O Livre teve um dos melhores resultados da noite eleitoral, conquistando pela primeira vez um grupo parlamentar, com quatro deputados.
Mas a vitória acabou por ser agridoce devido ao crescimento do Chega, com Rui Tavares a prometer um combate firme à extrema-direita.
As primeiras previsões deram ao Livre a possibilidade de eleger um grupo parlamentar de quatro a seis deputados.
Em 2015, o partido integrou a candidatura cidadã Tempo de Avançar, que obteve 0,73% (39.340 votos) e em 2019 conseguiu o feito histórico de eleger Joacine Katar Moreira para o parlamento, com 1,09%, cerca de 55 mil votos.
Após uma estreia conturbada na qual perdeu a representação meses depois de a conquistar, nas legislativas de 2022 o Livre regressou ao parlamento com Rui Tavares, obtendo 1,28%, o correspondente a 71.196 votos.
Desta vez, de acordo com dados da Secretaria-Geral do Ministério de Administração Interna, com 99,01% da contagem feita, o Livre obteve 3,26 %, o equivalente a 199.890 votos.
Durante a campanha, o partido apontou dois objetivos eleitorais: eleger um grupo parlamentar mínimo de três deputados e «afastar extremismos do poder».
A falha deste segundo objetivo, com o Chega a conquistar 48 mandatos, ensombrou a noite de vitória do Livre, que acabou por ter um sabor agridoce.
Contudo, no discurso final da noite, Rui Tavares garantiu que o partido fará um combate cerrado à extrema-direita, almejando «rebentar o balão» que cresceu esta noite no país e deixando uma palavra de solidariedade para com todas as minorias, clamando: «não passarão».
O dirigente manifestou disponibilidade para dialogar à esquerda e garantiu que o Livre «sabe crescer bem e com responsabilidade», argumentando que o resultado histórico do partido mostra que «há espaço para uma esquerda verde europeia em Portugal».
A noite acabou com Rui Tavares a citar a “Canção de engate”, de António Variações, apelando: «Venham amigos, nunca é tarde para descobrir um mundo novo. Como diz a música do Variações eu sou livre e tu estás livre, porque não vamos unidos».
O Livre elegeu dois deputados por Lisboa, um pelo Porto e um por Setúbal.