A vítima mortal do fenómeno extremo de vento que atingiu Albufeira, esta manhã, é uma mulher britânica de 85 anos que se encontrava no Parque de Campismo de Albufeira.
O balanço provisório da Proteção Civil confirma 28 feridos na cidade e danos significativos em duas zonas turísticas, segundo foi avançado ao início da tarde, em conferência de imprensa, na Câmara Municipal de Albufeira.
Vítor Vaz Pinto, comandante distrital de Proteção Civil de Faro, revelou que o fenómeno atmosférico provocou hoje seis vítimas no Parque de Campismo: uma idosa de 85 anos que perdeu a vida, dois feridos em estado grave e três feridos ligeiros. No Éden Resort, também atingido, foram contabilizados 23 feridos ligeiros, quatro dos quais transportados para o Hospital de Faro.
No total, foram assistidas 28 pessoas, incluindo seis crianças com idades entre dois meses e sete anos, todas classificadas como feridas ligeiras. Os adultos têm entre 24 e 70 anos. Há vítimas portuguesas, britânicas e espanholas.
O comandante distrital explicou que a vítima mortal era a pessoa inicialmente dada como desaparecida. «Os responsáveis pelas infraestruturas fizeram uma análise e perceberam que não havia mais ninguém em falta. Infelizmente, tratava-se da vítima mortal», afirmou. E garantiu que não há mais desaparecidos, até ao momento.
Segundo o responsável, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) «ainda não conseguiu classificar se se tratou de um tornado ou de um mini-tornado» e confirmou que não foi o mesmo fenómeno que afetou os concelhos vizinhos de Lagoa e Silves, neste último onde a ventania deixou duas pessoas sem teto, já realojadas pelo município.
Do lado do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Carlos Raposa disse que é visível no terreno «a progressão e o sentido» do fenómeno.
«Sabíamos que toda a costa do Algarve podia ser afetada. Havia células com muita atividade. Não sabíamos se iam perder intensidade quando entrassem em terra, nem por onde iriam entrar. Podia ter sido em Sagres ou em Vila Real de Santo António. Mas todo o dispositivo respondeu com grande profissionalismo e eficiência», afirmou.
Vaz Pinto recordou que o IPMA colocou o distrito em alerta vermelho, na quarta-feira, e rejeitou a ideia de falta de prevenção. «Os avisos estavam feitos. No Algarve, os serviços municipais de Proteção Civil difundiram os alertas e contactaram pessoalmente as zonas historicamente mais vulneráveis. O grau de incerteza é muito grande mas criar alarmismo não vale a pena. Senão teríamos de evacuar o Algarve todo.»
Apesar de os locais afetados em Albufeira serem privados, a Câmara Municipal «desde a primeira hora disponibilizou todos os serviços para apoiar na reposição da normalidade», apontou.

«Nós fazemos aquilo que nos compete, com os meios de que dispomos, para que o Algarve seja a região turística de excelência, segura e cada vez mais resiliente que é», disse o comandante distrital, com ressalva de que «estes ainda não são números finais, porque a operação ainda não está fechada».
No SUB de Albufeira foram assistidas 23 vítimas ligeiras, das quais quatro foram evacuadas para o Hospital de Faro. Em termos etários, o incidente envolveu seis crianças entre dois meses e sete anos e 23 adultos entre 24 e 70 anos. As vítimas sofreram traumatismos e politraumatismos nos membros e no tronco. No Centro de Saúde de Albufeira foi montada uma estrutura de assistência inicial.
Por sua vez, o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, manifestou pesar pela perda de uma vida e prometeu apoio às vítimas.
«Em nome do município de Albufeira, apresento as mais sentidas condolências aos amigos, à família e à comunidade mais próxima e também as melhoras às vítimas destes incidentes.»
A autarquia «disponibilizou equipas de ação social para prestar apoio psicológico às vítimas. Não sabemos ainda se há desalojados, só o saberemos mais ao final do dia, mas, se houver, a Câmara irá providenciar tudo aquilo que estiver ao nosso alcance para colmatar esta situação.»
«Também quero assegurar que estamos a trabalhar para garantir todas as condições de apoio a estas vítimas, às famílias e às estruturas afetadas, bem como a restabelecer com a máxima brevidade possível as condições de segurança nas áreas atingidas, a limpar as estradas e a retirar diversos detritos para que tudo volte à normalidade», concluiu o autarca.
O IPMA prevê que a instabilidade no tempo possa durar até ao final do dia.