Monchique terá, por fim, um parque de acolhimento empresarial para motivar o investimento e fixar empresas no concelho, garantiu Rui André, presidente da Câmara Municipal, em declarações ao «barlavento».
«Comprámos o terreno há pouco tempo, e portanto, vamos ver se até ao final do ano a obra arranca, em termos de construção efetiva», afirmou o autarca. O projeto não deverá demorar a tomar forma, e como não implica grandes construções, será uma intervenção simples e rápida.
Assim, na zona conhecida por Carreirinha das Moças, junto aos armazéns camarários, serão criados 12 lotes que podem ser aplicados para dinamizar indústria e o comércio, até porque terá espaços de menor dimensão. «A Câmara já tinha uma parte do terreno naquela localização e agora adquiriu a restante.
Já foi comprado, escriturado e pago», afiançou Rui André, sublinhando que tudo indica que as obras podem ser iniciadas ainda em 2015. «Depois há os arruamentos, as infraestruturas necessárias, que têm que ser construídas, mas no próximo ano já deve estar tudo a funcionar», explica.
Este é um projeto acarinhado pelo edil de Monchique, pois é também a realização de algo que a população do concelho deseja há muito.
O novo parque empresarial «vai estar associado a um ninho de empresas, para startups», adianta ainda o autarca, mas a certeza é que haverá benefícios, sobretudo no que toca à empregabilidade, para quem opte por Monchique para instalar novos negócios. «Em princípio, pagaremos um mês de ordenado, no caso do empresário contratar uma pessoa local. É um apoio direto à contratação, mas temos algumas medidas» idealizadas, a divulgar mais tarde.
Apesar do concelho de Monchique não ser dos mais afetados pelo desemprego, pois segundo os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) avançados por Rui André, apenas cinco por cento da sua população está desempregada. Este novo projeto vem dar esperança a quem está à procura de trabalho.
No total, segundo as últimas estatísticas de julho, o concelho tem menos de 300 desempregados, estando 150 nas faixas etárias intermédias (30/50 anos) e os restantes «nas franjas, ou seja, ou à procura do primeiro emprego e sem experiência profissional ou acima dos 50 anos», avançou Rui André.
O parque empresarial é apenas um dos exemplos do plano ambicioso que o autarca prepara e que será apresentado em breve, já que, «após a construção desta infraestrutura, será possível dar mais um passo em frente» na dinamização do concelho.
Rui André quer fazer balanço do mandato
«Estou a dois anos de concluir este mandato, e também estou a meio do total que posso cumprir, ou seja, 12 anos», começa por explicar Rui André, presidente da Câmara de Monchique, ao «barlavento».
É altura de efetuar um balanço, que passa por avaliar o que foi feito até agora, numa primeira fase, e do que ainda será levado a cabo, numa segunda fase. Levantando um pouco o véu, Rui André revela que avaliará o que a Câmara de Monchique, durante a sua liderança, fez para resolver uma série de problemas, quer a nível das estruturas, das finanças ou de recursos humanos. Ou seja, o que fez para arrumar a casa e para otimizar recursos, desde que chegou à Câmara em 2009.
Ao olhar para o passado, Rui André enumera diversos projetos de ação social, de apoio às Instituições Particulares de Solidariedade Social, e de construção de novas valências no concelho. «Abri um lar em Marmelete, um centro de dia no Alferce, criámos uma série de produtos na área social. Criámos a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, elaborámos um plano gerontológico, apoiámos as escolas, as crianças e os jovens desde o nascimento até à universidade», lista o autarca.
Por ser um concelho do interior serrano, ainda que muito visitado por turistas, cada vez mais, a população é envelhecida, havendo um crescimento da desertificação. Para incentivar a fixação de jovens, há programas como o «Habita Jovem», através do qual a autarquia dá até 15 mil euros de incentivo a um jovem que queira comprar uma casa e recuperá-la. Basta que tenha até 40 anos ou, no caso de ser um casal, que juntos não tenham mais do que 80 anos.
A segunda parte do balanço destinar-se-á a assinalar o que ainda faz falta, quais os constrangimentos, os problemas ou os desafios que vão obrigar a um reforço.
«Para a manutenção da rede viária não há fundos de apoio, por isso temos que fazê-la com fundos próprios. E agora o que é manter 3 mil quilómetros de estradas, sem dinheiro», questiona Rui André, que sente no dia a dia estes desafios. «E estamos a falar de algumas estradas onde, às vezes, passa um carro por semana», exemplifica.
Mas será também nesta altura que Rui André quer mostrar o que está na calha para o emprego, a dinamização da requalificação urbana, através de uma sociedade de regeneração urbana que envolva as pessoas, tentando incentivar, criar emprego e uma dinâmica diferente. O turismo continuará a ser uma aposta, com quatro segmentos bem estruturados: natureza, saúde e bem estar, gastronomia e cultura. «Defini muito bem, a nível de agenda, o que quero para cada um destes quatro eixos, quais as ambições a curto e longo prazo e, neste momento, estamos a consolidar cada um deles»,
desvendou.
A ideia de apresentar um balanço já foi à Assembleia Municipal e contou com o acordo de todos os partidos. Aliás, o autarca está a dar cartas na diplomacia. Apesar de ter maioria na Câmara, organiza uma conferência de líderes. Isto é, todos os documentos que devem ser sujeitos a votos na Câmara ou Assembleia Municipais são primeiros colocados à discussão neste grupo. Há abertura para sugestões, alterações, ideias. «É uma forma diferente de estar na política, com maior envolvimento. Não vale a pena conflito, pois somos poucos, as ideias não são assim tão diferentes», justificou o edil.