O edifício que vai acolher, no futuro, a nova sede da Junta de Freguesia de Portimão tem uma história que remonta a alguns séculos, tal como provam os vestígios arqueológicos e as ruínas deixadas a descoberto durante a preparação do espaço. Ainda não há dados concretos, mas o presidente da Junta de Freguesia de Portimão, Álvaro Bila, já revelou ao «barlavento» alguns detalhes acerca do projeto.
Com a reabilitação do imóvel, junto à Igreja Matriz, onde já funcionou também um posto dos correios, e até há algum tempo, a Casa da Nossa Senhora da Conceição, a Junta de Freguesia regressa à sua localização original.
Para «ir avançando com o projeto, tendo a certeza que são garantidas as melhores condições», esta autarquia pediu «a colaboração da Câmara Municipal, para a cedência da arqueóloga do Museu», que trabalha com a equipa da Junta para iniciar «a escavação num pátio interior».
Nesse local «já se descobriu, segundo a arqueóloga, o que deve ter sido uma habitação do século XV ou XVI», avançou Álvaro Bila. Após uma pausa, neste mês, os trabalhos avançam em setembro. A escavação prosseguirá «para o lado da rua, para onde está a parede do muro de suporte», disse.
A ideia é, aos poucos, descobrir o que está por baixo do edifício, ficando a conhecer mais sobre a história da cidade. É normal que outros vestígios surjam, pois o imóvel situa-se dentro das antigas muralhas de Portimão. O início antecipado das escavações é uma medida de prevenção. «Este executivo quer ter a certeza sobre o que está por baixo, garantindo que nada será estragado», argumentou o presidente.
Para já, ainda não há dados concretos em relação aos vestígios arqueológicos encontrados. Só a partir de setembro é que «a arqueóloga e os serviços do Museu, que estão a apoiar a escavação, farão o estudo sobre a história daquele espaço», afiançou Bila.
Com as novas descobertas em cima da mesa, o projeto inicial deverá sofrer alterações para integrar os achados. «Onde estão estas ruínas, estava projetada uma garagem. Agora achamos que não faz sentido destruirmos as ruínas para fazê-la, com o estacionamento do Parque da Alameda aqui tão perto. Face às descobertas, queremos alterar o plano inicial, pois não vamos querer escavar muito ali e danificar a estrutura já encontrada», adiantou o responsável pela autarquia.
E o futuro está aberto a sugestões. «A Assembleia de Freguesia é muito ativa e, portanto, vamos receber ideias de todos os eleitos pela população, numa contribuição sobre o que vamos fazer em definitivo. Ainda assim, a ideia inicial é deixar os achados à vista, para que todos possam vê-los, tanto os visitantes, como os residentes», garantiu Álvaro Bila.
Só não há datas precisas sobre o começo do projeto. A única certeza, segundo o presidente desta autarquia, é que a requalificação inicia-se, «quando houver o dinheiro total para a obra». A explicação é simples. As Juntas não podem contrair dívida, por isso há que arranjar meios para avançar. Assim, a autarquia tem um mealheiro, onde todos os anos é guardada uma determinada verba para que um futuro executivo possa executar o investimento. E quatro anos, após ter o montante total, devem ser suficientes, para lançar a obra, executá-la e inaugurá-la, transferindo todos os serviços da Junta de Freguesia de Portimão para alguns metros de distância do alojamento atual, sublinhou Álvaro Bila.
O autarca contou ainda ao «barlavento» que já há um grupo de trabalho a estudar a hipótese de «efetuar uma candidatura no âmbito do quadro Portugal 2020, pelo menos, para a requalificação do telhado e da fachada». A ideia será manter a traça do edifício.
Nova Junta será acessível a todos
Uma das prioridades da futura Junta de Freguesia de Portimão é a acessibilidade. «O que nos custa, apesar de estarmos numa excelente localização, no edifício da Igreja do Colégio, é que o primeiro andar não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida. Não conseguem deslocar-se, nem subir a escadaria de acesso», lamentou Álvaro Bila, presidente daquela autarquia.
Esta é uma das razões que leva hoje o autarca a ter um segundo espaço, no rés-do-chão, para receber estas pessoas. No entanto, ficam impedidos de utilizar, por exemplo, o posto público de Internet que está no piso superior. O projeto de reabilitação do edifício, a pouco metros da atual Junta, virá colmatar esta barreira arquitetónica. «É um rés-do-chão, com meia cave», tornando a acessibilidade um dos pontos fortes da futura sede. Entre os diversos serviços habituais, a Junta transferirá para o renovado espaço, o Gabinete de Apoio ao Imigrante, que atende apenas imigrantes residentes na freguesia, o posto público de Internet, com uma hora gratuita para cada utilizador, o atendimento às pessoas com necessidades sociais ou o Gabinete de Inserção Profissional.