Federação de Bombeiros e AMAL alertam hoje que as esperas hospitalares retiram meios ao socorro e pedem maior articulação entre a ULS Algarve, o INEM e os bombeiros da região.
A Federação de Bombeiros do Algarve e a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) alertam que a retenção de ambulâncias nas urgências da Unidade Local de Saúde do Algarve está a comprometer a resposta de emergência pré-hospitalar na região.
Um levantamento efetuado junto dos corpos de bombeiros regista tempos máximos de retenção que chegam às oito horas. Entre os dados divulgados constam ainda médias até 2h59 por ambulância, acumulados de 69h47 num único corpo de bombeiros e até 33 episódios de retenção.
Segundo o comunicado das duas entidades, várias ambulâncias permanecem diariamente durante horas junto dos serviços de urgência, enquanto aguardam que os doentes sejam transferidos para as equipas clínicas.
Durante esse período, os veículos e as respetivas equipas ficam indisponíveis para responder a novas emergências nas suas áreas de intervenção.
«Cada ambulância retida representa menos um meio disponível para responder a uma paragem cardiorrespiratória», alertam a Federação e a AMAL, que apontam também os efeitos sobre a assistência a acidentes rodoviários e outras situações urgentes.
A redução dos meios disponíveis obriga, segundo o comunicado, à mobilização de ambulâncias provenientes de outros concelhos, o que aumenta os tempos de resposta e diminui a capacidade operacional dos corpos de bombeiros.
As entidades consideram que o problema é particularmente grave no Algarve devido ao aumento da população durante grande parte do ano e à pressão acrescida sobre o dispositivo regional de emergência.
A retenção prolongada das ambulâncias afeta também outras missões de proteção e socorro. Entre estas encontram-se acidentes rodoviários com necessidade de desencarceramento, operações de busca e salvamento, resgates e aberturas de portas perante suspeitas de emergência.
Nestes casos, os corpos de bombeiros podem ter de recorrer a meios de reserva ou a recursos de outros concelhos para assegurar a resposta.
A Federação e a AMAL defendem que a situação deixou de representar um constrangimento ocasional e passou a constituir um problema estrutural com impacto na segurança das populações.
As duas entidades reconhecem a pressão enfrentada pelos profissionais do Serviço Nacional de Saúde, mas sustentam que as dificuldades nos serviços hospitalares não podem manter indisponíveis os meios de emergência pré-hospitalar.
«As ambulâncias dos bombeiros não podem transformar-se em extensões das urgências hospitalares», lê-se.
O comunicado apela à adoção de medidas que reduzam os tempos de retenção e reforcem a articulação entre a Unidade Local de Saúde do Algarve, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e os corpos de bombeiros.
A Federação e a AMAL defendem ainda que os comandantes dos corpos de bombeiros não podem ser responsabilizados por atrasos ou constrangimentos operacionais quando estes resultem da retenção prolongada das ambulâncias nas unidades hospitalares.
«Quando uma parte significativa dos seus meios permanece retida por razões alheias à sua responsabilidade operacional, fica inevitavelmente comprometida a capacidade de resposta», acrescentam as duas entidades.
O documento é subscrito pelo presidente da Federação de Bombeiros do Algarve, Steven Sousa Piedade, e pelo presidente da AMAL, António Miguel Pina.
O levantamento não abrange os Bombeiros Sapadores de Faro (Corpo de Bombeiros 0811), que não presta serviço de INEM, e por isso regista zero episódios de retenção.