easyJet alerta que o Sistema de Entrada/Saída (EES) já provoca perda de voos e pede mais flexibilidade para proteger o turismo português.
A easyJet defendeu hoje em Faro uma gestão mais flexível do Sistema de Entrada/Saída (EES) nos aeroportos portugueses para evitar filas excessivas nos controlos fronteiriços, perda de voos e uma má experiência para os turistas à saída do país.
José Lopes, diretor-geral da easyJet em Portugal, disse aos jornalistas que a companhia aérea já perdeu passageiros devido aos atrasos associados ao novo mecanismo europeu de controlo de fronteiras.
«Há passageiros que perdem os voos por causa do sistema EES. Nós temos perdido passageiros por causa disso», afirmou José Lopes, durante um almoço aberto à imprensa que assinalou o quinto aniversário da base da easyJet no Aeroporto de Faro, tal como o barlavento noticiou.
«Esses passageiros depois não voltam», lamentou.
O Sistema de Entrada/Saída (EES) é o novo mecanismo europeu de registo digital de entradas, saídas e recusas de entrada de cidadãos de países terceiros nas fronteiras externas do Espaço Schengen. Substitui a carimbagem manual de passaportes por registos digitais e inclui a recolha de dados biométricos, como imagem facial e impressões digitais.
A aplicação começou de forma progressiva e ficou plenamente operacional em todos os pontos de passagem das fronteiras externas do Espaço Schengen, em 10 de abril de 2026.
José Lopes reconheceu que o EES aumenta a segurança nas fronteiras externas do Espaço Schengen, mas com impacto operacional nos aeroportos. «É um problema que nos tem vindo a preocupar muito. Causa problemas não só em Portugal, mas em toda a Europa», afirmou.
«É um sistema que, mesmo que tivéssemos todos os funcionários a preencher os postos, em que o sistema de software não fosse abaixo, em que hardware funcionasse, mesmo que tudo isto fosse perfeito, o número de controlos que são feitos atualmente é muito maior do que era feito antes», afirmou.
E por isso, diz o gestor da easyJet, as filas serão sempre maiores do que no passado. «Um passageiro antes processado num minuto, sem nenhuma disrupção. Hoje, se for um passageiro de um país como o Reino Unido, demora cerca de três minutos», contabilizou.
«Portanto, a fila normalmente triplicaria, a não ser que tivéssemos triplicado o espaço, o que é quase impossível de fazer nos aeroportos europeus», afirmou.
Suspensão antes do caos
O responsável defendeu que EES deve ser gerido com «alguma flexibilidade», tendo em conta o peso do turismo na economia portuguesa.
«Os gregos, por exemplo, disseram que o turismo era demasiado importante para eles e que não implementavam isto no verão», comparou.
«Não foi esse o trajeto político que decidimos tomar. Estamos a tomar uma decisão mais equilibrada, digamos assim. Ou seja, não deixando de implementar o sistema, ele é desligado quando as filas começam a acumular», explicou.
Ainda assim, a easyJet apelou que essa suspensão aconteça «numa fase mais precoce». «Que não se deixe que as filas cheguem ao extremo», pediu José Lopes.
O Ministério da Administração Interna (MAI) esclareceu, no final de maio, que cabe à Polícia de Segurança Pública (PSP), enquanto autoridade de fronteira, decidir a suspensão temporária da recolha de dados biométricos nos aeroportos em situações de espera excessiva. A medida de contingência tem duração máxima de seis horas.

Investimento «poderia ter sido feito há mais tempo»
José Lopes considerou também que «o investimento poderia ter sido feito há mais tempo, porque isto já era para ter entrado em outubro de 2024. Houve muito tempo e, na altura, já havia quem estivesse preparado. Nós temos vindo sempre a alertar que não era o caso», recordou.
O responsável apontou a necessidade de reforçar efetivos, aumentar postos de controlo e melhorar os equipamentos usados no processo.
«Também pedimos que os investimentos que o Governo tem vindo a fazer no número de efetivos, que a ANA tem feito no aumento do número de postos, e as máquinas, que se calhar deviam ser melhores e mais eficientes do que as que acabaram por ser compradas, sejam acelerados», afirmou.
«É o cartão de visita que os passageiros levam. Recebem uma péssima experiência, quando demoram três horas ou duas horas a passar o controlo fronteiriço», disse.
O que está em causa, acrescentou, não se limita à operação aérea. «A nossa preocupação, não só como companhia, mas também pelo turismo em Portugal, que é uma parte importante do nosso Produto Interno Bruto, deve ser salvaguardar a imagem do país», afirmou.
E o que se passa no resto da Europa não deve servir de bitola. «Com o mal dos outros países europeus lidamos bem, mas temos de proteger uma atividade que, no caso de Portugal, é fundamental para a nossa economia», disse.
«Temos de continuar a gerir um tema que não é fácil, com flexibilidade e bom senso. Acho que se está a alinhar nesse sentido, mas tem de continuar a haver investimento para melhorar a experiência que se dá aos passageiros. Isso é fundamental», concluiu.
A easyJet opera 18 rotas no Algarve durante o verão de 2026, oferece 1,7 milhões de lugares na região neste período e é a segunda maior companhia aérea no Aeroporto de Faro.