É um património considerado «ímpar» no mundo e, por isso, no passado dia 5 de janeiro, foi assinado um protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Loulé, a Fundação António Aleixo e a Universidade Nova de Lisboa/ Faculdade de Ciência e Tecnologia. O documento tem como objetivos colaborar no âmbito do estudo da paleontologia e da geologia e na defesa do património paleontológico e geológico do concelho de Loulé. A parceria visa ainda a entreajuda em projetos de investigação científica, bem como na exploração e divulgação dos seus resultados.
A 24 de março de 2015 foi dado a conhecer ao mundo uma nova espécie de salamandra gigante, encontrada em Loulé. Pouco depois, o biólogo (pela Universidade de Évora) e paleontólogo, doutorado pela Universidade Nova de Lisboa (em 2005) Octávio Mateus teve oportunidade de, no âmbito dos 20 anos do Museu Municipal de Loulé, realizar uma conferência no dia 23 de maio sobre este achado que é considerado muito importante e significativo para a Paleontologia mundial.
Trata-se de uma nova espécie de anfíbio descoberta no Algarve que viveu durante a ascensão dos dinossauros e foi um dos maiores predadores da Terra há cerca de 200 milhões de anos atrás. O paleontólogo que participou na descoberta e estudo, Octávio Mateus, considera mesmo que «esta descoberta é um exemplo de um achado de uma época da qual conhecemos muito pouco em Portugal, o Triásico, há cerca de 200 milhões de anos, altura em que viveram alguns dos primeiros dinossauros». O estudo inclui ainda investigadores das Universidades de Edimburgo, Birmingham e Museu de História Natural de Paris.
As criaturas assemelham-se a salamandras gigantes, algumas com 2 metros de comprimento, que viveram em lagos e rios durante o Período Triásico, de forma semelhante aos crocodilos de hoje, dizem os investigadores. Os metopossauros faziam parte do grupo ancestral do qual os anfíbios modernos – tais como sapos e salamandras – evoluíram, diz a equipa.
Apenas uma fração do local – cerca de 4 metros quadrados – foi escavado até agora, e a equipa irá prosseguir o trabalho para descobrir novos fósseis. A maioria deste tipo de grandes anfíbios foi exterminada durante uma extinção em massa que ocorreu há 201 milhões anos, muito antes da morte dos dinossauros. Isto marcou o fim do Período Triásico, quando o supercontinente Pangea, que incluiu todos os continentes do mundo, se começou a dividir. O estudo, publicado no «Journal of Vertebrate Paleontology» foi financiado por várias instituições científicas internacionais.
De acordo com as declarações de Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, este protocolo «insere-se numa visão estratégica de longo prazo que temos para o município, apostando no património como um dos eixos de desenvolvimento sustentado. Um trabalho que se quer continuado e consistente, selando assim, aqui, um compromisso para o futuro, contribuindo para a continuação da investigação, através do apoio às escavações, assim como a bolsas de mestrado e de doutoramento».
Loulé celebra protocolo de colaboração científica