«É tão importante construir hotéis como habitação para quem precisa de cá viver. Assim como é preciso constituir empresas turísticas como outras, que suportem esta atividade», resumiu António Ramalho, CEO do Novo Banco, durante um jantar de trabalho com a imprensa regional, que teve lugar no Hotel Faro, na terça-feira, 19 de fevereiro.
O «barlavento», em representação do grupo editorial Open Media, foi um dos meios de comunicação convidados para conhecer os resultados do estudo económico realizado por aquela instituição bancária à região, em 2018.
«De forma resumida, os níveis de crescimento do Algarve são bons, mas muito assentes no turismo. E aqui há uma limitação clara, que é a falta de pessoas ativas, para conseguirem responder às exigências do turismo. Não tivemos ainda a arte e engenho de criar a oferta de serviços complementares ao turismo que, de alguma maneira, reduza a importação de bens e potencie maior consistência na oferta da cadeia de valor que o turismo permite», defendeu. «Verificamos sinais positivos na construção e no imobiliário, mas depois, faltam certos bens e serviços complementares», evidenciou.
«Os grandes desafios para o Algarve centram-se em potenciar esta estrutura de turismo que tem criando mais RevPAR [do inglês Revenue per Available Room, ou receita por quarto disponível], ou seja, criar uma melhor oferta aos turistas e, ao mesmo tempo, conseguir que o efeito multiplicador desta indústria se espalhe mais pela região, e não sob a importação de outras congéneres do país», defendeu.
Contudo, «as taxas de crescimento do Algarve ao longo dos últimos anos têm sido superiores à média do resto do território». Pelo menos, desde 1995 que o Produto Interno Bruto (PIB) algarvio tem aumentado, sendo a «segunda região de Portugal, logo a seguir a Lisboa, acima da média nacional», revelou. O Algarve «vive de serviços e cada vez mais», pois o sector perfaz atualmente 87 por cento da totalidade do Valor Acrescentado Bruto (VAB), comparativamente aos 75 por cento da média nacional.
«O crescimento tem, no entanto, uma questão limitadora muito grande que é a falta de pessoas. É a limitação ativa mais relevante em todas as nossas análises», sublinhou. Além disso, o Algarve tem problemas demográficos. «Há uma redução da população em idade ativa» que restringe o crescimento do potencial produtivo.
António Ramalho apontou ainda «uma situação particularmente curiosa». O Algarve concentra «a maior população estrangeira residente» em Portugal. «ronda os 15,7 por cento, um valor muito mais alto do que a média portuguesa. E temos várias nacionalidade como o Brasil, Roménia, Ucrânia, Reino Unido, França» a liderar o topo da tabela.
Ainda assim, «faltam pessoas, nacionais ou estrangeiras, que possam levar a um crescimento consistente do PIB. Queiramos ou não, o elemento demográfico é absolutamente determinante do crescimento económico», defendeu.
«Esta dificuldade reflete-se na taxa de desemprego» que atingiu 6,4 por cento da população ativa em 2018, registando uma descida mais acentuada que no conjunto do país. Ainda assim, «a remuneração média do trabalhador per capita é menor que a média do país», comparou.
Um indicador positivo apontado pelo CEO do Novo Banco é o facto de as empresas do Algarve, ao longo dos últimos 10 anos, terem crescido «o dobro da média nacional».
E em termos de volume de negócios destaca-se sobretudo o grande cluster da restauração. Contudo, a constatação final é que «nos últimos anos, o Algarve continua a crescer em sectores onde já é forte», e por isso, «não tem acrescentado muito à diversificação das suas atividades», criticou António Ramalho. Continua assim forte sobretudo em áreas como comércio por grosso e a retalho, alojamento e restauração e construção.
Outro aspeto significativo da economia algarvia diz respeito aos proveitos do turismo que «estão em crescimento, mas em desaceleração. O défice da balança comercial revela a necessidade dessa maior diversificação sectorial». Ou seja, segundo o responsável bancário, no cômputo global, «o Algarve tem uma balança comercial muito negativa porque os bens importados, têm valores muito altos». A capacidade de importações é muito superior relativamente à de exportações, revelando uma grande dependência exterior.
«O turismo é uma extraordinária estrutura de alavancagem pois cria transacionabilidade em bens que não são transacionáveis, como o território e a natureza, mas depois desperdiçamos uma grande parte do efeito multiplicador que o turismo tem, por não produzirmos internamente o que o turismo exige», concluiu.
Novo Banco Summit do Algarve encheu auditório dos Salgados
A Herdade dos Salgados, em Albufeira, acolheu o Novo Summit do Algarve, na quarta-feira, dia 20 de fevereiro. Foi a quarta iniciativa, depois de Braga, Viseu e Leiria. O objetivo é destacar, ao nível regional, empresários, negócios e entidades relevantes, através do programa «Os Nossos Campeões», apresentado em parceria com o canal SIC Notícias.
Assim, mereceram distinção da instituição bancária Joana Schenker, campeã do mundo de bodyboard, Carlos Leal, CEO do Pine Cliffs resort, Pedro Lavia, fundador do Zoomarine, Pedro Madeira, diretor da Frusoal, Richard Marques, comandante dos Bombeiros de Portimão, Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve e Noélia Jerónimo, chefe de cozinha e empresária de Cabanas de Tavira.
As entrevistas às personalidades foram conduzidas pela jornalista Clara de Sousa, e cada homenageado teve oportunidade de explicar de que forma o Algarve reúne as condições para que pudessem prosperar de forma tão positiva nas suas diferentes áreas.