Profissionais e utentes alertam para risco iminente de saída de equipa médica e enfermagem por falta de obras prometidas pela Câmara Municipal de Portimão.
Portimão enfrenta uma crise iminente na área dos cuidados de saúde primários. Segundo fonte da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, cerca de 12.500 utentes do concelho estão em risco de perder o médico de família, «devido à inação da autarquia» em realizar obras essenciais para a abertura de uma nova Unidade de Saúde Familiar (USF).
A equipa médica e de enfermagem necessária para a entrada em funcionamento da USF «já está constituída e pronta a iniciar atividade há um ano». No entanto, a unidade permanece encerrada por falta de pequenas intervenções nas instalações, avaliadas em menos de 5 mil euros, cuja execução depende da Câmara Municipal de Portimão.
As obras, segundo a mesma fonte, foram solicitadas há cerca de um ano, mas continuam por realizar, colocando em causa o compromisso assumido com os profissionais de saúde. A continuar, esta situação poderá levar ao abandono do projeto por parte da equipa médica e enfermagem, que poderá sair do município devido à falta de condições para iniciar funções.
Caso tal se verifique, os 12.500 utentes que aguardavam integração na USF «juntar-se-ão aos milhares de residentes» em Portimão que continuam sem médico de família, agravando ainda mais o acesso a cuidados de saúde no concelho.
A mesma fonte, que representa um grupo de médicos e enfermeiros preocupados, lamenta «o silêncio e desinteresse da autarquia têm gerado crescente preocupação entre os profissionais de saúde e os utentes, que veem nesta situação uma grave negligência dos cuidados básicos a que têm direito».
Por sua vez, a Câmara Municipal de Portimão (CMP), ouvida pela nossa redação, revela só recentemente ver «conhecimento da insatisfação dos profissionais de saúde», embora, ao que o barlavento apurou, o problema remonta, pelo menos, a outubro último.
«Estas competências do Centro de Saúde são relativamente recentes, e a CMP tem feito tudo o que pode para resolver os problemas que surgem. Temos trabalhado com todos para arranjar soluções e aumentar, e muito, a capacidade de resposta. Ninguém está de braços cruzados. É claro que há motivo de preocupação, mas estes assuntos requerem tempo e não se resolvem de um dia para o outro. Há concursos públicos que têm que ser lançados, e muitos destes atrasos decorrem das demoras com a contratação. Não podemos fazer como no privado, há regras e procedimentos a seguir», justifica fonte do município.
Sobre a abertura na nova USF, o assunto vai esta semana à reunião de câmara. Em cima da mesa está um possível «contrato de arrendamento para a antiga casa mortuária da Santa Casa da Misericórdia».
O arrendamento permitirá que «certos serviços do Centro de Saúde sejam relocalizados, abrindo caminho para a abertura da nova USF», embora, «não seja um processo simples», remata a fonte da autarquia portimonense.