Primeira reunião do grupo de trabalho nacional para a gestão da Macroalga invasora Rugulopteryx okamurae teve lugar em Faro.
A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, acolheu em Faro, no início da semana, a primeira reunião deste grupo de trabalho, formalizado pela Portaria n.º 270-A/2025/1, publicada a 23 de julho, pelos Ministérios do Ambiente e da Energia, e da Agricultura e Mar.
A Rugulopteryx okamurae, alga exótica, originária do Pacífico noroeste, tem-se espalhado de forma acelerada pelas zonas costeiras do sul de Portugal, causando preocupações ambientais, económicas e sociais.
No Algarve, a presença da espécie foi registada pela primeira vez em 2021 e, desde então, tem sido alvo de ações de remoção em várias praias. Mais recentemente, foram também detectados indícios da sua presença na orla costeira de Cascais.
O grupo de trabalho agora em funções é responsável por coordenar, acompanhar e executar uma estratégia nacional para a gestão desta macroalga invasora.
Entre as suas principais tarefas estão a monitorização da presença e disseminação da espécie, o reforço da capacidade de resposta operacional, o desenvolvimento de soluções para valorização da biomassa recolhida e a elaboração de planos de contenção à escala local, regional e nacional.
A estratégia assenta na monitorização e alerta precoce, no reforço das equipas técnicas e operacionais, na promoção da investigação científica e inovação, e numa articulação institucional que permita envolver os vários sectores e sensibilizar o público para este desafio ambiental.
A coordenação do grupo está a cargo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), através do seu Departamento de Recursos Hídricos e Litoral.
Participam ainda as cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), a Universidade do Algarve (UAlg), a Associação de Municípios do Algarve (AMAL), a Região de Turismo do Algarve (RTA), o Turismo de Portugal e as autarquias dos municípios já afetados pela alga.
A CCDR Algarve sublinha que os municípios de Lagoa e Lagos, em particular, bem como a UAlg e os seus centros de investigação, «têm demonstrado um envolvimento ativo na procura de soluções integradas para a gestão desta ameaça emergente».
Além da preocupação ecológica, diz a CCDR Algarve em nota enviada hoje à redações, «esta espécie representa também um desafio crescente para a economia do mar, com relatos de impactos negativos na pesca artesanal, no turismo balnear e na limpeza costeira. O governo quer que a estratégia identifique igualmente formas de aproveitamento da biomassa removida, apostando na investigação aplicada e em eventuais utilizações nos setores da cosmética, agricultura ou bioenergia».
A portaria do governo reconhece os impactos negativos da Rugulopteryx okamurae sobre a biodiversidade, os ecossistemas marinhos, a atividade piscatória, a fruição balnear e a economia azul costeira. Com base em evidência científica, o Governo considera que a resposta a este fenómeno deve ser estratégica, técnica, científica, territorialmente adaptada e articulada entre os vários níveis de governação, envolvendo entidades nacionais, regionais e locais.