Margarida e Mariana Mendes, irmãs e atletas do Clube de Natação de Lagos desde abril, estão a destacar-se na modalidade e alcançaram vários recordes pessoais.
Qualquer nadador prefere um estilo ou dois, em que se especializa, embora alguns atletas consigam ser bons nos quatro: bruços, costas, livre e mariposa. «Tanto na mariposa como nos bruços, é necessário ter coordenação especial de braços e pernas. Mas estilos é a prova mais difícil, porque obriga a ser constante em todas as técnicas», explica Mariana Mendes, 18 anos, atleta sénior que é a terceira melhor algarvia nos 100 metros estilos.
Mas mariposa é, na verdade, a sua especialidade, pois sagrou-se campeã regional de piscina curta nos 50, 100 e 200 metros. Graças à sua evolução no estilo livre, contudo, também foi campeã regional da disciplina, em piscina curta, nos 100 metros e vice-campeã nos 50 metros e nos 200 metros.

Mas a irmã Margarida, de 15 anos, não quer ficar atrás, tendo conquistado o título de campeã regional júnior, em piscina curta, nos 100 e 200 metros mariposa, vice-campeã em 200 metros livres e 400 metros estilos e foi a terceira melhor classificada em 100 metros livres. Também, este ano, bateu o record regional dos 100 metros mariposa, em piscina longa, no campeonato regional de absolutos, em Loulé, recorde que pertencia a uma nadadora da Portinado, desde 2003.
Aliás, ao contrário do que habitualmente acontece, foi a irmã mais nova quem levou a mais velha para a natação de competição.
Duas praticantes de ballet, Mariana andou na natação, mas abandonou. Margarida, aos 7/8 anos de idade, foi aconselhada pela sua médica a praticar natação, porque tinha problemas respiratórios. «Comecei a nadar na Portinado. A minha irmã viu que eu estava feliz na água e também começou a ir». Continuaram a nadar e abandonaram o ballet.

Questionadas sobre se há algum despique saudável entre ambas, Margarida disse que «são coisas de irmãs, estar ali a discutir, mas não existem problemas e ajudamo-nos mutuamente».
Mariana acrescentou que «é sempre bom ter alguém que nos acompanhe nos treinos. O picarmo-nos mutuamente nos treinos tem sido produtivo para as duas», brinca.
Embora vivam em Portimão e se tenham iniciado e continuado na Portinado, mudaram para o Clube de Natação de Lagos, em abril do corrente ano, o que obriga a seis deslocações semanais, em média.
Mariana diz que veio a aperceber-se de que «o Clube de Natação de Lagos tem mais a ver comigo, com a minha personalidade e com aquilo em que acredito, tanto a nível de objetivos como de pessoas. Tem as bases para poder chegar aos meus objetivos. A distância a que fica de casa não é problema», desdramativa. A evolução que ambas as nadadoras têm vindo a mostrar o esforço extra.
Aliás, as irmãs Mendes consideram que os resultados não são apenas fruto do muito treino, mas também do apoio da equipa. «Podemos pensar que não, mas a prova não se faz só dentro de água. Há muita coisa que nos influencia, tanto na hora da competição, como durante os treinos».

No início de dezembro, em Sines, a equipa feminina do Clube de Natação de Lagos defendeu o seu lugar na terceira divisão, depois de se ter apurado para a disputa deste campeonato, no dia 30 de outubro. A equipa foi composta por apenas quatro atletas: Leonor Neto, Marrianna Ball, Margarida Mendes e a capitã de equipa Mariana Mendes.
Conseguiram a manutenção na terceira divisão, com um 15º lugar obtido num universo de 32 clubes a nível nacional, sendo o segundo melhor classificado ao nível do Algarve.
As irmãs alcançaram vários recordes pessoais e conseguiram os mínimos para estarem presentes no campeonato nacional de piscina curta, em Felgueiras, nas vésperas do Natal. Mariana nos 200 metros mariposa e Margarida nos 100 e 200 metros mariposa, que aliás, persegue o recorde regional de 100 metros mariposa, que pertence a uma atleta de Loulé. «Ainda não consegui competir no meu dia especial, mas hei de conseguir», promete.
Mãe preside Associação de Natação do Algarve
Carla Mendes, mãe e motorista destas duas nadadoras, foi participando cada vez mais na vida desportiva das filhas e, neste momento, é a presidente da Associação de Natação do Algarve. «Acabamos por nos envolver nos treinos e nas provas. Infelizmente, os pais são pouco focados no acompanhamento dos filhos. Às vezes, tenho a sensação de que as piscinas são depósitos de miúdos», lamenta ao «barlavento». No seu caso, orgulha-se de ser uma mãe presente desde sempre, e portanto, não é de admirar que tenha sido escolhida para vice-presidente e agora, dirigente da associação.
«Estou no segundo mandato, o primeiro como presidente, por uma questão logística do antigo presidente que teve de ausentar-se para o estrangeiro. Houve eleições e aqui estou. O objetivo da associação é que as provas sejam feitas nas melhores condições possíveis, a nível das piscinas do Algarve. Nem todas são fáceis e isso tem a ver com vários fatores que têm de ser controlados. Temos bons nadadores, mas falta de condições, como uma piscina de 50 metros coberta. A piscina de Loulé é descoberta. Só podem treinar quando está bom tempo. Para treinar no inverno, têm de ir a Quarteira, que apenas tem duas pistas e ainda bem que elas existem. Mas é muito difícil conseguir um horário para treinar, porque todos os clubes querem ocupá-la. A alternativa é Vila Real de Santo António, que também só tem duas pistas e é na outra ponta do Algarve. É mesmo preciso que estes miúdos tenham as melhores condições possíveis para praticar natação na região. O que eu peço é uma piscina de 50 metros coberta».