Neste verão Portugal foi, mais uma vez, fustigado por uma vaga de incêndios florestais de grandes proporções com sérios impactos ambientais, económicos e sociais. Também o Algarve não escapou a este drama, registando incêndios nos concelhos de Monchique, Portimão e Silves.
A periódica ocorrência de incêndios florestais no nosso país não pode ser atribuída apenas a condições climatéricas adversas, às temperaturas elevadas ou aos ventos fortes. As causas são mais profundas. Sem pretender ser exaustivo, destaco: ausência de políticas de apoio ao desenvolvimento do mundo rural, destruição da agricultura familiar e fraca rentabilidade das atividades agrícolas que conduzem à desertificação e ao despovoamento do território, redução progressiva do investimento na floresta, sistemático afrontamento das comunidades dos baldios, adiamento sucessivo da elaboração de um rigoroso cadastro florestal, falta de limpeza das matas e proliferação de espécies infestantes, escassez dos meios permanentes e dos meios especiais de combate aos fogos.
A resolução do problema dos incêndios, no médio e longo prazo, exige uma efetiva política de ordenamento florestal e de valorização das atividades agrícolas, que tem faltado no nosso país por inação de sucessivos governos. No curto prazo, a prioridade deve ser o levantamento dos prejuízos causados pelos incêndios ocorridos neste verão e a adoção de medidas de apoio às famílias atingidas e à recuperação das atividades produtivas afetadas pelos incêndios.
Na passada segunda-feira, uma delegação do PCP na qual me integrei, acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal, visitou as áreas ardidas do concelho de Monchique. Quisemos avaliar, no terreno, a dimensão da devastação causada pelo incêndio do início deste mês e transmitir às populações afetadas a solidariedade do PCP. Não nos pouparemos a esforços para, no âmbito da nossa intervenção na Assembleia da República, defender os imprescindíveis apoios à recuperação das áreas ardidas e a adoção de medidas de proteção e valorização da floresta algarvia.
Opinião de Paulo Sá | Deputado do PCP