O governo vai avançar com um levantamento técnico da EN2 e promete requalificar troços críticos. São Brás de Alportel exige calendário e investimentos no Algarve.
A Infraestruturas de Portugal (IP) vai realizar um «levantamento técnico exaustivo» das necessidades da Estrada Nacional 2 (EN2), que liga Chaves a Faro, para melhorar as condições de segurança e circulação, anunciou o Ministério das Infraestruturas e Habitação, em 24 de outubro de 2025.
A decisão surge após a viagem do ministro Miguel Pinto Luz ao longo dos 738 quilómetros da EN2, entre Chaves e o Algarve, com passagem por 35 concelhos, realizada entre 21 e 24 de outubro de 2025.
Segundo o governo, a IP vai identificar intervenções prioritárias para «melhorar as condições de segurança do traçado», requalificar marcos e bermas, criar parques de apoio a autocaravanas e motards, zonas de descanso e renovar a sinalética informativa «em conjunto com o Turismo de Portugal», destacando a oferta cultural, patrimonial e gastronómica de cada concelho.
Está também prevista a construção de marcos de maior dimensão no quilómetro 0, em Chaves, e no quilómetro 738, em Faro, «que assinalam o início e o fim do percurso da EN2».
O Ministério confirmou ainda a requalificação do troço entre os quilómetros 425 e 467,9, nos distritos de Santarém e Portalegre, atravessando Abrantes, Ponte de Sor e Avis. A empreitada, estimada em 10 milhões de euros, tem como objetivo reforçar as condições de segurança e circulação num segmento cujo estado de conservação é considerado «insatisfatório».
No Algarve, será reposta a plataforma rodoviária ao quilómetro 710, em São Brás de Alportel, após o abatimento do pavimento provocado por fenómenos geotécnicos associados às intempéries do último inverno.
O ministro sublinhou o «diálogo permanente» com as autarquias, «tenham a cor política que tiverem», posição assumida no fecho da viagem pela EN2.
Em São Brás de Alportel, o presidente da Câmara Municipal em final de mandato, Vítor Guerreiro, reforçou a «urgência de requalificar o troço da EN2 entre São Brás de Alportel e a Via do Infante», obra «essencial para a segurança rodoviária, a mobilidade e o desenvolvimento turístico do concelho», lembrando que o projeto é pedido desde 2013.
A recém-eleita autarca socialista Marlene Guerreiro alertou para o corte do troço entre o Ameixal (Loulé) e São Brás de Alportel, em vigor desde junho, devido à instabilidade de um talude de aterro. O desvio pelas EN270, EN396 e EN124 «afeta a mobilidade diária e prejudica a atividade turística e económica local».
Em resposta, Miguel Pinto Luz indicou que o projeto de requalificação global da EN2 «será lançado a concurso no final de 2026, com execução prevista para 2027». Quanto à obra no troço cortado a norte do concelho, «avaliado em 1,5 milhões de euros», disse que aguarda aprovação orçamental e tem «execução estimada de seis meses».
O município manifestou também interesse em assumir o Chafariz do Parque de Merendas de Bicas da Serra, com dois painéis de azulejos dedicados à construção da EN2, para garantir preservação e valorização deste património atualmente sob tutela da IP.
A EN2 é hoje um itinerário turístico rodoviário de referência, percorrido por automobilistas, motards e autocaravanistas, e um eixo de coesão territorial entre o Norte, o Centro, o Alentejo e o Algarve.
Ontem, Miguel Pinto Luz inaugurou a nova praça evocativa da Estrada Nacional (EN2) e a Avenida Aníbal Sousa Guerreiro, último ato público do mandato de Rogério Bacalhau, tal como o barlavento noticiou.
