As novas previsões económicas da OCDE colocam Portugal a crescer 1,9% este ano e em 2026, e o regresso a uma situação de défice orçamental no próximo ano para um valor equivalente a 0,3% do PIB.
Portugal vai crescer menos este ano do que o previsto inicialmente pelos analistas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e voltar a uma situação de défice orçamental em 2026, tal como já antecipado pelo Banco de Portugal em dezembro e pelo Conselho de Finanças Públicas em abril.
Segundo o OCDE Economic Outlook publicado esta terça-feira, a equipa de analistas liderada por Álvaro Santos Pereira projeta que o PIB de Portugal cresça 1,9% este ano e no próximo — menos 0,1 pontos percentuais face às anteriores projeções publicadas há seis meses, e fechar as contas do próximo ano com um défice orçamental equivalente a 0,3% do PIB.
«O crescimento está a abrandar», alerta a organização, sinalizando que após um arranque «robusto» de 2,8% no quarto trimestre de 2024, a economia já mostrou sinais de arrefecimento no primeiro trimestre deste ano, com o PIB a expandir apenas 1,6%. As novas previsões da OCDE ficam assim abaixo das expectativas do Banco de Portugal, que apontam para um crescimento do PIB de 2,3% este ano e de 2,1% no próximo.
No plano das finanças públicas, as previsões da OCDE apontam para uma forte revisão em baixa, com os analistas a anteciparem um défice orçamental de 0,3% do PIB no próximo ano, depois de em dezembro a OCDE ter colocado as contas públicas com um excedente de 0,2% do PIB em 2026.
Apesar deste corte, as novas previsões da OCDE revelam-se mais otimistas do que as expectativas do Conselho de Finanças Públicas, que recentemente apontou para um défice de 1% do PIB no próximo ano, mas ligeiramente piores que as previsões do Banco de Portugal, que apontam para um défice de 0,1%. Mas todas estas previsões – OCDE, Banco de Portugal e Conselho de Finanças Públicas — esbatem no otimismo do governo que continua a vaticinar contar positivas tanto em 2025 como em 2026.
As novas estimativas da OCDE surgem num contexto de deterioração das perspectivas económicas mundiais, com a organização a prever que o crescimento global desacelere dos 3,3% registados em 2024 para uns «modestos 2,9%», tanto em 2025 como em 2026.
Segundo os analistas da OCDE, o principal fator de preocupação para a economia nacional reside na evolução das exportações, que enfrentam ventos contrários tanto externos como internos.
«Prevê-se que o crescimento das exportações continue a abrandar devido ao abrandamento da procura mundial, ao aumento das barreiras comerciais e a uma tarifa de 10% aplicada pelos EUA aos produtos portugueses, incluindo o aço e os automóveis», escrevem os analistas no relatório.
Esta combinação de fatores – procura global em abrandamento, crescentes barreiras comerciais e tarifas americanas de 10% sobre produtos portugueses – representa um desafio significativo para a economia nacional, que é tradicionalmente dependente do comércio externo.
Segundo as previsões da OCDE, as exportações passarão de um crescimento de 3,4% em 2024 para apenas 1,3% este ano e 2,6% em 2026. Já as importações deverão passar de um crescimento de 4,9% em 2024 para 2,3% este ano e 2,7% no próximo.
Foto: Bruno Filipe Pires