Com casa cheia de militantes, autarcas e simpatizantes do Partido Socialista (PS), Jamila Madeira elencou as prioridades para a região: a saúde, a seca e a habitação. E acusou a oposição de ter «uma relação muito difícil com a verdade».
O auditório da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve foi pequeno para a entusiástica recepção a Pedro Nuno Santos, no comício de ontem à noite, em Faro. A temperatura entre os socialistas aqueceu e o tom dos discursos também, com Jamila Madeira a não poupar críticas à oposição.
A cabeça de lista pelo Algarve começou por referir que «alguns querem condicionar, promovendo em tempo de debate político, em tempo de democracia, em tempo de liberdade, em que é o voto quem mais ordena. Querem condicionar, mas não conseguem, promovendo manifestações e exercendo coação sobre dirigentes do PS e bullying sobre o comum dos cidadãos».
«Não andamos na campanha a conhecer os problemas do Algarve ou a visitar o Algarve, com palavras vãs e de circunstâncias que o vento levará até Cascais. Andamos, sim, porque conhecemos bem os problemas: a saúde, a seca e a habitação», que são os «três elementos-chave» do programa, disse Jamila Madeira.
Sobre a saúde, a candidata afirmou o compromisso de concretizar o novo hospital Central do Algarve, que já tem um perfil assistencial aprovado, um «caminho difícil», mas em curso.
«A saúde é, foi e será a nossa primeira prioridade. Sem saúde não há dignidade, não há liberdade, não há capacidade de produzir e de fazer enriquecer a crescer uma região. Queremos cumprir. E perante isto que diz o PSD? Com a falta de respeito [pelos algarvios], de quem nada fez, de quem tudo parou, de quem tudo suspendeu, veio, lamentavelmente, desdenhar estes passos em frente», acusou.
«O caminho em prol do novo hospital central do Algarve é e foi difícil, mas está ao nosso alcance e por isso mesmo, a direita quer derrubá-lo. Quer derrubá-lo, mas não passarão as intenções de destruir. Este importante investimento acontecerá na nossa região», afirmou.
Jamila Madeira lembrou ainda os investimentos recentes nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no Algarve, na ordem dos 28 milhões de euros, «em termos de qualidade e tecnologia, que permitiram ter cinco novas especialidades médicas que não tínhamos anteriormente. E que nos permitiram reforçar com mais de 500 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos auxiliares de diagnóstico dar mais qualidade e fazer mais assistência clínica e cirúrgica».
E também os «mais de 50 milhões de euros nos cuidados de saúde primários» investidos da região, enquanto o novo hospital central não é construído.
«A nossa oposição tem uma relação muito difícil com a verdade e, por isso, desdenha todo este trabalho. Diz que não há obra em projeto, não há obra em construção, não há obra em conclusão», criticou.
«A única proposta que o PSD fez sobre a saúde do Algarve foi tornar a privatização de toda a ULS [Unidade Local de Saúde], tornando-nos numa verdadeira cobaia daquilo que querem fazer ao país. privatizar o SNS. Isso, não vamos deixar», afirmou Jamila Madeira.
Outro ponto sensível do discurso foi a referência à realidade do mercado de trabalho. «Sabemos que as questões salariais são muito sensíveis. Temos custos de vida superiores à média e salários abaixo da média. Temos procurado contribuir, no quadro do acordo de concertação plurianual de rendimentos, onde há também acordos coletivos de trabalho, e tentar convergir, para que tenha também impacto no Algarve. Hoje, apesar de ainda com poucos meses de duração desse acordo em vigor, podemos dizer que o salário médio na região cresceu +34 por cento, ou seja, 322 euros desde 2015, que as pensões de reforma cresceram 45 por cento desde o início do governo, em 2015. E que a par destes elementos, podemos também dizer que o desemprego registou menos 47 por cento desde 2015», comparou.
Já sobre outra questão central na vida dos algarvios, Jamila Madeira refere que «só com um forte parque de habitação pública é possível dar resposta àquelas e àqueles que trabalham e que vivem do seu salário. O PSD não defende isso. O PSD, para quem não os ouviu, basta voltar e rebobinar muitos dos seus discursos. A única coisa que diz é que o mercado resolve. Não, o mercado não resolve. O mercado promove o lucro, naturalmente».
A cabeça de lista reafirmou também a promessa do secretário-geral do PS, de eliminar as portagens nas ex-SCUT do interior e Algarve.
«A melhoria da qualidade de vida e o futuro e o compromisso com o futuro implica mobilidade sustentável. Todos nós sabemos que a mobilidade integrada na nossa região é algo muito débil. Sabemos quão crítica a Via do Infante é, um eixo indispensável à nossa vida, à nossa atividade económica. E por isso mesmo, acabar com as portagens na A22 é uma das principais medidas do Partido Socialista», sublinhou.
«Entre 2015 e 2024, segundo a oposição, não fizemos nada, mas já agora, recapitulando, o PS diminuiu em 60 por cento o valor das portagens. Agora assumimos o compromisso de eliminar de imediato a cobrança de portagens na A22», disse.
«Bem, não será preciso muito para entender o que pretende o PSD, que como sempre, defende o princípio do utilizador-pagador. O que o PSD pretende é que todos façam a sua triagem pela carteira e nunca pelo bem-estar social de todos».
Jamila Madeira referiu ainda a eletrificação da ferrovia na Linha do Algarve, que está «a acontecer», assim com o projeto do Metrobus que ligará Faro, Loulé e Olhão, com conexão à Universidade e ao Aeroporto, e que promete mudar o «paradigma da mobilidade».
Por fim, sobre a seca e a problemática da água, lembrou que o PRR tem 237 milhões de euros para financiar o primeiro plano de eficiência hídrica do país.
«Este dinheiro não é fictício e as suas obras também não. Prevê uma dessalinizadora com 1/3 de garantia para consumo humano, a captação no Pomarão, a captação que ligará o Alqueva a Santa Clara e à barragem da Bravura. Permitirá reduzir as perdas, promover uso de águas residuais para campos de golfe e outros usos diversos. E também o estudo da barragem da Foupana, entre muitas outras soluções que estão em curso», resumiu.
Por outro lado, «aquilo que a oposição nos apresenta é zero. Tivemos um debate entre todas as forças políticas que se apresentam nestas eleições legislativas e nem uma apresentou alternativas. Mas todas dizem que está mal. Não admitimos que outros desdenhem sem apresentar uma única solução».
«Prosseguiremos este caminho com Pedro Nuno Santos, de um Portugal de excelência desenvolvido, justo, solidário e com oportunidades para todos, sempre por um Algarve mais coeso, por um Portugal inteiro», concluiu.











