças do município informasse sobre os valores em caixa, que à data permitiam o pagamento do PAEL» e o edil da autarquia «inviabilizou a informação, com a anuência dos membros do PSD». Ricardo Clemente relembra também que não houve censura, «quando o município continuou a praticar os elevados preços de água, apesar das propostas» para reduzí-lo.
São vários os exemplos citados pela estrutura socialista como a delegação de competências para as freguesias, o ter sido «orçamentado o valor para manuais escolares gratuitos e tal dotação não ter sido executada», haver 60 milhões de euros nos cofres da autarquia não utilizados, «valores suportados pelos municípes ao longo de anos de crise», equivalendo a dois mil euros por habitante, e as «eventuais irregularidades na Junta de Freguesia de Albufeira».
Por fim, «não vislumbramos qualquer indignação, quando há quatro anos o projeto Sanacai poderia ter sido resolvido, uma vez que tudo estava acordado e organizado, tendo todo este atraso colocado em risco o projeto», podendo causar prejuízo à «Santa Casa da Misericórdia caso não cumpra o contrato a que está obrigada», acusou Ricardo Clemente. Aliás, o líder local refere que esta verba só foi incluída na quinta revisão após a pressão de populares.
Com base neste rol de exemplos, o socialista reafirma que as verbas aprovadas, sem oposição do PS, são um «rebuçado» em relação às questões fundamentais do concelho. «Esta pretensa indignação do PSD é uma mera manobra de diversão para esconder a deficiente gestão do município», concluiu. O líder deixa ainda um recado: «Assim o PSD execute em tempo as obrigações e aquilo a que se comprometeu e, ai terá o voto favorável do PS».