O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, acusou hoje o governo de ir apresentando «medidas avulso» e sem ter uma visão para o desenvolvimento do país, antes de partir do quilómetro zero, em Chaves, pela Estrada Nacional 2 (EN2).
«Já percebemos que o governo não tem uma visão para o desenvolvimento do nosso país. Vai apresentando medidas avulso, mas não tem uma visão para o desenvolvimento, para a coesão, para a economia, para o emprego, particularmente nos territórios que estão mais afastados dos grandes centros urbanos», afirmou o líder socialista antes de seguir viagem pela estrada que liga o país até Faro.
Este é «um percurso histórico, com muita identidade», afirmando que, com a Rota EN2 «Pela Coesão e Valorização do Território» se quer comprometer com as pessoas e com as instituições que vai encontrar ao longo do percurso.
E entre Trás-os-Montes e o Algarve, José Luís Carneiro apontou que vai poder ver «boas oportunidades», mas também «estrangulamentos, assimetrias que é preciso ultrapassar com um compromisso nacional para esse objetivo.
Ao longo da viagem, o líder socialista passará por território afetados pelos incêndios. Questionado pelos jornalistas sobre se está preparado para também ouvir críticas, por ter integrado o governo de António Costa, respondeu que quem «tem que prestar contas por aquilo que fez ou que não fez é o Governo que está no desempenho das suas funções».
E a propósito recordou as palavras do antigo Presidente da República Cavaco Silva que considerou ser um «guru espiritual» do atual primeiro-ministro e citou: «partir dos seis meses de governo, um governo que procure justificar os seus insucessos com governos do passado é um governo incompetente».
José Luís Carneiro disse ainda que o governo PS tinha «um caminho que estava a ser desenvolvido» e considerou «incompreensível» que o «Ministério da Agricultura tenha ido buscar mais de 120 milhões de euros das políticas florestais e tenha levado esse valor para outras políticas, retirando esses recursos financeiros daquela que deveria ser uma prioridade».
Prioridade essa que, explicou, «tinha que ver com a concretização da reforma da propriedade rústica, com o registo cadastral, tinha que ver, por exemplo, com projetos de reflorestação para a constituição das áreas integradas de gestão da paisagem, para a criação dos mosaicos florestais».
«Não haverá vencimento das dificuldades estruturais que o país tem se nós não formos capazes de ter políticas de investimento na agricultura, na floresta e na valorização dos recursos económicos e com o povoamento do território e, para isso, é necessário ter uma abordagem de país que passa também pela reforma do próprio Estado, pela reforma dos poderes públicos pela descentralização de serviços e pela colocação de serviços nos vários territórios do país, como aliás, o grupo que trabalhou no âmbito da coesão e das políticas para o interior determinou», referiu.
Hoje o ponto de encontro, em Chaves, foi na praça General Silveira e, depois, José Luís Carneiro seguiu a pé até à ponte romana de Trajano distribuindo postais, através dos quais pede aos cidadãos para enviarem para o largo do Rato (sede do PS em Lisboa) propostas, sugestões ou críticas, no âmbito da iniciativa «Saber ouvir e dar voz a Portugal».
A EN2 tem 738 quilómetros, liga Trás-os-Montes ao Algarve pelo interior do país e tornou-se numa rota turística que atrai muitos turistas nacionais e estrangeiros.
A 20 de agosto de 2019, também o antigo primeiro-ministro e secretário-geral do PS António Costa iniciou em Chaves uma viagem pela EN2 defendendo, na altura, que o país tinha de «saber valorizar» um «grande eixo de potencial de desenvolvimento».