Carvoeiro e Estômbar recebem a 7.ª edição do Festival PARAGEM, com performances, música, dança e artes visuais em diálogo com o território, até 13 de setembro.
O Festival PARAGEM regressa a Lagoa para a sua sétima edição, prolongando o verão com quatro dias de práticas artísticas contemporâneas em espaços públicos de Carvoeiro e Estômbar.
Depois da abertura no sábado, 6 de setembro, com a estreia absoluta de «Obra Aberta» do coletivo SillySeason, o programa prossegue nos dias 11, 12 e 13 de setembro com uma agenda que cruza performance, música, dança e artes visuais, sempre em locais inesperados, das falésias aos passadiços, das praças às fontes.
A curadoria é assinada por Nelson Guerreiro e Filipa Brito, que sublinham a vocação itinerante do festival: «Importa reforçar o cariz itinerante do Festival assente na apresentação de intervenções artísticas — algumas até inclassificáveis — em contextos não habituais, com o objetivo de produzir novas formas de comunicação entre as práticas artísticas contemporâneas e espaços públicos e privados ligados ao veraneio».
Para os dois curadores, o PARAGEM «procura ampliar a noção de férias no Algarve, mas também e sobretudo acrescentar à oferta artístico-cultural destes territórios uma programação desafiadora, inusitada, disruptiva, que só deseja contribuir para a felicidade de todes sem exceção».

Programação diversificada
No dia 11, as Fontes de Estômbar recebem «Improv Dinner (Time Sharing)», encontro transdisciplinar entre artes visuais, cerâmica, música e performance, que junta João Ferro Martins, Antónia Labaredas, Joana Guerra e Marisa Escaleira.
O dia 12 é o mais intenso da edição, em Carvoeiro. A artista Vanda Madureira leva ao passadiço do Algar Seco uma performance que expande a sua investigação em torno do desenho e do corpo.
Segue-se António MV, no Forte da Nossa Senhora da Encarnação, com «Veraneantes 0.1», uma enciclopédia multimédia sobre a figura do turista, revisitada a partir de uma obra iniciada em 2017. No Anfiteatro ao Ar Livre, Sónia Baptista apresenta «Sweat Sweat Sweat», poemas performativos sobre envelhecimento e corpo em mutação, onde dança, palavra e imagem se cruzam num registo provocador.
O encerramento, a 13 de setembro, também em Carvoeiro, inclui um passeio performativo de Eunice Artur pelo miradouro do Algar Seco, a peça «Eye Contact» da dupla Roll-On, que trabalha memórias de férias em composições fragmentadas, e «Grão_Bonneca» de Maria do Mar, concebido para a falésia da Boneca, em diálogo com o Coro da Aldeia (Arganil) e músicos convidados.
O último momento chama-se «Paragem Obrigatória», encontro performativo entre Nelson Guerreiro e Rogério Nuno Costa, que interrompe simbolicamente uma viagem de Helsínquia a Lisboa para criar um espaço de conversa e gesto artístico.

Arte em lugares inesperados
Praias, falésias, miradouros, passadiços e anfiteatros voltam a ser os palcos desta edição, reforçando a dimensão site specific e a ligação à paisagem algarvia. Para a organização, mais do que acrescentar espetáculos, trata-se de «provocar novas formas de estar juntos, ampliar a experiência cultural no Algarve e contribuir para que a arte habite, também, o tempo de férias».
Missão cultural
Criado em 2019, o Festival PARAGEM assume-se como um espaço de encontro entre comunidades locais, artistas e visitantes, transformando o tempo de veraneio num campo de experimentação artística. A organização destaca que, num verão marcado pela pressão turística e laboral, é essencial criar momentos de evasão também para quem trabalha no território: «É nosso desejo contribuir para a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais em tempos de grande ebulição, não esquecendo que o ócio, o lazer e o turismo são sustentados por uma força de trabalho invisível que também merece evadir-se, nutrir-se e emocionar-se através das Artes».

Com entrada livre e classificação etária para todas as idades, o festival é promovido pela BÓIA – Associação Cultural, criada em 2018 e apresentada como «a salvar vidas desde então». Conta com cofinanciamento do Município de Lagoa e da Direção-Geral das Artes, além da colaboração dos Escuteiros Marítimos de Ferragudo.
A equipa integra ainda Raquel Leitão na produção executiva, João Ferro Martins no cartaz, Carlotta Carvalho no design, Eduardo Quinhones Hall na comunicação, Alípio Padilha na fotografia e Carolina Vieira no vídeo.