Em vésperas de eleições, muitos continuam em dúvida sobre em que partido votar. Infelizmente, nesta democracia em que vivemos, os partidos políticos «pequenos» praticamente não têm tempo de antena. Isso impede que os seus programas e propostas eleitorais cheguem à maioria dos cidadãos.
Por outro lado, os «grandes» partidos que, durante anos, têm estado no Parlamento pouco falam das suas propostas, apostados que estão em falar do passado e do que fizeram, ou não, para aprofundar a democracia, a cidadania e a responsabilidade política que todos, enquanto cidadãos, temos no dia a dia.
O «Livre/Tempo de Avançar» é constituído por cidadãos. Homens e mulheres que decidiram levar por diante um projeto consistente, progressista e de futuro. Por isso, os candidatos foram eleitos pelos cidadãos nos 22 círculos uninominais e o seu programa eleitoral foi, também, construído pelos cidadãos.
É, por isso, a grande e verdadeira novidade que se apresenta aos eleitores. E, sim, queremos estar sentados no Parlamento para obrigar a que as decisões que são tomadas na casa do povo sejam isso mesmo, a favor do povo.
E sim, entre estes cidadãos que agora são candidatos, alguns de nós já pertencemos a partidos chamados da «alternância» e outros a partidos que sempre estiveram na oposição.
Temos que ter a coragem de estar nos momentos cruciais do país. À mesa das negociações, para defender a dignidade dos portugueses. Temos que ter a coragem de exigir que os direitos e as condições de vida de 99 por cento dos cidadãos estejam em primeiro lugar que os interesses do restante 1 por cento.
E por isso assumimos, com coragem e sem medo, que estamos disponíveis para fazer «pontes» com todos os partidos de esquerda. Ser de esquerda não é «acenar a bandeira» quando nos convém. Ser de esquerda é estar disponível para encontrar as melhores e mais justas soluções para as pessoas. Ser de esquerda é defender a escola e a saúde públicas e impedir a sua degradação para paulatinamente ser entregue aos privados.
É exigir que as pessoas não sejam apenas um número numa folha de cálculo onde está registado quanto contribui ou quanto deve. É ter uma solução que passa por um plano de resolução (o tal que existe para os bancos mas que é negado às pessoas) que nos permita continuar a viver com dignidade. É defender o acesso à cultura para todos.
É defender e manter o nosso património construído por todos e colocado à venda ao desbarato. É exigir a reestruturação de uma dívida que não é da responsabilidade dos cidadãos. E cuja insana loucura dos dirigentes do PSD e CDS teimam em querer atribuir. Os quatro últimos anos foram miseráveis.
Atiraram os portugueses para a miséria económica e social. A exclusão decorrente do desemprego é uma miséria social pelos cortes relacionais e sociais que impõe. As políticas deste governo destruíram quatro gerações de portugueses: as crianças que, mal nutridas, são impedidas de aprender e condenadas à condição de potenciais doentes precoces; a geração entre os 20 e os 30 anos, porque se vêm na obrigação de voltar ou continuar a viver com os pais, não constituem família, e são forçados a aceitar qualquer estágio que, quando termina, ou vão para o desemprego ou são obrigados a aceitar um emprego precário e mal pago. A geração entre os 40 e os 55 que querem ajudar os filhos e passam por dificuldades.
Ou porque estão desempregados, porque são considerados demasiado «velhos» para trabalhar. E finalmente, a geração dos 65 e mais anos, cuja reformas foram cortadas e com elas o acesso à saúde, aos medicamentos, à alegria de viver os últimos anos com… vida! Estamos perante políticas que levaram à morte física e social de milhares de pessoas.
E, neste contexto, impõe-se a reflexão. No dia 4, voto nos mesmos, nos que têm estado no poder e/ou na confortável situação de eterna oposição ou, pelo contrário, vou votar naqueles que, sendo a novidade, transportam as preocupações, revoltas e desilusões deste marasmo político.
Opinião de Guadalupe Simões | Enfermeira e dirigente do Sindicado dos Enfermeiros Portugueses (SEP)