A GNR e a Guardia Civil concluíram conjunta a Operação «Diana», numa nova parceria transfronteiriça contra o narcotráfico no Guadiana, com 15 detidos e 1,5 toneladas de droga apreendidas.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Guardia Civil anunciaram hoje, em comunicado conjunto, a Operação «Diana».
Trata-se do primeiro dispositivo coordenado de combate à criminalidade transfronteiriça entre Portugal e Espanha, criado para enfrentar o tráfico internacional de estupefacientes por via marítima na Península Ibérica. Uma iniciativa que segundo ambas as forças, terá continuidade no tempo.
O balanço operacional inclui a detenção de 15 pessoas e a apreensão de 1.509 quilos de haxixe, 36 embarcações — nove das quais embarcações semirrígidas de alta velocidade — 36.800 litros de combustível, 13 veículos e uma arma de fogo, além da elaboração de 98 autos de contraordenação.
A operação visou diretamente a estrutura logística de apoio ao narcotráfico internacional que opera nas zonas limítrofes entre o sul de Portugal e a província de Huelva, partilhando um mesmo contexto criminal transfronteiriço.
As ações policiais foram desenvolvidas em vários pontos do Algarve, em zonas fronteiriças portuguesas e em diferentes municípios da província espanhola de Huelva, na Andaluzia.
A Operação «Diana» decorreu durante três semanas no mês de novembro e foi criada em resposta ao aumento das ações coordenadas com Espanha.
Segundo as duas forças de segurança, a pressão exercida pelas autoridades dos dois países na zona do Campo de Gibraltar obrigou as organizações criminosas a modificar o seu modus operandi e os locais de descarga da droga, deslocando as suas atividades para a fronteira luso-espanhola, que coincide com o leito do rio Guadiana.
A posição fronteiriça do Guadiana, assim como os múltiplos canais que dele derivam, foi identificada pelas redes criminosas como uma oportunidade para efetuar descargas de droga, recorrendo a embarcações semirrígidas de grande potência e cilindrada, numa tentativa de escapar ao controlo policial reforçado no Campo de Gibraltar.
Durante as três semanas de operação, foi montado um dispositivo policial intensivo por terra, mar e ar, com uma presença particularmente relevante nas zonas portuguesas do Algarve e em vários municípios da província de Huelva.
No total, foram realizados mais de 200 pontos de controlo em diferentes vias de comunicação, fiscalizados mais de 400 veículos e identificadas mais de 900 pessoas.
As autoridades destacam que o aumento da presença policial e da coordenação operacional permitiu travar de forma significativa a atividade ilícita dos meliantes nas zonas transfronteiriças, tanto ao nível do narcotráfico como das atividades logísticas associadas, incluindo a mudança de tripulações, o fornecimento de combustível, mantimentos e material.
Este foi o primeiro dispositivo conjunto deste tipo entre a GNR e a Guardia Civil, mas, segundo o comunicado, manter-se-á no tempo, através do planeamento de novas operações em ambos os lados da fronteira.
De agora em diante, o objetivo passará por manter a pressão sobre o crime organizado e consolidar a cooperação policial luso-espanhola, reforçando a segurança pública nas regiões fronteiriças.
Do lado português, participaram na Operação «Diana» a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR, os Comandos Territoriais de Faro e de Beja e a Secção de Investigação Criminal do Grupo de Intervenção de Operações Especiais (GIOE). A operação contou ainda com o apoio da Força Aérea Portuguesa (FAP), no âmbito da vigilância aérea.
Do lado espanhol, foram realizadas ações de controlo e vigilância por terra, com agentes de Seguridad Ciudadana, COS, GAR, ARS, USECIC, Policía Judicial, EDOA e CRAIN; por mar, com o Servicio Marítimo Provincial de Huelva e o Grupo Marítimo del Estrecho; e por ar, com as equipas PEGASO, SAER e o Servicio Aéreo da Guardia Civil.
