Tornado IF2 atingiu Albufeira com ventos de 220 km/h, provocou uma morte e 28 feridos e resultou de uma supercélula associada à depressão Cláudia.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmou que o fenómeno que atingiu Albufeira às 10h02 de 15 de novembro foi um tornado, classificado de IF2, com rajadas estimadas de 220 km/h. A confirmação resulta da análise preliminar dos dados de radar e dos danos registados no terreno.
Segundo o IPMA, a depressão Cláudia tem produzido precipitação forte e prolongada, granizo, trovoadas frequentes e episódios de vento intenso, com impacto mais severo no sul do continente e no interior centro. No Algarve, os efeitos foram mais marcados no sábado, 15 de novembro.
Nesse dia foram confirmados dois fenómenos de vento extremo: um em Albufeira, às 10h02, e outro em Lagoa, às 11h22. Pela análise dos danos e da informação disponível, o primeiro foi qualificado como tornado e o segundo como fenómeno de vento forte.
O tornado de Albufeira terá começado junto à faixa costeira e mantido contacto com o solo durante cerca de quatro quilómetros, em direção sudoeste–nordeste. Tratou-se de um tornado mesociclónico, associado a uma supercélula identificada pelos campos de refletividade e velocidade Doppler.
O fenómeno de Lagoa iniciou a propagação sobre terra na zona de Ferragudo e percorreu quase sete quilómetros na mesma orientação. Também esteve associado à passagem de uma supercélula.
De forma preliminar, o IPMA estima que o tornado de Albufeira tenha registado vento máximo instantâneo próximo dos 60 m/s (220 km/h), correspondentes à classificação IF2.
O fenómeno de Lagoa terá atingido valores próximos dos 50 m/s (180 km/h), compatíveis com a classificação IF1.5. O IPMA sublinha que esta avaliação segue os procedimentos técnicos recomendados e poderá ser revista.
Uma mulher britânica de 85 anos morreu no Parque de Campismo de Albufeira após a passagem do tornado na manhã de sábado. A Proteção Civil confirmou 28 feridos assistidos, entre eles seis crianças com idades entre dois meses e sete anos, num balanço que inclui feridos graves e ligeiros.
A conferência de imprensa na Câmara de Albufeira detalhou que o fenómeno provocou danos significativos. Todas as vítimas foram assistidas no SUB de Albufeira ou transportadas para o Hospital de Faro, tal como o barlavento noticiou.
A autarquia ativou equipas de ação social para apoio psicológico, limpeza de destroços e acompanhamento das famílias afetadas. Em Silves, um fenómeno semelhante ocorreu às 11h48, causando danos em estruturas e deixando duas pessoas desalojadas.
Foto: GNR

