O LAC – Laboratório de Actividades Criativas promove a sexta edição do Projeto ROOTS, sob o tema «Raízes e Pós-Memória», que terá lugar em Lagos, de 11 de novembro a 30 de dezembro.
O evento integra uma série de atividades culturais, incluindo residências artísticas, exposições, debates, e um ciclo de cinema, com entrada gratuita e aberta ao público, segundo informa hoje o LAC.
A curadoria da edição está a cargo de A. Pedro Correia, com programação paralela a decorrer no Museu de Lagos e na Biblioteca Municipal Júlio Dantas.
A programação começa com uma residência artística entre 11 e 23 de novembro, nas instalações do LAC, e conta com artistas de diversas origens, incluindo Blackson Afonso (Angola), Eugénia Mussa (Moçambique), José Miguel Gervásio (Portugal) e Márcio Carvalho (Portugal).
Estes criadores irão explorar temas de memória cultural e ancestralidade, refletindo sobre as raízes culturais e pessoais que compõem a sociedade atual.
Entre as atividades paralelas, destacam-se a conferência «Desconstrução de Narrativas e Mitos» com Ângela Ferreira, Sofia Borges e Sara Albuquerque, e a exibição do filme «Adventures in Mozambique and the Portuguese Tendency to Forget», a 17 de novembro, no Armazém Regimental.
O ciclo de cinema, com curadoria de Patrícia Leal, inclui documentários e ficções como «Maison Tropicale» de Manthia Diawara, a 27 de novembro, e «Sankofa» de Haile Gerima, a 28 de novembro.
A exposição ROOTS estará patente no LAC de 23 de novembro a 30 de dezembro e contará com visitas mediadas pelo serviço educativo. Em 2025, a exposição circulará pelas Caldas da Rainha, no Centro de Artes, e por Guimarães, no CAAA – Centro para os Assuntos de Arte e Arquitetura, acompanhada de atividades de mediação em abril e maio, respetivamente.
O projeto é financiado pela Direção Geral das Artes (DGArtes) e Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC), com apoio do município de Lagos.
Os parceiros deste ano incluem o município das Caldas da Rainha e o CAAA, com apoios logísticos da Messe Militar de Lagos e do Teatro Experimental de Lagos para alojamento e transporte.
Artistas participantes
Blackson Afonso (Angola)
Blackson (n. 1983) nasceu no Uíge, província de Angola. Vive em Portugal desde os 8 anos de idade. Estudou Pintura em Budapeste (2009-2012) e Arquitetura em Lisboa (2012), onde vive e trabalha atualmente.
Com uma linguagem visual em constante desenvolvimento, Blackson inspira-se no corpo negro, que representa nas suas pinturas, e afirma na sociedade. A isso, acrescenta camadas de cor, criando sensações no observador, que parecem contraditórias à primeira vista, mas que se combinam harmoniosamente na tela. Entre a alegria e a melancolia, a harmonia torna-se o mote do seu trabalho e da sua visão, onde a liberdade e o simbolismo são aspectos recorrentes e centrais das suas obras.
Atualmente, tem vindo a experimentar novos suportes para expressar a sua arte, como azulejos ou instalações.
Eugénia Mussa
Eugénia Mussa (1978, Maputo, Moçambique), vive e trabalha em Lisboa, Portugal. Estudou desenho e pintura no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual em Lisboa (2009) e tem um Foundation Course in Fine Arts do City and Islington College em Londres (2002). O seu percurso diaspórico influencia o seu trabalho, mas nas suas pinturas não confronta diretamente o tema da identidade africana, mas funde-o com memórias, imagens e sentimentos recolhidos ao longo do seu percurso. A mistura de referências e a flutuação estilística caracterizam a sua prática.
Resgatando técnicas clássicas de pintura a óleo ou guache aplicadas em séries sobre tela ou cartão, explora e flexibiliza as fronteiras entre a repetição e a variação, a geometria e a figuração, o real e o imaginário, e revela imagens cujo cromatismo deslumbrante desencadeia experiências nostálgicas. Na sua obra figurativa, a artista emprega uma técnica clássica de pintura a óleo com aleatoriedade musical, flutuando livremente entre estilos, géneros ou paradigmas pré-estabelecidos. Uma fonte frequente de inspiração para as suas pinturas é o seu vasto arquivo de imagens, composto por memórias do quotidiano mundano, doméstico e urbano, que encontra em livros, postais e em vídeos amadores gravados em película Kodachrome.
José Miguel Gervásio
José Miguel Gervásio (Montijo, 28 de Outubro de 1968) vive e trabalha em Montemor-o-Novo, licenciado em Artes Plásticas-Pintura (1989-1994), pela Escola Superior de Belas-Artes, (actual Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto). Mestrado em Práticas Artísticas em Artes Visuais, Escola das Artes, Universidade de Évora, (2019-2021). Actualmente, encontra-se a frequentar o 3.º ano do curso de doutoramento da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, área científica de Belas-Artes, na especialidade de Pintura, como bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Expõe com regularidade desde 1994, tendo sido representado por duas prestigiadas galerias de arte portuguesas, a Galeria Quadrado Azul (Porto), de 1999 a 2005, e o Módulo – Centro Difusor de Arte (Lisboa), de 2009 a 2019. Nesse âmbito, participou em feiras de arte em Portugal e Espanha, encontrando-se representado em várias colecções públicas e privadas, das quais se destacam a Fundação Carmona e Costa (Lisboa) e o “Gabinete Gráfico” da Biblioteca Apostólica Vaticana (Roma) e a Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa).
Marcio Carvalho
Oriundo de uma família composta por angolanos e portugueses, Marcio Carvalho partilha os antepassados de duas geografias distintas, com sistemas epistemológicos e de crenças distintas, e é a partir deles que complica as noções de memória autobiográfica e coletiva. O seu trabalho examina a vida pública e os arquivos, a memória autobiográfica e a memória coletiva, com foco nos atos de recordar e suas influências biológicas, culturais e sociais. Seja através do desenho, do filme, da instalação ou da performance, a arte de Marcio Carvalho tenta criar modos de participação pública, onde as realidades históricas e memoriais da cidade são desafiadas e cocriadas por grupos de cidadãos e suas memórias.
Os seus projetos artísticos tentam separar a memória e o ato de recordar da ideia tradicional de arquivo –repositório fixo de informação –para dar à atividade memorial o estatuto de atividade social, discursiva e prática cultural, garantindo assim que a memória e os processos que a criam permaneçam um processo criativo, efémero, contínuo e inacabado.
Carvalho é mestre em Artes Performativas na Hochschulübergreifendes Zentrum Tanz Berlin e candidato a Doutoramento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Participou em eventos e projetos artísticos em cinco continentes, onde teve a oportunidade de colaborar com artistas, curadores e comunidades locais.
Destacam-se a bienal RAVY, Yaoundé, a bienal de Curitiba, o National Arts Festival, Joanesburgo, a bienal de Thessaloniki, o museu Gemäldegalerie, Berlin, o SAVVY Contemporary, Berlin, a Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, o museu MUCEM, Marselhe e o Museu de Africa, Turven.





