Uma diferença de quatro votos na freguesia de Barão de São Miguel, em Vila do Bispo, estragou o pleno de Marcelo Rebelo de Sousa nos resultados eleitorais das últimas presidenciais 2016, que levaram os portugueses às urnas no passado domingo, 24 de janeiro.
Esta pequena freguesia da Costa Vicentina decidiu dar a vitória a Sampaio da Nóvoa. A única, aliás, porque nas restantes 66 freguesias algarvias, Marcelo Rebelo de Sousa arrebatou as eleições. Ainda que, no Algarve, porém, os resultados não lhe dessem uma vitória à primeira volta.
Já a nível nacional, Marcelo conseguiu ser eleito à primeira volta, sendo assim o novo Presidente da República, eleito com um total de 51,99 por cento (2403879 votos) num total de 3091 freguesias (pois numa delas houve boicote).
O candidato que se apresentou nestas eleições como independente, embora apoiado pelo PSD e CDS-PP, sucede a Aníbal Cavaco Silva, estando a tomada de posse marcada para terça-feira, 9 de março.
Sampaio da Nóvoa ficou em segundo lugar com 22,9 por cento (1058705 votos), sendo Marisa Matias a grande surpresa da noite. A candidata do Bloco de Esquerda reuniu 10,13 por cento dos votos (468414).
Em quarto lugar ficou Maria de Belém (4,24 por cento), um resultado muito abaixo das expetativas desta candidata apoiada por alguns militantes do PS, seguida por Edgar Silva, o candidato apoiado pelo Partido Comunista Português (PCP), que não foi além dos 3,95 por cento, aliás, com uma reduzida vantagem sobre Vitorino Silva (3,29 por cento).
O candidato mais conhecido por «Tino de Rans» ficou, inclusive, à frente da retórica anti-corrupção de Paulo Morais (2,15 por cento) e até de candidatos como Henrique Neto, que não foi além de uns dececionantes 0,84 por cento, Jorge Sequeira (0,30 por cento) e Cândido Ferreira (0,23 por cento).
Nestas eleições presidenciais, a nível nacional, votaram 4726312 pessoas (50,08 por cento), de um total de 9438304 inscritos. Houve 58574 votos em branco (1,24 por cento) e 43718 votos nulos (0,92 por cento).
No discurso da vitória, Marcelo Rebelo de Sousa saudou «o povo português» por lhe dar «a honra» de o eleger e louvou Aníbal Cavaco Silva, bem como os anteriores Presidentes da República, afirmando que respeita «os antecessores». Os cumprimentos estenderam-se, aliás, aos outros candidatos.
No seu primeiro discurso após a eleição presidencial, ainda no passado domingo, 24 de janeiro, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou algumas das ideias base para o país, sublinhando que teve uma «candidatura independente» e prometendo que será um «Presidente livre e isento» na defesa dos interesses da população.
Para o recém eleito Chefe de Estado será necessário «fomentar a unidade nacional», pois «um país não se pode dar ao luxo de desperdiçar energias». «Quanto mais coesos formos, mais fortes seremos», defendeu.
Marcelo sublinhou que será «empenhado e atuante, olhando para os mais pobres e desprotegidos, que vivem na periferia da sociedade, de que fala o Papa Francisco». Afirmou ainda que é necessário «incentivar o relacionamento entre órgãos de soberania e agentes económicos e sociais».
«Temos de conciliar justiça social com crescimento económico e estabilidade financeira», acrescentando que «vivemos um tempo de incerteza que não é fácil. Um tempo de imprevisibilidade», sendo preciso «agir com prudência» e crescer de forma sustentada. «No tempo que aí vem, a opção é clara. Ou crescemos economicamente de forma sustentada, ou só contribuiremos para agravar as tensões sociais e os radicalismos políticos», argumentou.
Marcelo Rebelo de Sousa disse também acreditar «que os próximos cinco anos não serão tempo perdido. Serão um tempo de recuperação e de futuro». «Foi por isso que me candidatei», justificando esta opção por acreditar «em Portugal e nos portugueses».
Números finais no Algarve
No distrito de Faro, a contagem das 67 freguesias deu a vitória a Marcelo Rebelo de Sousa com 47,62 por cento (76560 votos). O candidato Sampaio da Nóvoa ficou em segundo lugar no Algarve, com 23,83 por cento (38311 votos). Acompanhando os resultados do resto do país, Marisa Matias, a candidata do Bloco de Esquerda (BE), foi a surpresa da noite eleitoral, conquistando 13,78 por cento (22155 votos). Maria de Belém, apoiada por alguns militantes do Partido Socialista (PS) mereceu 4,40 por cento (7071 votos), um resultado que a empurra para o quarto lugar na região algarvia.
Edgar Silva, o candidato do Partido Comunista Português (PCP) obteve 3,55 por cento (5710 votos). Paulo de Morais obteve 2,69 por cento (4767 votos), enquanto Vitorino Silva conquistou 2,67 por cento (4290 votos). De entre os candidatos que não chegaram a atingir um por cento, destaca-se Henrique Neto, que obteve apenas 0,71 por cento (1144 votos), seguido de Cândido Ferreira e Jorge Sequeira, ambos com 0,24 por cento (392 e 379 votos).
No total, no Algarve votaram 164669 pessoas, de um universo de 371330 inscritos, representando os votantes 44,35 por cento. Houve ainda 1,37 por cento (2251 votos) de votos em branco e um por cento (1639 votos) nulos. O grande destaque da noite eleitoral fica para os 60,1 por cento de abstenção registados em Olhão, enquanto 55,65 por cento não foram votar.
Nos números oficiais da região é ainda de registar que Marcelo Rebelo de Sousa obteve o seu resultado mais baixo em Aljezur (37,19 por cento), concelho que por tradição dá grandes vitórias ao Partido Socialista, e o mais alto em Loulé (55,77 por cento).
Sampaio da Nóvoa ficou em segundo em todos os concelhos algarvios conquistando votos entre os 20,50 por cento, em Aljezur, e os 28,25 por cento. Marisa Matias foi a terceira preferida dos algarvios, exceto em Alcoutim onde Maria de Belém ficou à sua frente com 8,23 por cento contra os 8,07 por cento da candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda. Marisa Matias conseguiu, por exemplo, 16,75 por cento em Olhão, 16,1 por cento em Lagoa e 16 pontos percentuais em Vila Real de Santo António.
Sandra Correia acredita que «Portugal ficou a ganhar»
A mandatária de Marcelo Rebelo de Sousa no Algarve, Sandra Correia, a conhecida empresária que deu nova vida à cortiça e criadora da marca Pelcor, disse ao «barlavento» que ficou «muito feliz com a vitória do professor Marcelo nas últimas eleições presidenciais, porque Portugal ficou a ganhar». «Aceitei ser mandatária distrital da sua campanha, porque acredito em palavras como clarividência, diálogo, afetos, unidade, carisma, moderação, experiência». A empresária afirma ainda que todos estes termos «são aplicáveis a Rebelo de Sousa». Por isso mesmo, Sandra Correia revela que sente que cumpriu «na perfeição o que foi pedido», porque se revê nestas mesmas palavras. «Portugal está em boas mãos e, sobretudo, tem agora um Presidente sábio que vai trazer o equilíbrio que todos nós precisamos», concluiu.