Embora ostente um nome italiano, é bem portimonense o jovem que vai rumar ao Porto em setembro, mês em que completa 15 primaveras. Tomaso Lorenzi sagrou-se o melhor guarda-redes no último Kids Masters Championship, defendendo o penalty decisivo que deu a vitória ao Portimonense, numa final decidida por grandes penalidades.
O «barlavento» conversou com esta revelação e descobriu que começou no futebol, como ponta-de-lança, aos cinco anos de idade, no Alvorense. «E marcava muitos golos», conta.
Como se dá a mudança radical, de avançado para a baliza? «Aos sete anos, entrei na Escola de Futebol João Moutinho. Já tinha algum gosto pela baliza, o guarda-redes que lá estava era fraco e decidi ajudar a equipa». Desde então, nunca mais abandonou a posição, nem pensa em voltar a jogar como avançado. Após cinco anos nesta escola, mudou-se para o Portimonense Sporting Clube, onde militou nos dois últimos anos.
«O protagonismo é o que me atrai na baliza. Se o guarda-redes cumprir todos os seus objetivos, vai ser o homem do jogo. Se jogar mal, será o responsável pela derrota. Gosto de ter essa responsabilidade extra, embora o principal objetivo seja ajudar a equipa», sublinha.
Tem jogado pela seleção do Algarve, onde deu nas vistas, principalmente no Torneio Lopes da Silva, entre seleções a nível nacional. Foi chamado à seleção nacional, realizou quatro treinos, mas não conseguiu a internacionalização.
Contudo, um dos «grandes», o Futebol Clube do Porto, interessou-se pela jovem revelação e chamou-o para treinos, em outubro de 2015. Agradou e assinou contrato no passado mês de abril.
Fomos encontrá-lo a treinar afincadamente, porque «nunca se pode partir de completamente parado para a pré-época. Primeiro, porque os outros também se preparam; segundo, para evitar lesões, caso a pré-época venha a ser muito forte. Há que estar preparado».
Tomaso sabe que não é fácil singrar no futebol e que as lesões são um risco. Assim, não descura os estudos, tendo passado para o 10º ano, com excelentes notas. «Considero-me uma pessoa responsável e coloco sempre as coisas mais importantes à frente. Para mim, são a família, o futebol e os estudos».
Reconhece que o início da separação familiar será duro, mas sabe que a família estará sempre a seu lado, a apoiá-lo. E conta com dois jovens portimonenses que já lá se encontram: o Alexandre Moutinho e o Cláudio Major. O seu sonho é ser titular na baliza de um clube grande a nível mundial e na equipa sénior da seleção nacional, embora reconheça que, para tal, seja necessário «muito esforço, trabalho e espírito de sacrifício».