A Fortaleza de Santa Catarina de Ribamar, em Portimão, é tema de uma palestra promovida pelo Instituto de Cultura Ibero-Atlântica (ICIA), no Museu de Portimão, dia 27 de junho, às 18h00.
Integrada no ciclo «Percursos de Memória, Identidade e Poder», com curadoria de Maria da Graça A. Mateus Ventura, a sessão será conduzida pela arqueóloga Bruna Ramalho Galamba, investigadora do Centro de Humanidades (CHAM) da Universidade Nova de Lisboa.
Sob o tema «Ler uma Fortaleza Moderna: Arqueologia da Arquitetura e a História da Fortaleza de Santa Catarina de Ribamar (Portimão)», a palestra propõe uma visão integrada deste monumento através das metodologias da arqueologia da arquitetura, evidenciando o seu papel nas estratégias defensivas da costa algarvia entre a Época Moderna e a contemporaneidade.
Concebida no contexto das vulnerabilidades da costa portuguesa após a perda de praças no Norte de África e da intensificação de ataques de piratas e corsários, a fortaleza surge no século XVII como resposta a um sistema defensivo em transformação.
Através da articulação entre fontes documentais, levantamento fotogramétrico e análise estratigráfica do edificado, demonstra-se como este monumento, frequentemente negligenciado pela historiografia, constitui um arquivo material complexo, marcado por sucessivas campanhas construtivas, eventos chave e adaptações funcionais.
A palestra explorará ainda o impacto de fenómenos naturais (como os terramotos do século XVIII) e de processos antrópicos, incluindo a adaptação ao turismo no século XX, na transformação da estrutura e da sua leitura arqueológica.
Por fim, discute-se o contributo da arqueologia da arquitetura para o estudo do património militar, defendendo a necessidade de abordagens interdisciplinares para compreender, valorizar e requalificar estes espaços históricos.
Bruna Ramalho Galamba é doutoranda em Arqueologia Marítima na Universidade Nova de Lisboa e desenvolve investigação dedicada às fortalezas marítimas do Algarve entre os séculos XV e XVIII. Atualmente exerce funções como arqueóloga diretora na Clay Arqueologia e integra o CHAM como investigadora.
A entrada é livre.