Com uma periodicidade mensal ininterrupta desde março de 2006, as tertúlias de Lagoa já atraem um público fiel. Quem o diz é Maria Luísa Francisco, diretora cultural do Lions Clube de Lagoa, e responsável pela organização destes encontros.
«Queremos contribuir para o bem-estar cívico, moral e cultural da comunidade. As tertúlias são um exercício de cidadania ativa, um contributo para tornar os cidadãos mais ativos e participativos», explicou ao «barlavento».
As temáticas e os convidados são variados, desde escritores, jornalistas, personalidades do mundo académico, científico e cultural. As tertúlias acontecem na última quinta ou sexta-feira de cada mês, às 18 horas, na Biblioteca Municipal de Lagoa. Na maioria sénior, «este público habitou-se a ter mensalmente um espaço de encontro onde ouvem falar de temas que de outra forma não teriam acesso», disse a organizadora.
«Vamos observando a sua evolução, percebendo as reações. Para mim é gratificante ver pessoas que nunca tinham coragem de colocar questões durante o debate, e que nem sequer tinham uma conta de e-mail, serem as que hoje mais perguntas fazem, partilham e divulgam as tertúlias nas redes sociais. Ganharam um certo empowerment porque já estão à vontade para falar em público. As tertúlias são um momento de crescimento», considerou.
Memorável foi a tertúlia com o jornalista Mário Augusto, que traz para a televisão portuguesa os bastidores de Hollywood. «Atraiu muitos jovens. Essa tertúlia teve a particularidade de angariar fundos para uma associação de apoio a crianças com paralisia cerebral, pois é muito sensível a esta causa. É uma pessoa incrível, muito próxima do público», exemplificou.
Ainda no âmbito das causas sociais, Margarida Pinto Correia, responsável da Fundação do Gil, «falou sobre o voluntariado desta organização nos hospitais. No público estavam jovens voluntários do hospital de Portimão. Não sabíamos. Deram o testemunho do trabalho que fazem com muita paixão e isso contagiou o público. Houve pessoas que se ofereceram de imediato para serem voluntários. Ou seja, essa tertúlia teve resultados concretos e imediatos», lembra.
António Rosa Mendes, Carlos Pinto Coelho, Fernando Silva Grade, Brandão Ferreira também marcaram o público com as suas intervenções. A próxima tertúlia está marcada para sexta-feira, 27 de maio, e será sobre o narcisismo do século XXI. Terá como tema «Selfie – comunicação: mostro-me, logo existo. Flashes do Eu na era digital» pelo professor João Figueira da Universidade de Coimbra.
Lions Clube de Lagoa também se dedica à ação social
Além de uma década de tertúlias, «dinamizamos outros eventos de angariação de fundos para ajudar pessoas mais desfavorecidas no concelho de Lagoa. Neste momento, estamos a recolher alimentos para famílias carenciadas do concelho. Começámos, no Natal, com cabazes, em 2008, no ano em que fui presidente do Lions Clube de Lagoa. Neste momento estamos a ajudar, através de uma bolsa de estudo, um jovem lagoense que está a estudar medicina e cuja família não consegue suportar as despesas associadas à frequência desta licenciatura», revelou Maria Luísa Francisco, sobre a ação do Lions Clube de Lagoa.
Refira-se que as tertúlias mensais são organizadas ainda em parceria com a Biblioteca Municipal de Lagoa e o Núcleo Lagoa Portimão da Liga dos Combatentes. A organizadora destaca ainda todo o apoio prestado pela Câmara Municipal de Lagoa, sem o qual, não teria sido possível celebrar esta efeméride.
A organizadora das tertúlias
Maria Luísa Francisco, 44 anos, é uma mulher da cultura do Algarve, que se interessa pelas atividades culturais da região e pelo património cultural algarvio. Estas sempre foram áreas de estudo que a acompanharam ao longo do seu percurso académico.
Quando dava aulas no Ensino Superior também organizava conferências e debates na Universidade, daí lhe ter sido lançado o convite para ter essa responsabilidade no Lions Clube de Lagoa. Entrou em 2005 para o Lions Clube e ficou até hoje como diretora cultural.
Entretanto em 2008 foi presidente do Clube de Lagoa e em 2009 presidente regional dos Lions por dois mandatos. Atualmente é investigadora e estuda as comunidades estrangeiras no interior algarvio.
Nesse âmbito, encontra-se a preparar a sua tese de doutoramento na área da Sociologia Rural e Urbana na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde fez pós-graduação em Sociologia da Cultura e das Religiões, tal como mestrado em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos.
É igualmente licenciada em Relações Internacionais e tem representado Portugal em várias Organizações Não Governamentais (ONG) ligadas à igreja católica.